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Conflito no Oriente Médio

Confrontos no Golfo elevam pressão sobre cessar-fogo entre EUA e Irã e ameaçam negociações de paz

Publicado 09/05/2026 • 12:04 | Atualizado há 1 mês

KEY POINTS

  • Novos ataques no Estreito de Ormuz ampliaram dúvidas sobre a estabilidade da trégua entre Estados Unidos e Irã.
  • Bahrein anunciou a prisão de 41 pessoas ligadas à Guarda Revolucionária iraniana enquanto Washington aguarda resposta de Teerã sobre proposta de acordo.
  • Escalada militar também aumentou tensão no Líbano e elevou temores sobre impactos no comércio global de petróleo.

A escalada militar entre Estados Unidos e Irã voltou a colocar em risco o cessar-fogo firmado há cerca de um mês, após novos confrontos no Estreito de Ormuz, ataques contra embarcações no Golfo Pérsico e uma série de movimentações políticas e militares na região.

Enquanto Washington aguarda uma resposta oficial de Teerã sobre a proposta americana para ampliar a trégua e iniciar negociações de paz, o governo iraniano passou a questionar publicamente a disposição dos EUA em avançar pela via diplomática.

Na sexta-feira (8), o presidente americano, Donald Trump, afirmou esperar ainda naquele dia uma resposta iraniana à proposta enviada pelos EUA por meio de mediadores paquistaneses. Apesar disso, não houve confirmação pública de retorno por parte do governo iraniano.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, criticou a postura americana durante conversa com o chanceler da Turquia. Segundo relato divulgado pela agência iraniana ISNA, o chanceler afirmou que a escalada militar promovida pelos EUA no Golfo aumentou as dúvidas sobre “a motivação e a seriedade” de Washington em relação à diplomacia.

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Ataques ampliam tensão no Estreito de Ormuz

Segundo o governo americano, um caça dos EUA disparou contra e inutilizou dois petroleiros de bandeira iraniana após acusá-los de desafiar o bloqueio naval imposto aos portos do Irã.

Os militares americanos afirmaram ainda ter frustrado ataques contra três navios da Marinha dos EUA e realizado operações contra instalações militares iranianas na região do estreito.

As ações provocaram retaliações por parte do Irã. Um oficial militar iraniano afirmou à imprensa local que a Marinha do país respondeu ao que chamou de “violação do cessar-fogo” e “terrorismo americano”.

O episódio aumentou as incertezas sobre a estabilidade da trégua mantida desde o mês passado.

Apesar disso, Trump voltou a afirmar que o cessar-fogo continua em vigor, mas ameaçou retomar bombardeios em larga escala caso Teerã rejeite o acordo proposto pelos EUA para reabrir o estreito e interromper o programa nuclear iraniano.

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Bahrein prende suspeitos ligados ao Irã

Em paralelo aos confrontos no Golfo, o Bahrein, aliado estratégico dos EUA na região e sede da Quinta Frota da Marinha americana, anunciou a prisão de 41 pessoas supostamente ligadas à Guarda Revolucionária do Irã.

O governo local informou que as investigações continuam para identificar outros possíveis integrantes do grupo.

Grupos de direitos humanos acusam o Bahrein de utilizar o conflito regional como justificativa para ampliar a repressão interna contra opositores.

O país é governado por uma monarquia sunita, embora tenha população majoritariamente xiita.

Ataque deixa mortos em navio cargueiro

Uma agência ligada ao Judiciário iraniano informou que um ataque americano durante a madrugada matou ao menos um marinheiro e deixou outros 10 feridos em um navio cargueiro que pegou fogo.

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Até o momento, não foi esclarecido se a embarcação fazia parte do grupo de petroleiros atingidos pelos EUA.

Washington afirmou que suas ações militares foram uma resposta a ataques iranianos na região do estreito, rota considerada estratégica para o comércio global de petróleo.

Irã mantém proposta americana “sob análise”

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, afirmou que Teerã não está levando em consideração os “prazos” impostos pelos EUA e declarou que a proposta americana segue “sob análise”.

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Segundo Washington, o plano prevê a ampliação da trégua no Golfo e negociações para encerrar definitivamente o conflito iniciado há dez semanas após ataques conjuntos de EUA e Israel contra território iraniano.

Na sexta-feira, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, voltou a afirmar que considera “inaceitável” que o Irã controle o Estreito de Ormuz, principal rota petrolífera da região.

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Mancha de óleo e crise no petróleo

Imagens de satélite também mostraram o avanço de uma mancha de óleo próxima à ilha iraniana de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo do país.

Segundo a empresa de monitoramento Orbital EOS, a área afetada supera 52 quilômetros quadrados.

Ainda não há confirmação sobre a origem do vazamento.

A ilha de Kharg é considerada peça central da indústria petrolífera iraniana e um dos pilares da economia do país.

Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, o Irã restringiu fortemente a circulação no Estreito de Ormuz, provocando turbulência nos mercados internacionais e forte alta nos preços do petróleo.

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Posteriormente, os EUA responderam impondo bloqueio aos portos iranianos.

Arábia Saudita recusou apoio militar aos EUA

No domingo, Trump chegou a anunciar uma operação naval para reabrir a rota comercial no estreito, mas abandonou o plano dois dias depois para priorizar as negociações diplomáticas.

Segundo fontes sauditas ouvidas pela AFP, a Arábia Saudita recusou autorizar o uso de bases militares e do espaço aéreo do país para a operação planejada pelos EUA.

Uma das fontes afirmou que Riad avaliou que a ação “apenas ampliaria a escalada da crise”.

Líbano também enfrenta agravamento da crise

O aumento das tensões regionais também atingiu o Líbano.

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O grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, lançou mísseis e drones contra bases militares em Israel em resposta a ataques recentes contra Beirute e operações israelenses no sul do território libanês.

Autoridades locais afirmaram que os bombardeios deixaram 11 mortos na sexta-feira.

Os confrontos ocorrem às vésperas de negociações diretas entre Líbano e Israel, previstas para ocorrer na próxima semana em Washington, iniciativa rejeitada pelo Hezbollah.

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