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Casa Branca limita o lançamento do GPT-5.6 e exige aprovar cliente por cliente; OpenAI larga a coleira da Nvidia, mas ganha outra
Publicado 27/06/2026 • 20:08 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 27/06/2026 • 20:08 | Atualizado há 1 hora
Ilustração: Times Brasil | CNBC
A pimenta Jalapeño tenta correr atrás da independência da Nvidia, mas a OpenAI segue na ponta de outra coleira, a da Casa Branca
Foi na última quarta-feira (25), durante uma sessão de perguntas e respostas (Q&A, como gostam) com funcionários, que Sam Altman precisou explicar o motivo pelo qual seu produto mais esperado do semestre vai chegar ao mercado pela metade, ou melhor, vai chegar pra quem Donald Trump quiser.
O governo dos Estados Unidos está decidindo, cliente por cliente, quem poderá usar o GPT-5.6, que já está pronto, dividido em três modelos batizados Sol, Terra e Luna, o primeiro deles considerado pela própria OpenAI e pela Casa Branca como equivalente em capacidade ao Mythos, o modelo que a Anthropic segurou, e que inspirou o Fable, que foi obrigada a tirar do ar em junho por uma ordem de controle de exportação.
A diferença é que, enquanto a Anthropic recebeu um ultimato, a OpenAI recebeu um acordo. Acesso liberado em fase de preview, restrito a parceiros e organizações dos Estados Unidos, com aprovação da Casa Branca caso a caso, e a promessa de Altman aos funcionários de que essa não é a forma que a empresa gostaria de operar no longo prazo.
A divisão em três nomes de corpo celeste não é só capricho de marketing, ainda que sirva também a esse propósito. O Sol é descrito pela própria OpenAI como o modelo mais avançado já produzido pela empresa, com avanços em engenharia de software, uso de computador, pesquisa científica e cibersegurança, área que, não por acaso, foi justamente a que motivou a intervenção do governo.
O Terra promete desempenho equivalente ao GPT-5.5 por metade do custo, e o GPT-5.6 Luna chega como a opção barata para tarefas do dia a dia.
Antes de qualquer um deles ver a luz do dia fora dos laboratórios, a OpenAI diz ter dedicado mais de 700 mil horas de processamento equivalente a GPUs A100 só para caçar formas de burlar as salvaguardas do Sol, o tipo de número que qualquer empresa adora divulgar quando precisa provar que está sendo responsável.
Dias antes desse anúncio, em outro palco, outra cena. Hock Tan, presidente da Broadcom, entregou pessoalmente a Altman e a Greg Brockman uma peça de silício batizada Jalapeño, o primeiro chip de inferência desenhado do zero pela OpenAI, com a promessa de reduzir a dependência da empresa em relação às GPUs da Nvidia.
Nove meses de desenvolvimento, segundo a própria companhia o ciclo mais rápido já registrado em semicondutores desse porte, com os modelos da OpenAI ajudando a projetar partes do hardware que vai rodar os modelos seguintes. Uma cobra mordendo o próprio rabo, de um jeito que até funciona, ou pelo menos funciona bem o suficiente para virar evento de imprensa.
Inferência é a etapa em que um modelo já treinado responde a um comando, escreve uma linha de código ou conclui uma tarefa. Ela se repete a cada uso, e reduzir seu custo unitário impacta diretamente a margem de quem opera modelos em escala bilionária de usuários.
Cabe perguntar, e a pergunta não é hostil, apenas necessária, se o Jalapeño representa de fato uma virada de poder computacional ou se é, antes de tudo, um movimento de relações públicas bem cronometrado.
A OpenAI ainda mede o desempenho final do chip, ainda não tem produção em escala, e a Nvidia segue dominando o mercado sem concorrente real à vista. Anunciar o chip na mesma semana em que se aceita supervisão direta do governo sobre o próprio modelo mais avançado tem o efeito prático de equilibrar a narrativa, mostrar força tecnológica num momento em que a empresa demonstra, também, dependência política.
Essa segunda dependência, aliás, é a que mais interessa a quem acompanha o noticiário de IA desde abril. Altman cultiva proximidade pública com o governo Trump de um jeito que a Anthropic, historicamente mais combativa em relação a restrições do Pentágono e a usos militares de seus modelos, nunca cultivou.
O encontro que o secretário de Comércio Howard Lutnick teve com Altman na própria quarta-feira, antes de qualquer anúncio público, e a informação de que parte do acesso ao GPT-5.6 vai passar pela plataforma Bedrock da Amazon, sugerem um trânsito de bastidores que a Anthropic, em guerra aberta com o Pentágono desde fevereiro por causa de restrições de uso militar, simplesmente não tem.
Não é absurdo perguntar se essa proximidade compra à OpenAI um tratamento mais ameno diante de um risco que, segundo a própria Casa Branca, é equivalente ao que motivou a suspensão total do Fable e do Mythos. A OpenAI recebeu prazo, parceiros aprovados e uma data de lançamento amplo prevista para algumas semanas depois do preview. A Anthropic recebeu uma ordem de exportação e processos na Justiça.
O paralelo entre os dois episódios não cabe apenas no campo da regulação. Cabe também no campo da imagem. Um chip que promete libertar a OpenAI da Nvidia é notícia boa, fácil de vender, fácil de ilustrar com uma pimenta vermelha brilhando sob luz de estúdio. Um modelo que precisa de aval do Departamento de Comércio para chegar ao mercado é notícia incômoda, do tipo que se prefere anunciar num memorando interno, numa quarta-feira qualquer, longe das câmeras.
A expansão do preview do GPT-5.6 para fora dos Estados Unidos, prevista para a semana seguinte segundo informações de bastidores, vai ser o primeiro teste real de até onde essa coleira política se estende, e de quanto dela é mesmo segurança nacional, e quanto é apenas o preço cobrado por quem decidiu jogar junto.
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