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China ganha força enquanto cessar-fogo entre EUA e Irã segue “frágil e instável”, diz professor
Publicado 12/05/2026 • 15:20 | Atualizado há 35 minutos
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Publicado 12/05/2026 • 15:20 | Atualizado há 35 minutos
KEY POINTS
A escalada das tensões entre EUA e Irã acabou fortalecendo a posição da China no cenário geopolítico global, ao ampliar a dependência iraniana de apoio diplomático e econômico chinês. Para Alexandre Coelho, professor e coordenador do curso de pós-graduação em Política e Relações Internacionais da FESPSP, Pequim emerge como principal beneficiada no atual estágio do conflito.
O professor concedeu entrevista nesta terça-feira (12) ao Real Time, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. “Se pudéssemos tirar uma foto hoje sobre o vencedor desse conflito, não seriam os EUA, nem o Irã, nem a Rússia, mas a China”, afirmou ao analisar o atual impasse diplomático envolvendo o cessar-fogo defendido pelo presidente Donald Trump.
Segundo ele, o governo chinês ampliou sua capacidade de influência tanto sobre o Irã quanto sobre países estratégicos da região, incluindo o Pakistan, que atua como mediador nas negociações e mantém forte dependência financeira de Pequim. “A China tem controle sobre o Irã e sobre o Paquistão, que está mediando a situação e depende de financiamentos chineses”, ressaltou.
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O professor avalia ainda que a guerra pode acelerar investimentos chineses em matrizes energéticas alternativas, reduzindo dependência futura do petróleo do Oriente Médio. “No médio e longo prazo, podemos ver um crescimento chinês na área de matrizes energéticas mais limpas, forçadas por esse conflito no Irã”, observou.
Na avaliação de Alexandre Coelho, o cessar-fogo mencionado por Donald Trump permanece extremamente frágil e depende diretamente das negociações entre Washington e Pequim. “Pode estar por um fio, mas acredito mais que seja uma retórica, pelo menos até o encontro entre Xi Jinping e Donald Trump”, afirmou.
Segundo ele, o conflito entrou em uma espécie de “zona intermediária”, marcada por ameaças mútuas, ataques pontuais e demonstrações de força sem avanço para uma guerra aberta. “Vamos manter retóricas inflamadas de parte a parte e algumas escaramuças, mas nada que cause vítimas fatais”, explicou.
O especialista alertou, porém, que o cenário segue altamente instável e sujeito a deterioração rápida diante de qualquer incidente militar de maior gravidade. “Qualquer erro de cálculo aqui seria o estopim para a volta do conflito”, destacou.
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Para o professor da FESPSP, o presidente americano chega enfraquecido politicamente às negociações com o líder chinês em razão da dificuldade de encerrar o conflito com o Irã.
Segundo ele, Trump pretendia chegar ao encontro com a crise resolvida, mas acabou sendo pressionado pela resistência iraniana e pelo impasse diplomático envolvendo o programa nuclear de Teerã. “O Irã não iria ceder agora porque queria que Donald Trump chegasse a essa reunião com esse problema na mão”, afirmou.
Na avaliação de Alexandre Coelho, o governo chinês aproveitará esse cenário para ampliar poder de barganha nas negociações comerciais e estratégicas com os EUA. “A China, com certeza, pressiona o Irã, mas não a qualquer custo. A China pedirá coisas em troca, como questões tarifárias e acesso a terras e minerais críticos”, ressaltou.
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Segundo ele, o conflito acabou se transformando em instrumento de negociação favorável aos interesses chineses. “O acordo e a guerra iraniana viraram moeda de troca a favor da China”, pontuou.
O principal obstáculo para um acordo definitivo continua sendo a exigência dos United States para que o Iran interrompa permanentemente o enriquecimento de urânio, condição considerada inaceitável por Teerã. “O Trump quer que o Irã pare de enriquecer urânio de forma permanente. É exatamente isso que o Irã não quer”, explicou Alexandre Coelho.
Segundo o professor, o governo iraniano tenta inverter a lógica das negociações ao priorizar o desbloqueio do Strait of Hormuz antes de discutir limitações ao programa nuclear. “O Irã propõe resolver a questão do bloqueio primeiro e deixar a questão nuclear para depois”, observou.
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Na avaliação do especialista, as exigências consideradas maximalistas dos dois lados tornam improvável um acordo permanente no curto prazo. “Não consigo ver no curto prazo nada que facilite um acordo permanente, mas sim esse cessar-fogo frágil e instável”, concluiu.
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