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CNBCRali do petróleo é retomado após breve queda; Brent supera US$ 87 por barril

Conflito no Oriente Médio

Petróleo: relação entre tempo e preço é determinante para os mercados diante da guerra no Irã

Publicado 06/03/2026 • 13:03 | Atualizado há 6 horas

KEY POINTS

  • Em meio ao conflito armado entre Irã, EUA e Israel, os mercados temem o efeito em cascata que a prolongação da guerra pode causar. Nesse sentido, exportadores e importadores dos mais variados produtos podem sentir o impacto da alta do preço do petróleo. 
  • Desde que o confronto começou, no dia 28 de fevereiro, o preço do barril de petróleo era de US$ 60 cada, conforme o índice de contratos futuros Brent. Na terça-feira (3), atingiu os US$ 80 e agora, está por volta de US$ 84,50. 
  • Atualmente, o Estreito de Ormuz está fechado para a Europa, Israel e EUA. No entanto, caso a guerra se prolongue e chegue a 4 semanas ou mais – como estipulou o presidente americano, Donald Trump – a oferta de petróleo no mundo pode ser desafiada. 
Preço do barril de petróleo

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Petroleira

Em meio ao conflito armado entre Irã, EUA e Israel, os mercados temem o efeito em cascata que a prolongação da guerra pode causar. Nesse sentido, exportadores e importadores dos mais variados produtos podem sentir o impacto da alta do preço do petróleo

Desde que o confronto começou, no dia 28 de fevereiro, o preço do barril de petróleo era de US$ 60 cada, conforme o índice de contratos futuros Brent. Na terça-feira (3), atingiu os US$ 80 e agora, está por volta de US$ 84,50. 

Atualmente, o Estreito de Ormuz está fechado para a Europa, Israel e EUA. No entanto, caso a guerra se prolongue e chegue a 4 semanas ou mais – como estipulou o presidente americano, Donald Trump – a oferta de petróleo no mundo pode ser desafiada. 

Como explicou Thomas Haugaard, gerente de portfólio da gestora de investimentos Janus Henderson, “até o momento, os mercados estão precificando um prêmio de risco energético, e não uma perda confirmada ou permanente de oferta, mas a situação continua avançando”. 

Bom, mas o que pode acontecer no curto, médio e longo prazo? Veja as hipóteses levantadas pelo gestor. 

Leia também: Bradesco: petróleo a US$ 80 por barril deve impactar crescimento da economia brasileira

O petróleo em diferentes cenários

Enquanto o conflito está no início, o mercado deve se guiar por dois elementos: pelo preço do barril de petróleo e por quanto tempo os valores persistem. 

Por outro lado, “outros indicadores, como a dinâmica inflacionária e uma eventual reprecificação das taxas de juros do Federal Reserve (Fed) dos EUA, são secundários e só se tornam relevantes caso os preços de energia permaneçam elevados por um período prolongado”, detalhou Thomas Haugaard.

Sendo assim, na visão do gerente de portfólio da Janus Henderson, possíveis desfechos para o mercado de energia, diante da guerra entre Irã, EUA e Israel, são:

  • Curto prazo – nesse cenário, “a volatilidade do preço do petróleo é um fator dominante. Historicamente, choques geopolíticos passageiros têm pouco efeito econômico real, e os mercados conseguem absorver picos temporários nos preços da energia. Portanto, a dinâmica de preços no curtíssimo prazo tende a refletir prêmios de risco e posicionamento, e não uma reavaliação fundamental do crescimento”. 
  • Médio prazo – entretanto, se os preços elevados do petróleo persistirem, a diferenciação entre os mercados emergentes se torna mais acentuada. Logo, “os exportadores de petróleo se beneficiam, enquanto os países importadores de energia enfrentam pressão por meio do enfraquecimento das balanças comerciais, do repasse inflacionário e da ampliação dos spreads dos títulos soberanos”. 
  • Longo prazo – já um período prolongado de preços de energia elevados alteraria substancialmente as perspectivas macroeconômicas globais. Na verdade, alimentaria expectativas de inflação alta, reprecificação de políticas dos bancos centrais (incluindo o Fed) e as condições financeiras de forma mais ampla.

Ou seja, o tempo é determinante. Quanto mais longa for a alta da energia, maior será o impacto na macroeconomia. Além disso, ficará mais evidente a diferença de desempenho entre os mercados emergentes.

Leia também: Se conflito fechar Ormuz por mais de 40 dias, faltará petróleo no mundo, diz especialista

Reação dos investidores e do mercado

Entretanto, o conflito entre Irã, EUA e Israel ainda está no início. Logo, ainda há possibilidade de outros fatores influenciarem os mercados. 

De acordo com Thomas Haugaard, a reação dos mercados está relacionada aos riscos de fornecimento de energia e transporte marítimo, e não à escalada geopolítica. 

Sendo assim, os preços do petróleo refletem um prêmio de risco temporário. Ou seja, para o gerente, independentemente de qual for a manchete, as macroeconomias não devem sentir tanto impacto se o conflito não for prolongado. 

Na verdade, “o impacto imediato dependerá de quão rápido os preços do mercado de energia e da logística marítima voltarem ao normal”, explicou Thomas.  “Até agora, a reação dos investidores tem sido relativamente calma, com apenas leve aumento na percepção de risco e pouca corrida para ativos considerados seguros”, avaliou o gerente sobre o cenário atual do petróleo frente à guerra no Irã.

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