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Comércio, guerras, Taiwan e Direitos Humanos: o que foi discutido entre Trump e Xi Jinping

Publicado 15/05/2026 • 21:33 | Atualizado há 46 minutos

KEY POINTS

  • Xi teria concordado em ajudar na reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o fluxo global de energia, embora Pequim tenha evitado confirmar publicamente o compromisso
  • Taiwan voltou ao centro das tensões entre China e EUA, com Xi alertando que erros sobre a ilha podem levar os dois países a um “conflito”; Trump evitou dizer se Washington defenderia Taipé
  • Os dois líderes classificaram a visita como um marco nas relações bilaterais, adotando a ideia de uma “estabilidade estratégica construtiva” para reduzir atritos geopolíticos e comerciais nos próximos anos

Divulgação/Xinhua

Xi Jinping e Donald Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixou Pequim nesta sexta-feira (15) após reuniões, um passeio por templos e um chá com seu homólogo chinês, Xi Jinping, em discussões que foram do comércio ao Oriente Médio.

Aqui estão cinco conclusões principais da cúpula de dois dias entre as superpotências.

1. Acordos fechados?

Trump afirmou ter feito “acordos comerciais fantásticos” com Xi, que mencionou a formação de um “consenso”, mas não houve anúncios oficiais nem detalhes divulgados por nenhum dos lados.

Trump buscava grandes compras chinesas de aviões e produtos agrícolas americanos — um tema central para sua base política doméstica. Após deixar Pequim, o presidente americano disse a jornalistas a bordo do Air Force One que a China compraria “bilhões de dólares em soja”.

Ele acrescentou que a China concordou em adquirir “mais de 200 aviões da Boeing, com uma promessa de 750 aeronaves… se fizerem um bom trabalho com os 200, o que tenho certeza que farão”.

Enquanto isso, uma ausência surpreendente da agenda foi a questão das tarifas. Esperava-se que os líderes discutissem a extensão da trégua comercial alcançada em outubro passado. Trump disse que o assunto “nem chegou a surgir”.

2. Reabertura de Ormuz

A China classificou a guerra em andamento dos Estados Unidos contra o Irã como “ilegal” e tem pedido repetidamente o fim do conflito.

Pequim vem atuando discretamente como mediadora, tendo recebido o chanceler iraniano uma semana antes da visita de Trump e mantido conversas com diversos países do Golfo.

Trump afirmou que, durante as conversas de quinta-feira, Xi concordou em ajudar a reabrir o estratégico Estreito de Ormuz, amplamente bloqueado pelo Irã desde que Estados Unidos e Israel passaram a atacar o país em 28 de fevereiro.

“As duas partes concordaram que o Estreito de Ormuz deve permanecer aberto para apoiar o livre fluxo de energia”, afirmou a Casa Branca.

A China é diretamente afetada pelo bloqueio do estreito e há muito defende a segurança da navegação na região.

Mais da metade do petróleo bruto importado por via marítima pela China vem do Oriente Médio, segundo a empresa de análise marítima Kpler.

No entanto, o Ministério das Relações Exteriores chinês não comentou se Xi realmente disse a Trump que ajudaria a reabrir a rota marítima.

3. Taiwan? Sem comentários

A China reivindica a ilha autônoma de 23 milhões de habitantes como parte de seu território e considera o tema uma linha vermelha diplomática. As tensões entre Pequim e Washington sobre Taiwan são profundas, já que os Estados Unidos são o principal fornecedor de armas para Taipé.

Em declarações incomumente diretas, Xi alertou Trump em sua primeira reunião bilateral que qualquer erro na condução da questão taiwanesa poderia empurrar os dois países para um “conflito”, tratando o tema como o principal risco para a relação China-EUA.

Analistas sugeriam antes da cúpula que Pequim via uma oportunidade para pressionar por mudanças na posição histórica dos Estados Unidos sobre a ilha. Trump afirmou que Xi perguntou se Washington defenderia Taiwan em caso de conflito e respondeu apenas: “Eu não falo sobre isso.”

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse à NBC na quinta-feira que “a política dos EUA sobre Taiwan permanece inalterada”.

4. “Marco histórico”

Trump encheu Xi de elogios durante toda a viagem, chamando o líder chinês de “amigo” e “grande líder”, além de convidá-lo para visitar os Estados Unidos em setembro.

Xi evitou corresponder publicamente ao entusiasmo, embora, em um gesto simbólico, tenha dito que enviaria sementes de rosas chinesas para a Casa Branca após Trump admirar a flora do complexo de liderança de Zhongnanhai.

O presidente chinês descreveu a visita como um “marco histórico”, celebrando uma nova diretriz oficial de “estabilidade estratégica construtiva” para definir as relações entre EUA e China pelos próximos três anos.

“Isso não é apenas um consenso processual, mas um grande reposicionamento estratégico. Define como as duas grandes potências devem coexistir… estabelecendo limites claros para administrar fricções enquanto expandem interesses compartilhados”, afirmou Dong Wang, professor da Universidade de Pequim.

“Mesmo com diferenças sobre tecnologia avançada e geopolítica, ambos os lados agora operam sob esse novo consenso estratégico para evitar erros de julgamento e de cálculo”, disse.

O termo “pode ser visto como um avanço em comparação com a ‘competição estratégica’ da era de Joe Biden”, observou George Chen, do Asia Group.

Após a saída de Trump da China, a agência estatal Xinhua informou que o principal diplomata chinês disse esperar uma visita de Xi aos Estados Unidos no outono.

5. Direitos humanos

Antes da viagem, Trump foi pressionado a levantar questões de direitos humanos com Xi, principalmente os casos do pastor preso Ezra Jin e do magnata da mídia de Hong Kong Jimmy Lai.

“Acho que ele está considerando o caso do pastor com muita seriedade”, disse Trump a jornalistas a bordo do Air Force One.

Mas, ao falar sobre Lai — cidadão britânico que recebeu pena de 20 anos de prisão por acusações de conluio estrangeiro e sedição — Trump fez uma careta.

“Eu mencionei isso para Xi”, disse o presidente americano.

“Ele disse que Jimmy Lai é um caso complicado para ele.”

O Ministério das Relações Exteriores da China reiterou nesta sexta-feira que considera Lai “o principal mentor e responsável” pelos grandes protestos pró-democracia, por vezes violentos, que abalaram Hong Kong em 2019.

“Comparado à longa lista de questões que Estados Unidos e China precisam resolver, a realidade objetiva é esta. O caso Lai não é prioridade máxima para nenhum dos lados”, afirmou Wilson Chan, do instituto de políticas públicas Pagoda Institute, em Hong Kong.

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