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Conflito no Oriente Médio

Trump diz não ter certeza se ainda quer acordo com Irã à medida que tensão no Estreito de Ormuz se intensifica

Publicado 08/07/2026 • 17:04 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • O presidente Donald Trump afirmou que talvez não tenha mais interesse em tentar chegar a um acordo com o Irã.
  • Trump declarou anteriormente que o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã havia "acabado" diante da retomada das hostilidades no Estreito de Ormuz.
  • O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã acusou os Estados Unidos de violarem o acordo.

Foto: White House

O presidente Donald Trump afirmou nesta quarta-feira (8) que talvez não tenha mais interesse em tentar chegar a um acordo com o Irã, horas depois de declarar que o recente acordo de cessar-fogo entre os dois países estava “acabado”, diante da retomada das hostilidades no Estreito de Ormuz.

“Não tenho certeza se quero fazer um acordo com eles”, disse Trump sobre Teerã durante uma coletiva de imprensa em Ancara, na Turquia, para onde viajou a fim de participar de uma cúpula da aliança militar da Otan.

“Podemos fazer jogos, mas não tenho certeza se quero fazer um acordo”, afirmou Trump, acrescentando: “Vamos simplesmente terminar o trabalho.”

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O presidente foi questionado sobre por que passou a adotar uma postura tão negativa em relação aos líderes iranianos — recentemente chamando-os de “escória” e “pessoas doentes” — quando, apenas um mês antes, os havia descrito como “inteligentes”, “muito racionais” e “agradáveis de negociar”.

“Passei a conhecê-los”, respondeu Trump.

Ele acrescentou que ainda acredita que eles sejam mais racionais do que líderes anteriores que os Estados Unidos mataram no início da guerra, iniciada em 28 de fevereiro.

“Mas, com base nas ações deles na última semana ou nas últimas duas semanas, eles não estão prestando um serviço ao povo. E, mais do que qualquer outra coisa, eu passei a conhecê-los”, afirmou.

Retomada das hostilidades

Mais cedo nesta quarta-feira, Trump afirmou que o cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã havia “acabado” após o mais recente surto de violência no Oriente Médio.

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Na terça-feira, Teerã atacou três embarcações comerciais no Estreito de Ormuz ou em suas proximidades, segundo o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) e o Joint Maritime Information Center, grupo naval liderado pelos Estados Unidos.

Após esses ataques, os Estados Unidos revogaram a isenção de sanções sobre as vendas de petróleo iraniano, medida que fazia parte do acordo temporário de cessar-fogo firmado entre os dois países no mês passado.

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Em seguida, os Estados Unidos informaram ter lançado dezenas de ataques de retaliação contra infraestrutura militar iraniana e pequenas embarcações.

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O estreito, uma das principais rotas do comércio mundial de petróleo, tornou-se o principal foco de tensão durante a guerra. A capacidade do Irã de bloquear a via marítima — além da intenção de cobrar pedágios das embarcações que desejam atravessá-la — deu ao país uma importante vantagem para enfrentar o poderio militar americano. Em resposta, Trump determinou um bloqueio naval aos portos iranianos na região.

Como parte do acordo, os Estados Unidos concordaram em suspender esse bloqueio, enquanto o Irã se comprometeu a fazer seus “melhores esforços para garantir a passagem segura de embarcações comerciais” na região do Golfo.

Acusações de violação do acordo

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, afirmou em publicação na rede X, nesta quarta-feira à tarde, que os Estados Unidos violaram essa cláusula do acordo. Segundo ele, o texto “enfatiza” que cabe ao Irã “determinar os arranjos” para a passagem de navios pelo estreito.

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Os Estados Unidos, escreveu Baqaei, “desafiaram essa cláusula e, na prática, violaram a estrutura do acordo por meio de suas ações unilaterais e também de ataques agressivos contra o Irã”.

“A República Islâmica do Irã perseguirá com firmeza a proteção de seus interesses nacionais e o exercício de sua soberania”, acrescentou.

Trump voltou a afirmar nesta quarta-feira: “Não quero mais negociar com eles.” Segundo o presidente, tentar chegar a um entendimento com a República Islâmica tornou-se “uma perda de tempo”.

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“No que me diz respeito, acabou”, declarou Trump sobre o cessar-fogo.

Mais tarde, ele prometeu que os Estados Unidos realizariam novas ações militares “esta noite”. No entanto, em seguida, suavizou a ameaça durante a coletiva de imprensa, afirmando que “talvez” ordene esses ataques.

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