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Conflito no Oriente Médio

Reino Unido, França e Canadá vão proibir importações de assentamentos israelenses

Publicado 08/09/2026 • 18:18 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Reino Unido, França e Canadá anunciaram restrições comerciais contra assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada, em resposta à política de expansão na região.
  • A decisão provocou reação imediata de Israel, que determinou o fechamento do consulado britânico em Jerusalém e anunciou medidas contra cidadãos do Reino Unido.
  • Os três países afirmaram que os assentamentos representam uma ameaça à solução de dois Estados, enquanto os EUA decidiram não aderir às novas sanções.

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Reino Unido, França e Canadá anunciaram nesta terça-feira (8) que vão proibir importações provenientes de assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada, ampliando a pressão internacional sobre Israel diante da expansão dessas áreas e do aumento dos relatos de ataques de colonos contra palestinos.

O anúncio foi acompanhado de fortes críticas do governo britânico. O ministro das Relações Exteriores, Ed Miliband, afirmou no Parlamento que o Reino Unido considera que há uma “limpeza étnica” de palestinos em regiões da Cisjordânia, atribuída por ele a colonos.

“O governo britânico concorda que há uma limpeza étnica de palestinos em áreas da Cisjordânia – perpetrada por terroristas colonos”, declarou Miliband.

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Segundo o ministro, o governo israelense tem ignorado esses episódios e integrantes da administração chegaram a apoiar o deslocamento de palestinos. “Com muita frequência, o governo israelense tem fechado os olhos para isso e, pior, membros dele fizeram declarações e tomaram medidas para apoiar o deslocamento forçado de palestinos”, afirmou.

Israel reage e anuncia medidas contra Reino Unido

A resposta israelense veio ainda nesta terça-feira. O governo determinou o fechamento do consulado britânico em Jerusalém e proibiu a entrada no país de 12 cidadãos britânicos, entre eles parlamentares do Partido Trabalhista, que governa o Reino Unido.

Israel também anunciou que expulsará diplomatas britânicos de um centro responsável pelo monitoramento do plano de cessar-fogo em Gaza mediado pelos Estados Unidos. Além disso, impedirá treinamentos britânicos destinados às forças da Autoridade Palestina.

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“As acusações feitas hoje pelo ministro das Relações Exteriores no Parlamento britânico foram mentiras ultrajantes”, afirmou o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar.

Os assentamentos exportam principalmente produtos agrícolas, além de vinho, cosméticos do Mar Morto e diferentes produtos industriais.

O comércio entre Reino Unido e os Territórios Palestinos ocupados somou apenas cerca de 38 milhões de libras (US$ 51 milhões, ou R$ 261,63 milhões) em 2025, segundo o governo britânico.

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Países europeus apoiam restrições comerciais

Londres, Paris e Ottawa se juntaram a outros nove países europeus em uma declaração na qual afirmam que pretendem implementar ou apoiar restrições ao comércio com os assentamentos israelenses.

Dinamarca, Finlândia, Islândia, Irlanda, Noruega, Polônia, Portugal, Espanha e Suécia também assinaram o documento. Os países criticaram os “níveis sem precedentes de violência dos colonos e de expansão dos assentamentos” na Cisjordânia.

Irlanda e Espanha já adotaram medidas contra o comércio com os assentamentos. A França, por sua vez, tenta há semanas obter uma decisão semelhante da União Europeia, principal parceira comercial de Israel, mas enfrenta resistência de alguns integrantes do bloco.

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O ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noël Barrot, afirmou no X que a França “encerrará o comércio” com os assentamentos.

Mais tarde, o primeiro-ministro britânico Andy Burnham, o presidente francês Emmanuel Macron e o primeiro-ministro canadense Mark Carney divulgaram outra declaração conjunta na qual afirmaram que os assentamentos representam uma “ameaça direta e urgente” à solução de dois Estados para o conflito.

Os Estados Unidos, porém, não acompanharão as medidas. O secretário de Estado Marco Rubio afirmou que Washington não participará das novas sanções e destacou que o governo americano não pretende desestabilizar o território ocupado.

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Reino Unido amplia sanções

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu prometeu continuar estabelecendo assentamentos, considerados ilegais pelo direito internacional.

O plano E1, aprovado por Israel no ano passado após permanecer congelado durante décadas, prevê a construção de 1.200 unidades habitacionais e ampliaria o isolamento de Jerusalém Oriental, anexada por Israel, em relação ao restante da Cisjordânia. A aprovação recebeu ampla condenação internacional.

Israel já vinha enfrentando fortes críticas internacionais por sua ofensiva em Gaza, que destruiu grande parte do território após o ataque realizado por militantes do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023.

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Miliband também anunciou que empresas e indivíduos envolvidos na prestação de serviços relacionados aos assentamentos, incluindo construção, financiamento e atividades imobiliárias, estarão sujeitos a sanções britânicas.

O Ministério das Relações Exteriores britânico confirmou ainda que ficará proibida no Reino Unido a publicidade ou promoção de terrenos e imóveis localizados dentro de assentamentos israelenses.

Outras cinco pessoas acusadas de incentivar e realizar ataques violentos contra palestinos, inclusive na Cisjordânia, também foram incluídas nas novas sanções. Com as medidas, 38 pessoas já foram sancionadas pelo Reino Unido por atividades relacionadas aos assentamentos, segundo o ministério.

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Governo britânico endurece posição sobre Israel

As novas medidas representam um endurecimento da posição britânica em relação a Israel sob o governo de Andy Burnham, que substituiu Keir Starmer como primeiro-ministro em julho.

O governo Starmer havia reconhecido formalmente um Estado palestino no ano passado e anunciado sanções contra determinadas entidades.

Mais de 500 mil israelenses vivem em assentamentos considerados ilegais na Cisjordânia, em meio a uma população de aproximadamente 3 milhões de palestinos.

Segundo levantamento da AFP baseado em dados do Ministério da Saúde palestino, forças israelenses ou colonos mataram ao menos 1.105 palestinos no território desde o início da guerra em Gaza.

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