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Guerra sem desfecho no Oriente Médio deve manter economia global sob volatilidade
Publicado 11/06/2026 • 11:45 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 11/06/2026 • 11:45 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
A volatilidade deve continuar sendo a principal característica da economia global enquanto persistirem as incertezas sobre o conflito entre Estados Unidos e Irã, avalia Saulo Abouchedid, professor de Macroeconomia da FIA Business School.
Segundo ele, a dificuldade de prever quando haverá uma normalização efetiva da situação mantém investidores, governos e empresas em estado de atenção permanente.
Para o economista, que concedeu entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC nesta quinta-feira (11), os efeitos já são percebidos em diferentes segmentos do mercado. “A palavra que me vem à mente é volatilidade”, afirmou.
Segundo ele, a instabilidade afeta o preço do petróleo, os mercados de juros, as cadeias logísticas globais e as expectativas econômicas, exigindo respostas de política econômica em diversos países.
Ao analisar as projeções para o mercado de energia, Saulo afirmou que é difícil prever até onde os preços podem chegar. Ele não descartou movimentos bruscos caso a escalada militar ultrapasse as expectativas atuais. “Ele pode bater esse valor diante de uma escalada fora do previsto”, disse ao comentar estimativas que apontam para um petróleo acima de US$ 180 (R$ 932,40) por barril.
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O professor ressaltou, porém, que a principal preocupação não está apenas nos picos de preço, mas no tempo necessário para que a economia mundial retorne à normalidade. Segundo ele, mesmo com um eventual fim das hostilidades, a normalização dos fretes, dos transportes, dos derivados de petróleo e dos indicadores econômicos ocorrerá apenas no médio e longo prazo.
“Quanto mais você tem essa volatilidade, maior é esse período de normalização”, afirmou. Para ele, a persistência das tensões amplia os riscos de inflação e dificulta a recuperação de diversos setores produtivos.
Questionado sobre as comparações entre o cenário atual e os choques dos anos 1970, Saulo afirmou que existem semelhanças, especialmente em relação ao papel desempenhado pelo petróleo, mas destacou diferenças importantes na estrutura da economia global.
Segundo ele, os mercados financeiros atuais são mais sofisticados e operam com regimes cambiais e monetários diferentes dos observados há cinco décadas. Ainda assim, a alta dos preços da energia pode gerar efeitos semelhantes sobre inflação e crescimento econômico.
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“Os governos vão ter que ir além do seu regime macroeconômico para tentar lidar com esses choques”, afirmou. Na avaliação do professor, diversos países já vêm promovendo ajustes em suas políticas fiscais para enfrentar pressões inflacionárias acima do esperado.
Saulo destacou que o novo fechamento do estreito de Ormuz recoloca no radar uma preocupação recorrente dos mercados: o nível dos estoques globais de petróleo. Segundo ele, qualquer interrupção prolongada da rota aumenta as incertezas sobre abastecimento e reforça a pressão sobre os preços da commodity.
“A gente vai assistir esse debate sobre um monitoramento mais de perto do mercado em relação aos estoques de petróleo”, afirmou. Para ele, a escalada do conflito pode afetar tanto os contratos futuros quanto os preços praticados no mercado à vista.
Na avaliação do economista, o Brasil conseguiu até agora amortecer parte dos efeitos da crise por meio de medidas econômicas e mecanismos de absorção dos choques. No entanto, essa capacidade não é ilimitada.
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“Até agora o Brasil consegue acomodar sem comprometer o seu regime macroeconômico, o seu regime fiscal e as suas metas”, afirmou. Segundo ele, o país ainda conta com algum espaço de manobra graças ao desempenho relativamente favorável das contas públicas e da arrecadação.
Apesar disso, Saulo alertou que uma crise prolongada poderá testar os limites dessa resiliência. “Se até o ano que vem a gente não conseguir um mínimo de normalização nessa tensão, isso pode gerar desafios à nossa capacidade de absorção”, disse.
O professor acrescentou que os impactos já começam a aparecer em setores da economia brasileira, especialmente entre exportadores e importadores afetados pelo aumento dos custos logísticos e dos fretes internacionais. Segundo ele, a política econômica tem conseguido amortecer parte desses efeitos, mas os reflexos da guerra ainda devem ser sentidos nos próximos meses.
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