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Conflito no Oriente Médio

Pressão de Trump contra Omã coloca a “Suíça do Oriente Médio” no centro das atenções

Publicado 29/05/2026 • 07:03 | Atualizado há 2 meses

KEY POINTS

  • O governo Trump ameaçou impor sanções e até adotar ações militares contra Omã, aliado histórico dos Estados Unidos e parceiro próximo nas áreas de segurança e economia.
  • O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou nesta quinta-feira que Washington aplicará sanções de forma “agressiva” contra Omã caso o país ajude o Irã a criar um sistema de cobrança no Estreito de Ormuz.
  • “Omã vai se comportar como todo mundo, ou teremos que explodi-los. Eles entendem isso. Vai ficar tudo bem”, declarou Trump na quarta-feira.
Trump

Foto: Divulgação

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As ameaças do governo Trump contra Omã, um aliado histórico dos Estados Unidos, colocaram o país, conhecido por cultivar a reputação de “Suíça do Oriente Médio”, no centro do cenário geopolítico.

Localizado na costa sudeste da Península Arábica e voltado para o Irã através do estrategicamente importante Estreito de Ormuz, Omã atua há anos como intermediário-chave em crises regionais, incluindo a guerra liderada por Estados Unidos e Israel contra o Irã.

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O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou nesta quinta-feira que os Estados Unidos imporão sanções de forma “agressiva” contra Omã caso o país ajude o Irã a estabelecer um sistema de cobrança no Estreito de Ormuz, rota marítima responsável normalmente por cerca de 20% do tráfego global de petróleo.

“Omã, em particular, deve saber que o Tesouro dos EUA irá mirar agressivamente quaisquer agentes envolvidos, direta ou indiretamente, em facilitar cobranças no estreito, e quaisquer parceiros dispostos a cooperar serão penalizados”, escreveu Bessent em uma publicação no X.

“Todas as nações devem rejeitar completamente qualquer tentativa do Irã de interromper o livre fluxo do comércio.”

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As declarações ocorreram menos de 24 horas depois de o presidente Donald Trump aparentemente ameaçar uma ação militar contra o parceiro do Golfo.

Questionado por um repórter durante uma reunião de gabinete sobre sua visão a respeito de Omã e Irã supervisionarem o comércio pelo Estreito de Ormuz, Trump respondeu: “Omã vai se comportar como todo mundo, ou teremos que explodi-los. Eles entendem isso. Vai ficar tudo bem.”

A CNBC entrou em contato com um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Omã e aguarda resposta. O Irã já indicou anteriormente que poderia administrar conjuntamente o Estreito de Ormuz ao lado de Omã, embora Mascate não tenha declarado que busca controlar um dos gargalos petrolíferos mais importantes do mundo.

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Analistas geopolíticos afirmam que as ameaças dos EUA contra Omã, um parceiro próximo em termos econômicos e de segurança, representam uma mudança de postura altamente incomum.

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Brian Katulis, pesquisador sênior do Middle East Institute, centro de estudos sediado em Washington, afirmou que Omã desempenha um papel importante no Estreito de Ormuz devido à sua posição geográfica, já que o país possui território no lado ocidental da via marítima. Segundo ele, Omã mantém há muito tempo uma política de preservação do fluxo livre de petróleo e outras mercadorias.

“O país também se vê como a ‘Suíça’ do Oriente Médio — um mediador que conversa com todas as partes e busca manter relações positivas com todos os países”, disse Katulis à CNBC por e-mail.

“As ameaças de Trump contra Omã são um sinal de sua frustração e de seu desespero diante da própria incapacidade de produzir os resultados que esperava em relação ao Irã”, afirmou Katulis. “É mais um exemplo de sua diplomacia performática e do uso de provocação política que provavelmente não passará de palavras.”

Alerta de Trump sobre Omã

Mehran Haghirian, diretor de pesquisa e programas da Bourse & Bazaar Foundation, um centro de estudos econômicos, afirmou que o alerta de Trump contra Omã marcou a primeira vez que os Estados Unidos ameaçaram atacar um país do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC, na sigla em inglês).

“Isso ocorreu em resposta a uma pergunta sobre relatos recentes sugerindo que Irã e Omã estariam desenvolvendo um novo mecanismo para o Estreito de Ormuz, não envolvendo pedágios, mas um ‘controle’ compartilhado. Controle é algo que Irã e Omã manterão para sempre por razões geográficas”, escreveu Haghirian nas redes sociais na quarta-feira.

“O que ele disse provavelmente não foi deliberado e decorre de seu desprezo pelo chanceler omanense por causa da mediação conduzida por Al Busaidi em fevereiro. Independentemente disso, será necessário que o GCC divulgue declarações condenando as palavras de Trump”, acrescentou.

O senador Chris Murphy, democrata de Connecticut, criticou duramente os comentários do presidente sobre Omã.

“A ameaça de ‘explodir’ Omã, um aliado dos EUA e intermediário-chave nas negociações com o Irã, é mais um sinal de como esta guerra saiu dos trilhos. Eles estão em constante modo de pânico, cometendo erro após erro”, escreveu Murphy em publicação nas redes sociais na quinta-feira.

Um porta-voz da Casa Branca não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário.

Estados Unidos e Irã chegaram a um acordo para estender o cessar-fogo e suspender restrições à navegação pelo Estreito de Ormuz, informou a Reuters nesta quinta-feira, citando fontes não identificadas familiarizadas com o assunto. No entanto, Trump ainda não aprovou o acordo, e a imprensa estatal iraniana afirmou que ele ainda não foi finalizado.

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