CNBC

CNBCDow Jones cai mais de 570 pontos com a disparada do petróleo e Trump ameaçando outro ataque ao Irã

Conflito no Oriente Médio

Petróleo pode manter juros elevados por mais tempo?

Publicado 08/07/2026 • 11:16 | Atualizado há 4 horas

KEY POINTS

  • Nova alta do petróleo amplia riscos para a inflação global e reforça cautela dos bancos centrais sobre cortes de juros.
  • Mercado ainda evita reação mais intensa por acreditar que a retomada das tensões pode não evoluir para um conflito prolongado.
  • Persistência da instabilidade no Oriente Médio pode acelerar impactos sobre estoques, energia e atividade econômica.

A retomada das tensões entre Estados Unidos e Irã voltou a pressionar o mercado de petróleo, mas os investidores ainda tratam o movimento com cautela diante da expectativa de que o conflito não se transforme em uma escalada prolongada, afirmou nesta quarta-feira (8)  Luccas Saqueto, economista da GO Associados, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Segundo ele, a principal preocupação agora é o efeito da alta da commodity sobre a inflação e, consequentemente, sobre a trajetória dos juros ao redor do mundo.

“O mercado olha com atenção e bastante preocupação para esse anúncio, mas também com cautela, na expectativa de que seja mais uma daquelas declarações do Donald Trump e que não haja uma nova escalada do conflito no Oriente Médio”, afirmou Luccas Saqueto.

O economista lembrou que, no auge da crise anterior, o barril de petróleo chegou a superar US$ 120 (R$ 625,20), enquanto, desta vez, os preços avançaram para perto de US$ 76 (R$ 397,48), sem repetir a mesma intensidade observada meses atrás. Para ele, essa reação mais moderada reflete a percepção de que o mercado passou a conviver com maior volatilidade nas declarações envolvendo a política externa norte-americana.

Leia também: Petróleo salta 6% após fim da trégua entre EUA e Irã e novos ataques no Estreito de Ormuz

Risco para o petróleo

Na avaliação de Saqueto, o principal fator a ser acompanhado nas próximas semanas é a possibilidade de um novo fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo produzido no mundo.

“O principal ponto é saber se realmente vai haver uma escalada no conflito ou se Estados Unidos e Irã voltarão à mesa de negociação para buscar um acordo definitivo”, destacou.

Segundo ele, mesmo que haja um entendimento entre os países, a normalização da produção e da logística do petróleo não ocorre de forma imediata. “Restabelecer a produção e o fluxo de petróleo leva tempo. Quanto mais esse conflito se prolongar, pior será tanto para o setor quanto para a economia mundial”, explicou.

Leia também: Tensão entre EUA e Irã divide bolsas asiáticas e faz petróleo disparar

O economista lembrou ainda que, durante o período mais crítico das restrições no estreito, diversos segmentos enfrentaram dificuldades de abastecimento. Entre eles, citou o setor aéreo europeu, que chegou a trabalhar com risco de interrupção de operações por falta de combustível.

Estoques ainda preocupam

Outro fator de atenção, segundo Saqueto, é que os estoques globais ainda não foram totalmente recompostos após os meses de conflito.

Times Brasil - CNBC

Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.

Siga o Times | CNBC

Embora a situação seja menos crítica do que no auge da guerra, ele afirma que uma nova interrupção no fluxo da região poderia provocar escassez mais rapidamente desta vez.

“Os estoques vinham sendo recompostos, mas, se houver um novo fechamento completo do Estreito de Ormuz, poderemos ver novamente setores praticamente paralisados pela falta de combustível e pela alta dos preços”, afirmou.

Leia também: Por que os EUA voltaram a impor restrições ao petróleo do Irã? Entenda a decisão

Além do impacto direto sobre o mercado de energia, o economista ressaltou que combustíveis mais caros pressionam cadeias produtivas inteiras, elevando custos de transporte, produção industrial e geração de energia.

Juros sob pressão

Para Luccas Saqueto, um dos reflexos mais imediatos já aparece no mercado de títulos públicos, especialmente nos papéis de 10 anos dos Estados Unidos, considerados referência para as expectativas econômicas globais.

Segundo ele, a venda desses títulos e a alta dos rendimentos mostram que investidores passaram a exigir maior prêmio diante do risco de inflação persistente.

“O mercado sinaliza uma possibilidade maior de inflação no médio e no longo prazo. Com isso, cresce também a expectativa de juros mais altos por um período maior”, afirmou.

Leia também: DoE reduz projeções para o brent após alívio no Oriente Médio e prevê petróleo mais barato

Na avaliação do economista, esse cenário também pode afetar o Brasil. Ele observa que, diante do aumento das incertezas, o espaço para novos cortes da taxa básica de juros pode diminuir.

“A expectativa já era de apenas um corte de 0,25 ponto percentual até o fim do ano. Com esse ambiente de incerteza, esse corte pode nem acontecer. O mercado reage aumentando o prêmio de risco, e isso já aparece claramente no mercado de títulos”, concluiu.

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:


🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Conflito no Oriente Médio