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Conflito no Oriente Médio

Negociações entre EUA e Irã ampliam peso geopolítico de Teerã e mantêm mercado atento ao petróleo

Publicado 30/06/2026 • 16:30 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Cessar-fogo reforça espaço de negociação do Irã em temas como petróleo, ativos congelados e programa nuclear.
  • Reinserção do petróleo iraniano no mercado pode ampliar a oferta global e contribuir para a estabilidade dos preços.
  • Conflitos envolvendo Israel e grupos aliados do Irã continuam como um dos principais riscos para um acordo duradouro.

As negociações entre Estados Unidos e Irã ampliaram o protagonismo de Teerã no cenário internacional e consolidaram o Estreito de Ormuz como um dos principais instrumentos de pressão geopolítica da região, afirmou nesta terça-feira (30) Danilo Porfírio, professor de Direito e Relações Internacionais e pesquisador em política externa norte-americana e do Oriente Médio, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Segundo ele, o cessar-fogo abriu espaço para novas tratativas, mas ainda há obstáculos relevantes para uma solução definitiva.

“Não há dúvida de que os Estados Unidos e Israel subestimaram a força de resistência do Irã. O conflito mostrou que o país tinha muito mais capacidade de reação do que se imaginava e acabou reafirmando sua soberania no cenário internacional”, afirmou.

Na avaliação do pesquisador, embora o Irã tenha perdido influência sobre parte de seus aliados regionais, sua posição nas negociações internacionais foi fortalecida após o conflito.

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Poder de barganha

Porfírio afirmou que o controle sobre o Estreito de Ormuz aumentou o poder de negociação iraniano diante das grandes potências.

Segundo ele, a importância estratégica da rota para o comércio global de petróleo obrigou os Estados Unidos a ampliar os esforços diplomáticos para estabilizar a região.

“Os americanos acabaram cedendo em diversos pontos por causa do impacto econômico da guerra, da inflação e também do calendário eleitoral nos Estados Unidos”, disse.

Reconstrução econômica

O especialista avalia que um eventual desbloqueio de ativos iranianos e a redução das restrições ao setor petrolífero podem abrir uma nova fase para a economia do país.

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“Após 47 anos, o Irã pode deixar de ser um pária global. O desbloqueio desses recursos permitirá captar capital para a reconstrução da infraestrutura do país, enquanto o aumento da oferta de petróleo contribui para estabilizar os preços internacionais”, afirmou.

Segundo Porfírio, o interesse comum pela reconstrução econômica ajuda a sustentar o atual processo de negociação.

Entraves permanecem

Apesar do avanço das conversas, o pesquisador destacou que ainda existem questões capazes de comprometer um acordo mais amplo.

Entre elas estão o futuro do programa nuclear iraniano e a continuidade dos confrontos envolvendo Israel, Hezbollah e outros grupos aliados de Teerã.

“Há pontos muito sensíveis que continuam em aberto. A situação entre Israel e Hezbollah permanece como um foco de tensão, e Israel nem sempre participa diretamente dessas negociações entre Estados Unidos e Irã”, afirmou.

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Cenário ainda instável

Na avaliação de Porfírio, o atual momento representa uma redução das tensões, mas não o encerramento definitivo do conflito.

“O cessar-fogo favorece a estabilização dos mercados e atende aos interesses tanto dos Estados Unidos quanto do Irã. Ainda assim, o cenário permanece delicado e dependerá da evolução das negociações sobre o programa nuclear e da dinâmica dos conflitos na região”, concluiu.

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