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Negociações entre EUA e Irã seguem sem acordo direto e apontam para processo gradual de estabilização no Oriente Médio
Publicado 30/06/2026 • 12:50 | Atualizado há 60 minutos
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Publicado 30/06/2026 • 12:50 | Atualizado há 60 minutos
KEY POINTS
A retomada dos contatos entre representantes dos Estados Unidos e do Irã, mediada pelo Catar, indica a continuidade das negociações para consolidar o cessar-fogo, mas ainda sem perspectiva de um acordo definitivo, afirmou Roberto Uebel, professor do curso de Relações Internacionais da ESPM. Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC nesta terça-feira (30), ele disse que a ausência de reuniões diretas entre autoridades dos dois países demonstra que o processo continuará sendo construído gradualmente.
“Um cessar-fogo e uma eventual negociação de paz são processos que serão construídos a longo prazo. A costura desses acordos é muito sensível à temperatura política nos Estados Unidos e aos interesses do Irã. O acordo só ocorrerá quando ambos encontrarem um denominador comum positivo e conciliarem também o vetor externo chamado Israel”, afirmou.
Para o especialista, tanto Washington quanto Teerã utilizam o tempo como instrumento estratégico, enquanto buscam fortalecer suas posições políticas e diplomáticas antes de um entendimento definitivo.
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Segundo Uebel, os movimentos dos dois governos também atendem a objetivos domésticos.
Ele explicou que o envio de representantes americanos sinaliza ao mercado e ao eleitorado que a administração dos Estados Unidos segue empenhada em reduzir tensões geopolíticas e controlar impactos econômicos, especialmente sobre a inflação.
“Existem duas lentes para analisar essa guerra. Uma é técnica, ligada à logística e à economia, onde há avanços importantes. A outra é política, em que os governos enviam sinais ao mercado e também falam para suas populações”, destacou.
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Na avaliação do professor, o posicionamento oficial do Irã, negando encontros diretos com representantes americanos, também faz parte dessa estratégia de comunicação voltada ao público interno.
Além da manutenção do cessar-fogo, Uebel afirmou que temas estruturais permanecem no centro das negociações.
Entre eles estão o programa nuclear iraniano, o desbloqueio de cerca de US$ 300 bilhões (R$ 1,56 trilhão) em ativos do país e a reconstrução da infraestrutura destruída durante o conflito.
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“Há uma demanda do Irã para que Estados Unidos e União Europeia se comprometam com a reconstrução do país. O mercado já observa essas futuras oportunidades de investimento no pós-guerra, assim como ocorreu nas discussões sobre a Ucrânia”, explicou.
Para o especialista, o Estreito de Ormuz continua sendo o principal ativo estratégico do governo iraniano durante as negociações.
Segundo ele, o controle da região permite ao Irã exercer pressão sobre o fluxo internacional de petróleo, afetando diretamente grandes importadores, como a China.
“Entendo que o Estreito de Ormuz é o maior elemento de barganha do governo iraniano. O controle daquela rota compromete a exportação de petróleo e aumenta a pressão internacional por uma solução rápida”, afirmou.
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Na avaliação de Uebel, mesmo que as negociações avancem, o mercado de petróleo dificilmente registrará uma queda acentuada no curto prazo.
“O mercado já precificou boa parte desse risco. Para uma queda mais forte seria necessário recuperar os níveis de produção e escoamento anteriores ao conflito, algo que pode levar semestres ou até anos”, disse.
O professor também destacou o papel desempenhado pelo Catar, pelos Emirados Árabes Unidos, pelo Kuwait e pelo Paquistão como mediadores das conversas.
“Esses países foram diretamente afetados pela guerra e têm interesse no fim do conflito. Além disso, conseguem dialogar tanto com o Irã quanto com os Estados Unidos, o que amplia suas condições de mediação”, concluiu.
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