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O que se sabe sobre o plano de 10 pontos apresentado pelo Irã aos EUA para avançar à paz
Publicado 08/04/2026 • 08:39 | Atualizado há 2 meses
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KEY POINTS
Irã revela plano de 10 pontos com exigências a Trump: fim de sanções, controle de Ormuz e direito ao enriquecimento de urânio
O Irã divulgou nesta quarta-feira (8) os termos do acordo de cessar-fogo apresentado aos Estados Unidos, marcando uma inflexão diplomática após 40 dias de conflito no Oriente Médio. A proposta, com dez pontos, exige que Washington aceite o programa de enriquecimento de urânio iraniano e o levantamento de todas as sanções contra o país.
Em comunicado divulgado pela agência de notícias estatal iraniana Fars News, Teerã indicou que pedirá, entre outras condições, “o controle iraniano contínuo sobre o Estreito de Ormuz, a aceitação do enriquecimento e o levantamento de todas as sanções primárias e secundárias”.
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O presidente americano Donald Trump confirmou, em entrevista à AFP na terça-feira (7), que o urânio iraniano fez parte das negociações. “Isso estará perfeitamente controlado, ou eu não teria fechado um acordo”, declarou.
Segundo comunicado do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, divulgado pela mídia estatal iraniana, os termos apresentados a Washington são:
Trump afirmou que a proposta oferece uma “base viável para negociação”.
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Os pontos sobre levantamento de sanções, liberação de ativos congelados e indenizações por danos de guerra formam o núcleo econômico da proposta iraniana. Estima-se que bilhões de dólares em recursos do Irã estejam bloqueados em instituições financeiras internacionais, principalmente nos Estados Unidos. A reconstrução das infraestruturas atingidas nos 40 dias de conflito representa um custo adicional que Teerã busca transferir aos adversários.
O ponto nuclear reafirma o compromisso iraniano de não desenvolver armas atômicas, posição que Teerã já defendia publicamente. A formulação distingue entre programa nuclear civil, considerado permitido, e militar, proibido pelo Tratado de Não Proliferação.
Há uma contradição aberta entre as partes. A mídia estatal iraniana afirma que os EUA teriam aceitado o enriquecimento de urânio no Irã, enquanto Washington sustenta posição oposta e diz não querer nenhum enriquecimento realizado em território iraniano.
Um dos pontos mais sensíveis do acordo é o reconhecimento implícito do papel do Irã na gestão do Estreito de Ormuz. O texto estabelece que a passagem de navios será feita “em coordenação com as forças iranianas e levando em consideração as limitações técnicas”, conferindo a Teerã capacidade de fiscalização operacional sobre a rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
As conversas para operacionalizar o acordo ocorrerão em Islamabad, capital do Paquistão, na sexta-feira (10), sob mediação paquistanesa. O primeiro-ministro Shehbaz Sharif, que conduziu as negociações, convidou as delegações dos países envolvidos para dar continuidade às tratativas em direção a um acordo conclusivo.
O prazo inicial do cessar-fogo é de duas semanas, prorrogável por mútuo acordo. Para analistas, o acordo representa mais uma pausa tática do que solução definitiva. A implementação dos dez pontos exigirá mecanismos de verificação, cronogramas claros e confiança mínima entre as partes, elemento escasso após décadas de hostilidade entre Washington e Teerã.
O Irã classificou o acordo como “vitória histórica” e “derrota inegável” do inimigo, atribuindo o resultado à “bravura dos combatentes” e à “presença do povo iraniano”. A narrativa oficial busca reforçar internamente a percepção de que a resistência forçou concessões de Washington.
Israel permanece em posição ambígua. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que o país “apoia a decisão do presidente Trump”, mas deixou claro que o cessar-fogo “não inclui o Líbano”, onde Israel mantém tropas em operação contra o Hezbollah. Não houve confirmação oficial israelense de adesão ao acordo.
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