Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
Assembleia da ONU expõe crise da ordem global e disputa entre EUA e China
Publicado 22/09/2026 • 17:10 | Atualizado há 1 hora
Trump divulga 1.156 transações e movimenta até US$ 270 milhões em investimentos, incluindo Amazon e Microsoft
Ações da Alibaba disparam após empresa revelar novo chip de IA e planos para data centers
Preços do petróleo caem após notícia de que Arábia Saudita pretende reativar oleoduto estratégico nesta semana
Trump pressionará Zelenskyy por trégua energética e diz que Rússia “perdeu o controle” do petróleo por causa da guerra
Novo Nordisk defende diversificação enquanto CEO mira negócios além da obesidade
Publicado 22/09/2026 • 17:10 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Os discursos que abriram a Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (22) evidenciaram uma transformação mais profunda na ordem internacional, marcada pelo enfraquecimento das instituições multilaterais e pela crescente disputa de poder entre Estados Unidos e China. A avaliação é de Pedro Costa Júnior, doutor em Ciência Política e analista de Relações Internacionais, em entrevista nesta terça-feira (22) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Para Costa Júnior, a postura do presidente americano, Donald Trump, diante das organizações internacionais representa uma ruptura particularmente significativa porque parte justamente dos Estados Unidos, país que ajudou a estruturar a ordem construída depois da Segunda Guerra Mundial. “Essa ordem que prevaleceu no mundo nas últimas oito décadas e foi reafirmada depois da vitória dos Estados Unidos na Guerra Fria sobre a União Soviética, no começo dos anos 90, está ruindo, está desmoronando diante dos nossos pés”, afirmou.
Na avaliação do analista, a Organização das Nações Unidas é a principal expressão do sistema multilateral desenvolvido nas últimas oito décadas, mas outras instituições e organismos também enfrentam pressões crescentes.
Leia também: Trump critica Irã e Cuba, defende avanço da IA e relembra feitos em discurso na ONU
“O Trump ataca deliberadamente todas as instituições internacionais, a ONU, a OMC, a União Europeia, todas as organizações que foram surgindo ao longo do tempo”, disse Costa Júnior.
Segundo ele, o mundo atravessa uma transição na qual a estrutura anterior perdeu força, enquanto um novo arranjo internacional ainda não se consolidou. O discurso de Trump na Assembleia Geral, em sua avaliação, deve ser entendido dentro desse movimento.
“Nós temos, de um lado, uma ordem que acabou e uma nova ordem que ainda não nasceu. Esse interregno produz monstros. E o que Trump mostra no seu discurso? Que ele quer uma nova ordem, a nova ordem mundial trumpista”, afirmou.
Costa Júnior considera que a rivalidade entre Washington e Pequim será determinante para a configuração internacional das próximas décadas. Para ele, os próximos 25 anos serão marcados pelo que define como uma “luta pelo poder global” entre as duas potências.
Leia também: Lula diz na ONU que Brasil não vai ceder a pressões para “privatizar” o Pix
“O segundo quartel do século XXI, os próximos anos até 2050, é o que eu chamo de luta pelo poder global. Essa luta se dá entre esses dois atores, entre Estados Unidos de um lado e China do outro”, afirmou.
Nesse cenário, as disputas comerciais ocupam apenas uma parte do confronto. Costa Júnior destacou as tarifas impostas por Trump e a estratégia chinesa de responder de maneira mais direcionada, utilizando setores nos quais Pequim possui vantagens estratégicas.
Um dos exemplos são as terras raras e os minerais críticos, cuja oferta chinesa tem importância tanto para a economia americana quanto para seu complexo industrial militar.
Leia também: Secretário-geral da ONU pede que EUA e China cooperem diante dos desafios da IA
Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.
Siga o Times | CNBC“A resposta chinesa não é na mesma medida dos Estados Unidos, de tarifar indiscriminadamente os produtos americanos. É uma resposta cirúrgica, dificultando, por exemplo, a exportação chinesa de terras raras e minerais críticos para os Estados Unidos”, explicou.
O analista também colocou o Brasil dentro dessa disputa por recursos estratégicos, ao destacar a posição do país entre os detentores de reservas de terras raras.
Para Costa Júnior, a ausência de Xi Jinping da Assembleia Geral também possui significado político, especialmente em um momento no qual a China procura se apresentar como defensora do multilateralismo.
A ausência do presidente chinês, somada à de Vladimir Putin, segundo o analista, reforça os sinais de esvaziamento das instituições multilaterais, mesmo entre países que criticam a postura americana.
“A China, no discurso, apoia essas instituições multilaterais. Hoje ela se tornou uma espécie de porta-voz e guardiã do multilateralismo. Há nuances. A própria ausência de Xi Jinping está dizendo: ‘Nós apoiamos, mas não damos tanta importância’”, avaliou.
O avanço chinês, porém, não ocorre apenas pela ocupação dos espaços deixados pelos Estados Unidos nas instituições existentes. Costa Júnior avalia que Pequim vem desenvolvendo organizações e mecanismos próprios capazes de funcionar dentro da ordem internacional e, ao mesmo tempo, como alternativas a estruturas lideradas pelo Ocidente.
“A China vai construindo suas próprias instituições, seus próprios organismos, organismos reformistas dentro dessa ordem e também contra essa ordem”, afirmou.
Entre os exemplos, o analista citou os Brics, a Organização de Cooperação de Xangai e a iniciativa Cinturão e Rota. “É o caso, por exemplo, dos Brics, que nos diz respeito, que é uma alternativa, claro, ao Fundo Monetário Internacional e ao Banco Mundial”, disse.
Costa Júnior também apontou a Organização de Cooperação de Xangai como um contraponto eurasiático à Otan e destacou o alcance da estratégia chinesa de infraestrutura. “É o caso, por fim, das novas rotas da seda, a iniciativa Cinturão e Rota, que hoje já envolve mais de 150 países do mundo”, afirmou.
Leia também: Na ONU, Lula fala sobre “democracia em xeque” e “ingerência externa” nas eleições
Segundo Costa Júnior, esse movimento mostra como a China procura ocupar espaços no sistema internacional ao mesmo tempo em que desenvolve instituições próprias, em meio ao que ele considera uma disputa crescente por poder global entre Pequim e Washington.
🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais
🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562
🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube
🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Zapping | Novos Streamings
Maiores Audiências
1
Dino manda PF investigar operações do Banco Master com cemitérios de SP, mas proíbe apuração sobre Mendonça
2
Master pagou R$ 40 mi ao escritório de Viviane Barci e R$ 33 mi ao de advogada citada como “canal direto com STF” em 2024, diz PF
3
Alta cúpula do Master tratava advogada como “sócia de Gilmar”
4
Taxistas e motoristas de aplicativo ganham novas regras para acesso a crédito
5
Daniel Vorcaro reservou mansão de luxo para ministro Nunes Marques no Carnaval de 2025