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Guerra no Oriente Médio mantém preços de fertilizantes 53% acima do pré-conflito e trava o agro brasileiro
Publicado 12/05/2026 • 14:14 | Atualizado há 4 horas
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Publicado 12/05/2026 • 14:14 | Atualizado há 4 horas
KEY POINTS
Foto: Unsplash
Estreito de Ormuz O mercado teme que o conflito possa afetar rotas estratégicas de transporte, como o próprio Estreito de Ormuz, ou até mesmo reduzir a oferta global.
Pela terceira semana consecutiva, os preços dos fertilizantes nitrogenados recuam no mercado internacional. No acumulado das últimas três semanas, a queda da Ureia chega a 8% no Brasil. Nitrato de amônio e sulfato de amônio também registraram reduções no período. Mesmo assim, o alívio não é suficiente para retomar as negociações, já que desde o início do conflito no Oriente Médio, as cotações seguem cerca de 53% acima dos níveis observados antes da guerra.
A avaliação é de Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, que acompanha o comportamento dos mercados de fertilizantes no Brasil e no exterior.
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O enfraquecimento recente das cotações reflete uma demanda global mais fraca, que tem reduzido o suporte às cotações. Mas a perda de fôlego dos preços não foi suficiente para movimentar o mercado.
“As relações de troca entre a ureia e as principais commodities agrícolas seguem nos piores patamares dos últimos anos, o que desestimula novas compras”, afirma Pernías, segundo análise divulgada pela StoneX. Para os produtores de milho, por exemplo, são necessárias cerca de 60 sacas do cereal para adquirir uma tonelada do insumo, um dos piores níveis registrados recentemente.
Do lado dos distribuidores, a cautela também prevalece. Com receio de novas quedas que possam desvalorizar os estoques já adquiridos, o setor evita fechar novos negócios enquanto a tendência de preços não se estabiliza.
O quadro estrutural do mercado global de fertilizantes não mudou de forma significativa. Os constrangimentos logísticos associados ao fechamento do Estreito de Ormuz persistem, e a oferta de nitrogenados segue reduzida.
O relatório trimestral da StoneX já havia alertado para esse cenário. Segundo a consultoria, a combinação entre redução temporária da produção em países do Golfo, entraves no Estreito de Ormuz e a escalada de preços observada após as tensões militares reduziu de forma expressiva a probabilidade de o segundo trimestre se consolidar como uma janela favorável para compras, como costuma ocorrer historicamente neste período do ano.
Fretes marítimos mais caros, seguros elevados e a persistência do risco geopolítico seguem pressionando os custos ao longo de toda a cadeia.
O impacto do conflito vai além dos nitrogenados. Dados do Agro Mensal do Itaú BBA, divulgado em 22 de abril, mostram que os fosfatados também sentiram o choque: o MAP atingiu aproximadamente USD 890 por tonelada CFR no mercado brasileiro, com alta de cerca de 7% no período, pressionado tanto pela restrição de oferta na região do conflito quanto pela disparada do enxofre, insumo essencial na produção de ácido sulfúrico, que acumula elevação expressiva desde fevereiro.
Já o mercado de potássicos apresenta maior estabilidade relativa. Com Rússia e Belarus mantendo participação relevante no comércio global, a oferta segue mais equilibrada. Ainda assim, o aumento dos custos logísticos e a persistência do risco geopolítico também pressionam esse segmento, segundo o Itaú BBA. Para os próximos meses, a expectativa é de avanço gradual da demanda, com preços sustentados em patamares firmes, porém com menor volatilidade do que nos nitrogenados e fosfatados.
No mercado brasileiro, os compradores permanecem afastados das negociações de fertilizantes nitrogenados. Pernías aponta dois fatores combinados: o país atravessa um período de baixa sazonalidade de compras, e os preços ainda elevados não oferecem atratividade para antecipar aquisições.
“Os níveis elevados de preços continuam afastando o interesse dos compradores, que neste momento não enxergam vantagens em antecipar aquisições”, disse o analista.
A situação financeira dos produtores reforça essa postura. Levantamento do Farm Bureau nos Estados Unidos, realizado entre 3 e 11 de abril com mais de 5.700 agricultores, mostrou que cerca de 70% não têm capacidade financeira para adquirir todo o volume necessário de fertilizantes para a safra.
Além disso, 94% relataram que sua situação financeira piorou ou permaneceu inalterada em relação ao ano anterior. O cenário brasileiro guarda semelhanças com esse quadro, dado o nível de pressão sobre as margens agrícolas.
O adiamento das compras tem um limite imposto pelo calendário. A principal janela de aquisição de fertilizantes no Brasil ocorre no segundo semestre, antes da safra de verão. À medida que os meses avançam, os produtores terão cada vez menos espaço para postergar decisões, mesmo que os preços sigam pouco atrativos.
“Em algum momento, o produtor terá que tomar uma decisão. Seja aceitando preços mais elevados, seja ajustando o pacote tecnológico, o que pode trazer reflexos na produtividade. Os próximos desdobramentos do conflito serão determinantes para o comportamento da demanda no Brasil”, conclui Pernías.
Segundo a consultoria, embora a reabertura parcial do Estreito de Ormuz represente um alívio pontual, a normalização ampla do mercado tende a ser lenta, mantendo o setor agrícola brasileiro sob pressão ao longo de 2026.
🔍 Estreito de Ormuz é a passagem marítima entre o Irã e a Península Arábica, por onde transita 20% do comércio global de petróleo, gás natural e insumos agrícolas, incluindo fertilizantes nitrogenados dos países do Golfo Pérsico. Restrições à navegação afetam diretamente os preços desses produtos no mercado global.
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