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Bloqueio no Estreito de Ormuz derruba exportações ao Golfo em US$ 537 mi e testa logística refrigerada do Brasil

Publicado 16/05/2026 • 20:38 | Atualizado há 18 minutos

KEY POINTS

  • Agronegócio, responsável por cerca de 75% das vendas brasileiras para a região, sofreu impacto direto da interdição do Estreito de Ormuz
  • Setor reorganizou rotas e mercados em menos de um mês, ampliando embarques para Filipinas, Hong Kong, Emirados Árabes, Indonésia e Arábia Saudita para compensar perdas nos EUA e no Oriente Médio
  • Cadeia fria brasileira ganhou papel estratégico ao permitir conservação integral dos produtos, monitoramento contínuo de temperatura e redirecionamento das cargas sem perda de qualidade ou ruptura logística

Navio de carga chegando no porto de São Francisco, nos Estados Unidos.

Unsplash

A queda das exportações brasileiras ao Golfo Pérsico após o bloqueio do Estreito de Ormuz expôs os impactos das tensões geopolíticas sobre a cadeia logística de alimentos congelados e testou a capacidade do Brasil de reorganizar rapidamente seus fluxos comerciais. Dados do do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), e da Câmara Árabe apontam que as exportações brasileiras para Catar, Kuwait, Bahrein e Omã caíram 31,47% em março, para US$ 537,11 milhões.

Como o agronegócio representa cerca de 75% das vendas brasileiras para a região, o impacto atingiu diretamente produtos como açúcar, que recuou 43,37%, e carnes de aves, com queda de 13,8% no período. Para o setor, a capacidade de preservar cargas e redirecionar exportações passou a ser decisiva diante da interrupção parcial das rotas tradicionais.

“Para o Brasil, além do impacto imediato do bloqueio, o que fica evidente é a importância de ter infraestrutura preparada para redirecionar cargas. Operações estruturadas permitem preservar produtos e reorganizar destinos sem perda de qualidade ou ruptura da cadeia”, afirmou Evandro Calanca, diretor-geral do Cone Sul da Emergent Cold LatAm.

Segundo ele, o cenário inicial gerou preocupação no setor, mas a reação da indústria foi mais rápida do que o esperado. “Ao mesmo tempo em que a gente vive um ambiente geopolítico mais tenso e complexo, o Brasil nunca exportou tanto”, disse.

Ele afirmou que o setor levou menos de um mês para reorganizar operações e encontrar alternativas logísticas. Na avaliação do executivo, o movimento reforça a flexibilidade da cadeia brasileira de proteínas. O Brasil deve caminhar para o segundo ano consecutivo como maior exportador mundial de carne de frango, com cerca de US$ 10 bilhões em exportações e 5,3 milhões de toneladas embarcadas.

“A expectativa inicial era de desaceleração, mas hoje está passando mais produto pelos nossos armazéns e a indústria continua atendendo os mercados”, afirmou.

Frescos e congelados

A alteração logística só foi possível graças ao que o especialista denominou como câmara fria. Funciona como um sistema contínuo de conservação refrigerada, essencial para garantir a qualidade dos produtos. Os alimentos são resfriados muito rapidamente ainda nas fábricas e frigoríficos, o que garante sua durabilidade e qualidade após o degelo. A maior parte dos alimentos consumidos em restaurantes, supermercados e redes de food service depende dessa estrutura, ele diz.

A produção se concentra principalmente nas regiões Sul e Centro-Oeste. Santa Catarina aparece como um dos principais polos logísticos do setor. Segundo o executivo, o crescimento desse mercado supera 10% ao ano e já ultrapassou os volumes registrados durante a pandemia.

Reorganização de cadeias

Segundo Calanca, a mudança de rota começou ainda durante os tarifaços impostos pelos Estados Unidos no governo de Donald Trump, no começo de 2025. O aumento das tarifas levou empresas brasileiras a acelerar a abertura de novos mercados.

Entre os destinos que ganharam relevância estão Filipinas, Hong Kong, Emirados Árabes, Indonésia e Arábia Saudita. Parte das rotas para o Oriente Médio precisou ser redesenhada após os problemas envolvendo o Estreito de Ormuz.

“A indústria encontrou alternativas, inclusive utilizando transporte rodoviário em alguns trechos. É menos eficiente e mais caro, mas os mercados continuam sendo atendidos”, disse. Mesmo em rotas mais longas, não existe risco de perda da qualidade dos produtos. “Todo o processo permanece congelado de ponta a ponta”, ele diz.

O executivo afirmou que a capacidade brasileira de encontrar rapidamente novos compradores está ligada à credibilidade sanitária do país. “Nossa carne é extremamente segura. A cadeia fria é muito controlada em termos de licenças, certificações e qualidade.”

Segundo ele, caminhões, armazéns e contêineres possuem monitoramento contínuo de temperatura durante toda a viagem. “Se houver qualquer oscilação, o sistema registra automaticamente. Cliente, fornecedor e transportador acompanham tudo em tempo real”, disse.

Para o executivo, o episódio mostrou que a infraestrutura logística deixou de ser apenas uma questão operacional e passou a funcionar como instrumento estratégico para sustentar exportações brasileiras em momentos de crise internacional.

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