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Por André Amadeus
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Publicado 10/04/2026 • 13:36 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Foto: Freepik
Brent
Mesmo com o cessar-fogo anunciado entre Estados Unidos e Irã após mais de 40 dias de guerra no Oriente Médio, os termos acordados não parecem surtir efeito como esperado. A confirmação tinha a condição da reabertura imediata do Estreito de Ormuz, além da livre passagem dos navios cargueiros para rota marítima.
Mas isso não está acontecendo como deveria. Além do baixo fluxo na região, as forças armadas do Irã estão cobrando pedágios em criptomoedas e realizando vistorias nas embarcações.
Essas ações iranianas estão sendo enquadradas como ações militares. Essa movimentação segue atrasando a retomada do fluxo e, consequentemente, aumentando o tempo necessário para normalizar os preços energéticos mundialmente.
“A reabertura levará semanas e meses”, acrescentou Usha Haley, titular da Cátedra W. Frank Barton de Negócios Internacionais da Universidade Estadual de Wichita.
“A reabertura será controversa… O GNL [gás natural liquefeito] levará meses para se reequilibrar devido aos impactos na infraestrutura, e pode levar de três a seis meses para se normalizar, se tudo o mais permanecer normal. E não está.”
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Embora represente uma pausa nos bombardeios, a trégua entre os países não deve resultar em uma queda imediata nos preços do petróleo e do gás. Isso porque o mercado ainda enfrenta forte instabilidade no reabastecimento, como citado na situação atual do Estreito de Ormuz.
Na prática, a possível liberação da rota marítima seria a responsável por aliviar a crise energética e iniciar o processo de normalização dos preços. Entretanto, as ações iranianas no local atrasam essa recuperação, que pode levar meses para acontecer, de acordo com análise do portal de notícias Al Jazeera.
Conforme já citado, o Estreito de Ormuz seguirá recebendo a atenção mundial até que os preços do petróleo retornem à sua normalidade. Mesmo não sendo a única, a via é atualmente a mais importante para o reabastecimento de petróleo e outros materiais essenciais.
Em 2024, a rota foi responsável pelo envio de 20% do consumo global. Durante o conflito, o Irã bloqueou o fluxo nessa rota, que deu início a uma crise energética mundial. Apesar de já estar liberado, em tese, o fluxo na região segue muito abaixo do esperado, e grande parte das embarcações que utilizam a rota possui ligação direta com o Irã.
Por ora, “um excesso de risco elevado no fornecimento de petróleo proveniente do Golfo significa que os preços do petróleo permanecerão mais altos do que antes do início do ataque”, disse Rachel Ziemba, pesquisadora sênior adjunta do Centro para uma Nova Segurança Americana.

Leia também: “É melhor que não estejam”, ameaça Trump sobre possível cobrança de taxas do Irã a petroleiros em Ormuz
Analistas ouvidos pelo Al Jazeera apontam que a normalização do mercado energético depende de fatores complexos que vão além do cessar-fogo firmado.
Entre os fatores necessários, negociações entre grandes potências globais, como Estados Unidos, China e Rússia, além de países da região do Golfo, são essenciais para garantir a queda no preço.
Vale destacar que, apesar da necessidade de cooperação, os três países mantêm um histórico de tensões, frequentemente marcado por sanções, muitas delas impostas pelos Estados Unidos. Os americanos já restringiram a venda de petróleo russo como forma de enfraquecer a economia do país após a invasão na Ucrânia. A China também é alvo recorrente de tarifas e medidas comerciais semelhantes.
Com isso, as frequentes tensões e possíveis novas instabilidades, como já ocorre no Estreito de Ormuz, tornam difícil uma previsão de quanto tempo irá demorar para normalizar a situação envolvendo o petróleo. Entretanto, mesmo com o cessar-fogo em vigor, essa previsão não deve ser otimista, visto que ainda existem impasses na região.
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