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Eleições nos Estados Unidos 2026: saiba tudo sobre a votação

Publicado 03/11/2026 • 11:12 | Atualizado há 23 minutos

KEY POINTS

  • Os americanos vão às urnas nesta terça-feira (3) para as eleições de meio de mandato, que podem mudar o controle do Congresso nos dois últimos anos do governo Trump.
  • A votação vai definir as 435 cadeiras da Câmara, 35 vagas no Senado e os governadores de 36 estados, além de milhares de cargos locais.
  • O resultado pode mudar a relação de forças entre republicanos e democratas, afetar decisões do governo americano e ter consequências para o Brasil.
eleições de meio de mandato dos Estados Unidos

Timothy A. Clary/AFP

Eleitores votam no Brooklyn Museum, em Nova York, nesta terça-feira (3), durante as eleições de meio de mandato dos Estados Unidos.

Os americanos vão às urnas nesta terça-feira (3) para as eleições de meio de mandato de 2026, conhecidas como midterms. A votação não vai escolher um novo presidente, mas pode mudar o controle do Congresso dos Estados Unidos e influenciar os dois últimos anos do governo de Donald Trump.

Além da disputa entre republicanos e democratas, o resultado pode ter efeitos sobre a economia americana, o comércio com outros países e até a situação política de brasileiros que estão nos Estados Unidos.

Mas por que os americanos votam no meio do mandato do presidente? Quantos deputados os democratas precisam eleger? E o que acontece se Trump perder o apoio do Congresso?

Confira as respostas para as 10 principais dúvidas sobre as eleições americanas.

1. Como funcionam as eleições nos Estados Unidos?

Nos Estados Unidos, as eleições para o Congresso acontecem a cada dois anos. A Câmara dos Representantes, equivalente à Câmara dos Deputados brasileira, tem 435 integrantes, todos eleitos para mandatos de dois anos.

Já o Senado tem 100 integrantes, dois por estado, com mandatos de seis anos. Como nem todos são eleitos ao mesmo tempo, cerca de um terço das vagas é renovado a cada dois anos.

Em 2026, os americanos vão escolher todos os 435 deputados federais e 35 senadores, além de governadores em 36 estados e representantes para cargos estaduais e municipais.

O voto não é obrigatório. Cada eleitor vota nos candidatos de seu estado e de seu distrito eleitoral. A soma dos resultados define qual partido terá a maioria no Congresso.

2. Por que os EUA têm eleições no meio do mandato do presidente?

As chamadas midterms acontecem dois anos depois das eleições presidenciais, exatamente na metade do mandato de quatro anos do presidente americano. Por isso, recebem o nome de eleições de meio de mandato.

Isso acontece porque o calendário eleitoral do Congresso é diferente do presidencial. Enquanto o presidente é eleito a cada quatro anos, os deputados federais disputam seus cargos a cada dois anos.

A votação também permite que os americanos demonstrem sua satisfação ou insatisfação com os rumos do país, mesmo que o presidente não esteja concorrendo.

Em 2026, Donald Trump continuará na Presidência independentemente de qual partido vencer as eleições para o Congresso.

Leia também: Entenda como funcionam as eleições desta terça nos EUA e o que está em jogo para Trump

3. Quantos assentos os democratas precisam conquistar?

Os republicanos chegam às eleições com maioria nas duas Casas do Congresso.

Na Câmara dos Representantes, o partido conta com 219 integrantes que votam com os republicanos, incluindo um independente. Os democratas têm 214 representantes, enquanto duas cadeiras estão vagas.

Para controlar a Câmara, um partido precisa conquistar pelo menos 218 das 435 cadeiras. Considerando a composição atual, os democratas precisam ganhar quatro assentos a mais do que os republicanos para assumir a maioria.

No Senado, os republicanos ocupam 53 das 100 cadeiras. Os democratas têm 45, além de dois independentes que costumam votar com o partido.

Nesse caso, os democratas precisam conquistar mais quatro cadeiras para chegar a 51 votos. Isso porque, se houver empate de 50 a 50, o vice-presidente JD Vance, que é republicano, pode dar o voto de desempate.

4. Quais são os estados mais indefinidos?

Alguns estados concentram as disputas mais acirradas e podem ser decisivos para definir qual partido terá o controle do Congresso.

No Senado, Maine, Michigan, Alasca, Ohio e Carolina do Norte estão entre os estados que mais chamam a atenção. Texas, Iowa e Kansas também aparecem nas análises eleitorais.

Na Câmara, há disputas importantes em distritos da Califórnia, da Pensilvânia, da Flórida e de Nova York.

Diferentemente de uma eleição presidencial, não existe uma disputa nacional única pelo controle do Congresso. Cada estado ou distrito escolhe seus representantes, e a soma das cadeiras conquistadas define qual partido terá a maioria.

5. Por que essa eleição é tão importante para Trump?

Trump não está concorrendo, mas o resultado vai determinar quanto apoio ele terá no Congresso durante os dois últimos anos de seu mandato.

Hoje, os republicanos controlam a Câmara e o Senado. Isso facilita a aprovação de propostas defendidas pelo presidente, como mudanças nos impostos, nos gastos públicos e na política econômica.

Se os democratas conquistarem a maioria em uma das Casas, Trump poderá enfrentar mais dificuldades para aprovar seus projetos.

A oposição também poderá ampliar a fiscalização sobre o governo, abrir investigações, convocar autoridades para prestar esclarecimentos e pedir acesso a documentos da Casa Branca.

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6. E se os republicanos perderem as duas Casas do Congresso?

Se os democratas conquistarem a Câmara e o Senado, Trump terá mais dificuldades para aprovar projetos que dependem do Congresso.

Na Câmara, os democratas poderão assumir o comando das comissões parlamentares, abrir investigações e ter maior influência sobre as decisões que envolvem os gastos do governo.

No Senado, também poderão dificultar a aprovação de nomes indicados pelo presidente para cargos importantes, como ministros, embaixadores, dirigentes de órgãos federais e juízes, incluindo os da Suprema Corte.

Isso não significa que Trump perderá a Presidência. Ele continuará no cargo e poderá exercer seus poderes, inclusive vetar projetos aprovados pelo Congresso.

Na prática, porém, terá de negociar mais com os democratas para conseguir aprovar parte de sua agenda.

7. Flávio Bolsonaro pode ser afetado se os democratas ganharem?

Uma eventual vitória democrata pode aumentar a pressão sobre o governo Trump em relação à presença de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos.

O senador brasileiro viajou para os EUA depois de perder as eleições presidenciais de outubro para Luiz Inácio Lula da Silva. Sua entrada e permanência no país provocaram questionamentos de parlamentares americanos sobre a atuação do governo Trump.

Integrantes do Partido Democrata já demonstraram interesse em investigar se autoridades americanas ajudaram Flávio a deixar o Brasil e como sua entrada nos Estados Unidos foi autorizada.

Se conquistarem a maioria na Câmara, os democratas poderão ampliar essas investigações, exigir documentos e convocar autoridades para dar explicações.

Mas uma vitória democrata não significa que Flávio Bolsonaro será automaticamente expulso dos Estados Unidos. Sua situação migratória depende das leis americanas e de decisões das autoridades responsáveis.

8. Por que o resultado também importa para 2028?

As eleições de 2026 vão definir a composição do Congresso até janeiro de 2029. Isso significa que os deputados e senadores eleitos agora estarão no cargo durante a próxima eleição presidencial, marcada para novembro de 2028.

O resultado também poderá ajudar os partidos a identificar quais assuntos mais preocupam os eleitores e onde precisam ganhar apoio para a próxima disputa.

Para os republicanos, a votação pode influenciar a escolha de quem tentará suceder Trump. Pela Constituição americana, uma pessoa não pode ser eleita presidente mais de duas vezes. Por isso, Trump não poderá disputar um terceiro mandato.

Entre os democratas, o desempenho nas urnas poderá fortalecer políticos que pretendam concorrer à Presidência em 2028.

9. Quando saem os resultados das eleições nos EUA?

A contagem dos votos começa depois do fechamento das urnas em cada estado. Mas os resultados não são divulgados todos ao mesmo tempo.

Como os Estados Unidos têm diferentes fusos horários, algumas regiões encerram a votação enquanto outras ainda estão recebendo eleitores.

Os primeiros vencedores podem ser conhecidos ainda na noite de terça-feira. Já a definição de qual partido terá a maioria no Congresso pode levar vários dias.

Isso acontece porque alguns estados recebem muitos votos pelo correio, que precisam ser conferidos e contados. Outros, como Alasca e Maine, utilizam sistemas de votação que podem exigir etapas adicionais de apuração.

Nas eleições de 2022, por exemplo, a Associated Press levou quatro dias para confirmar o controle do Senado e oito dias para definir a maioria na Câmara dos Representantes.

10. O que muda para o Brasil com o resultado das midterms?

O resultado pode influenciar as relações entre Brasil e Estados Unidos, especialmente em assuntos como tarifas de importação, energia e investimentos.

Se os democratas conquistarem a maioria no Congresso, poderão aumentar a pressão sobre o governo Trump para rever tarifas que atingem produtos brasileiros.

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as sobretaxas adotadas pelos Estados Unidos em julho atingem 23,1% das exportações brasileiras para o mercado americano, considerando os dados comerciais de 2024.

Máquinas, madeira, móveis, calçados e roupas estão entre os produtos afetados pelas medidas.

Outro tema importante são os investimentos americanos na exploração de minerais críticos no Brasil, incluindo as terras raras, usadas na fabricação de equipamentos tecnológicos e militares.

Mas uma vitória democrata não garante que as tarifas serão retiradas ou que as relações comerciais mudarão imediatamente. Trump continuará responsável pela política externa americana, enquanto o Congresso poderá aumentar a fiscalização e tentar mudar algumas regras.

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