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Cerco da Casa Branca à I.A abre espaço para a China reduzir distância dos EUA
Publicado 30/06/2026 • 13:10 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 30/06/2026 • 13:10 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Divulgação/Governo dos Estados Unidos
Casa Branca, sede do governo dos EUA
A ofensiva do governo Trump contra os principais modelos de inteligência artificial da Anthropic está se mostrando um presente para o maior rival dos Estados Unidos na corrida da I.A: a China.
Após uma suspensão de duas semanas motivada por uma diretriz de controle de exportações, a Anthropic recebeu autorização da Casa Branca, na sexta-feira, para disponibilizar seu poderoso modelo Mythos 5 a algumas empresas e órgãos federais, embora o Fable 5 continue fora do mercado. A OpenAI, por sua vez, também informou na sexta-feira que limitará a expansão de seus modelos GPT 5.6 após um pedido do governo.
As duas principais desenvolvedoras americanas de modelos de I.A disputam entre si — e com gigantes da tecnologia como a Google — a liderança na criação das tecnologias mais avançadas. O governo dos EUA tem favorecido esse avanço acelerado ao reduzir barreiras regulatórias. Segundo executivos do setor e integrantes da administração Trump, agir de outra forma beneficiaria a China, que vem diminuindo rapidamente sua defasagem em relação aos americanos.
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Mas, enquanto a Anthropic atende às preocupações de segurança nacional de Washington, empresas chinesas lançam modelos que rivalizam com laboratórios de fronteira em algumas capacidades. Pesquisadores afirmam que o GLM 5.2, da Zhipu, lançado neste mês, alcança desempenho comparável ao dos principais laboratórios dos EUA em determinados testes de cibersegurança, chegando a igualar as capacidades do Mythos.
“Muitas pessoas brilhantes e especialistas em I.A dizem que o GLM-5.2 é o primeiro modelo chinês a igualar e frequentemente superar os modelos públicos dos grandes laboratórios americanos, sem concessões”, escreveu o investidor de risco Marc Andreessen em publicação no X no fim de semana. “O timing é incrível, considerando os acontecimentos atuais.”
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Sam Bresnick, pesquisador do Centro para Segurança e Tecnologia Emergente da Georgetown University Center for Security and Emerging Technology, classificou os avanços recentes como “um importante sinal de alerta”. Já Christopher Wood, estrategista da Jefferies, escreveu a clientes que o GLM 5.2 “é quase equivalente à Anthropic como concorrente no mercado corporativo e custa apenas um quarto do valor por token”, citando fontes do setor.
Até mesmo o ex-czar de criptomoedas e I.A do governo Trump, David Sacks, crítico da abordagem da Anthropic para segurança em I.A, publicou uma mensagem enigmática no X ao compartilhar uma manchete do Wall Street Journal afirmando que a China alcançou a Anthropic em cibersegurança.
“Há um ano, o presidente Trump declarou que os Estados Unidos estavam em uma corrida global pela I.A e que a forma de vencê-la era ser pró-inovação, pró-infraestrutura, pró-energia e pró-exportação”, escreveu Sacks. “O presidente Trump estava absolutamente certo; desviar dessa estratégia pode nos custar caro.”
Representantes da Anthropic, da OpenAI e da Casa Branca não responderam aos pedidos de comentário.
O dilema chinês surge justamente quando grande parte das empresas americanas abandona a era do chamado tokenmaxxing — período em que desenvolvedores podiam gastar livremente com I.A — e passa a priorizar eficiência e retorno sobre investimento. Essa mudança também favorece a China.
No início deste mês, Flo Crivello, CEO da startup de I.A Lindy, deixou de utilizar os modelos Claude, da Anthropic, e transferiu 100% do tráfego da empresa para a DeepSeek, que oferece alternativas abertas e mais baratas.
“Fizemos isso e foi possível ver a curva de custos despencar”, afirmou Crivello à CNBC em reportagem publicada na semana passada.
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Siga o Times | CNBCDesenvolvedores chineses de I.A conseguem alcançar usuários americanos com facilidade porque modelos de pesos abertos podem ser baixados e executados em servidores próprios, sem depender de provedores de nuvem.
“Com modelos abertos, é praticamente um Velho Oeste”, disse Travis Lanham, cofundador da startup de segurança em I.A Armadin, que vem testando o GLM 5.2 e o Kimi K2.7, da Moonshot AI.
Segundo Lanham, os modelos apresentam avanços em aplicações de cibersegurança, como análise de dados de reconhecimento e criação de códigos de exploração para clientes.
Resta saber se as autoridades americanas permitirão que isso continue. A questão ganha relevância diante da forma como as duas maiores economias do mundo tratam tecnologias sensíveis uma da outra. Há anos, Washington tenta impedir que inovações de ponta em I.A cheguem à China por meio de restrições à exportação de chips da Nvidia e da Advanced Micro Devices. Os EUA também proibiram empresas americanas de utilizar equipamentos da Huawei por razões de segurança nacional.
No ano passado, o governo americano autorizou a exportação para a China do chip H200, da Nvidia — o mesmo utilizado por companhias dos EUA. A fabricante, porém, afirmou neste ano que ainda não gerou receita com o produto e que desconhece se Pequim permitirá a importação dos equipamentos.
Sobre o GLM 5.2, o fundador da Tesla e da SpaceX, Elon Musk, escreveu no X que o modelo provavelmente alcançará o nível do Fable até o primeiro trimestre do próximo ano, respondendo a uma pergunta de um usuário.
Jie Tang, fundador da Zhipu, respondeu a Musk dizendo: “Não vai demorar tanto.”
E não são apenas empresas menores que recorrem aos modelos chineses. Grandes grupos como a Shopify e a Airbnb destacaram os benefícios do Qwen 3, da Alibaba, para ampliar funcionalidades de I.A. Já o CEO da Coinbase, Brian Armstrong, afirmou na semana passada que a empresa utiliza modelos abertos como o GLM 5.2 e o Kimi 2.7, reduzindo quase pela metade seus gastos com inteligência artificial, mesmo com maior consumo de tokens.
Para muitos especialistas, a principal preocupação continua sendo a cibersegurança. Alguns modelos abertos já conseguem automatizar diversas etapas de um ataque cibernético, e Hed Kovetz, CEO da startup Silverfort, teme que faltem apenas alguns meses para que consigam executar operações inteiras de forma autônoma.
“Se o governo dos Estados Unidos não permitir que a indústria aproveite essa oportunidade para se preparar, quando os modelos chineses atingirem um nível semelhante, ninguém estará pronto”, afirmou.
Leia mais: Como a China pretende resolver um dos maiores desafios da inteligência artificial
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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