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China libera US$ 28 trilhões em mercados de capitais para acelerar disputa com os EUA em I.A
Publicado 11/08/2026 • 07:00 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 11/08/2026 • 07:00 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Foto: unsplash
China libera US$ 28 trilhões em mercados de capitais para acelerar disputa com os EUA em I.A
A China está ampliando o uso de seus mercados de ações e títulos para financiar empresas estratégicas e reduzir a diferença de capital em relação aos Estados Unidos na corrida pela inteligência artificial.
A mudança ganhou força com a abertura de capital da CXMT Corp., fabricante de chips de memória considerada uma das principais apostas de Pequim para diminuir a dependência de fornecedores estrangeiros. Na estreia na Bolsa de Xangai, em julho, as ações chegaram a subir mais de 500% e fecharam o primeiro pregão com alta de 466%.
Com isso, de acordo com a Bloomberg, a CXMT se tornou a ação mais valiosa da China continental, superando o Banco Industrial e Comercial da China (ICBC). O episódio mostrou o potencial dos mercados de ações e títulos chineses, avaliados em cerca de US$ 28 trilhões (cerca de R$ 143 trilhões).
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Segundo dados compilados pela Bloomberg, empresas chinesas de tecnologia levantaram aproximadamente US$ 217 bilhões (R$ R$ 1,11 trilhão) em IPOs e emissões de títulos nos últimos dois anos. No mesmo período, companhias americanas do setor captaram cerca de US$ 1,4 trilhão (R$ 7,11 trilhões).
Assim, para cada US$ 1 levantado pelas empresas chinesas, as americanas conseguiram captar mais de US$ 6, com participação de gigantes como Amazon e Alphabet.
Por isso, Pequim acelerou os IPOs de companhias estratégicas e abriu novos caminhos para a emissão de títulos. A estratégia representa uma mudança no modelo tradicional chinês, baseado durante anos em subsídios, incentivos fiscais e investimentos estatais.
Agora, o país também busca ampliar o acesso das empresas aos cerca de US$ 26 trilhões (R$ 130 trilhões) mantidos pelas famílias chinesas em poupança.
A CXMT recebeu tratamento especial antes de chegar à bolsa. A empresa participou de um projeto-piloto de análise preliminar destinado a companhias estratégicas, o que ajudou a acelerar o processo.
A abertura de capital levou menos de oito meses e resultou em uma captação de aproximadamente US$ 9,8 bilhões (R$ 50 bilhões), uma das maiores ofertas públicas da China nos últimos anos.
Entretanto, a forte valorização das ações revelou um limite. Como os IPOs chineses costumam adotar preços conservadores, a fabricante levantou menos recursos do que poderia caso vendesse os papéis mais próximos do valor que os investidores estavam dispostos a pagar.
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Dias antes da estreia, uma onda de vendas também derrubou ações de tecnologia. Reguladores, fundos estatais e grandes investidores reagiram rapidamente para recuperar a confiança do mercado.
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Siga o Times | CNBCA estratégia também avançou no mercado de títulos. As autoridades estimularam bancos e investidores a apoiar empresas de tecnologia e facilitaram o acesso de novos emissores.
Até 7 de agosto, companhias chinesas de tecnologia haviam vendido pelo menos US$ 38 bilhões (R$ 50 bilhões) em títulos em 2026. Nos Estados Unidos, empresas do setor levantaram US$ 578 bilhões (R$ 2,95 trilhões) no mesmo período.
A diferença ocorre enquanto Pequim procura financiar setores estratégicos sem depender exclusivamente dos recursos do Estado. Além disso, as principais empresas chinesas de tecnologia tomam empréstimos com taxa média de 1,9% neste ano, mais de 300 pontos-base abaixo das concorrentes americanas.
O movimento também aparece nas bolsas. Investidores estão transferindo recursos de setores tradicionais, como imóveis e consumo, para fabricantes de chips e empresas de manufatura avançada.
O índice STAR 50, com forte presença de empresas de semicondutores, atingiu recorde em junho e acumula alta de 30% no ano, contra 1,4% do CSI 300.
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A tendência deve continuar com novas ofertas. Z.AI e MiniMax se preparam para listar ações em Xangai após estrearem em Hong Kong. A Moonshot AI informou que pretende abrir capital em até seis meses, enquanto a DeepSeek já começou a preparar seu próprio IPO.
Ainda assim, o capital não resolve sozinho a defasagem tecnológica chinesa. Especialistas alertam para riscos de excesso de capacidade, compressão das margens e aumento da concorrência.
Por outro lado, a China aposta em sua capacidade industrial para reduzir a diferença. Segundo estimativa do UBS citada pela Bloomberg, os custos de treinamento de modelos chineses podem ficar abaixo de 10% dos custos atribuídos a líderes globais como OpenAI e Anthropic.
Assim, a China busca mobilizar um mercado de capitais de US$ 28 trilhões (R$ 143 trilhões), combinar crédito mais barato e aproveitar sua capacidade industrial para acelerar a disputa tecnológica com os Estados Unidos em I.A.
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