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Vulcão na Etiópia entra em erupção pela primeira vez em 12 mil anos
Publicado 24/11/2025 • 09:39 | Atualizado há 2 semanas
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Vulcão 'Erta Ale' também na Etiópia, em erupção
Vulcão 'Erta Ale' também na Etiópia, em erupção
O vulcão Hayli Gubbi, no nordeste da Etiópia, entrou em erupção neste domingo (23), marcando o primeiro evento eruptivo registrado em aproximadamente 12 mil anos, segundo o Programa Global de Vulcanismo da Smithsonian Institution. Localizado na região de Afar, a cerca de 800 quilômetros de Addis Abeba e próximo da fronteira com a Eritreia, o vulcão pertence à instável cadeia geológica da Vala do Rift, onde duas placas tectônicas se afastam e intensificam a atividade vulcânica da área.
A Smithsonian informou que não havia registros modernos de erupções do Hayli Gubbi e que nenhuma atividade tinha sido observada ao longo de todo o Holoceno — período iniciado ao fim da última Era Glacial e que abrange os últimos 12 mil anos. O vulcanólogo Simon Carn, da Universidade de Michigan, confirmou em publicação no Bluesky que o vulcão “não apresentou qualquer erupção conhecida em toda a era moderna”.
De acordo com o Centro de Observação de Cinzas Vulcânicas de Toulouse (VAAC), o evento foi intenso, com colunas de fumaça e cinzas atingindo 14 quilômetros de altitude. A erupção durou algumas horas e se encerrou no próprio domingo. As plumas se dispersaram rapidamente, avançando sobre o Iêmen, Omã, Índia e o norte do Paquistão, segundo o serviço de monitoramento.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram uma espessa coluna de fumaça branca subindo do cume de Hayli Gubbi, mas o conteúdo ainda não foi autenticado pela AFP. O vulcão, com cerca de 500 metros de altitude, está situado em uma área remota e pouco povoada, o que deve limitar potenciais impactos humanos diretos.
Até o momento, não há relatos de vítimas, e as autoridades locais não divulgaram dados sobre eventuais evacuados. A administração regional de Afar ainda não respondeu às solicitações oficiais da imprensa internacional.
A região da Etiópia onde o vulcão está localizado é conhecida por intensa instabilidade geológica e por abrigar diversos sistemas vulcânicos ativos. A erupção do Hayli Gubbi reacende o alerta sobre os riscos associados à movimentação tectônica no leste africano e deverá ser acompanhada de perto por centros de observação global.

A erupção do Hayli Gubbi acontece em uma das regiões geológicas mais ativas do planeta: o Rift Africano, um gigantesco sistema de falhas que corta o leste do continente do Mar Vermelho até Moçambique. Trata-se de uma área onde a crosta terrestre está sendo progressivamente esticada, resultado da separação lenta, porém contínua, de duas grandes placas tectônicas — a Placa Africana e a Placa da Núbia.
Esse processo, conhecido como rifteamento, cria fraturas profundas na crosta e dá origem a cadeias de vulcões, lagos alongados e vales de depressão. No caso específico da região de Afar, na Etiópia, essa atividade é ainda mais intensa: ali ocorre o encontro de três placas tectônicas — Africana, Arábica e Somaliana — formando um dos poucos pontos do mundo onde é possível observar, na superfície, o nascimento de um novo continente.
À medida que essas placas se afastam, o magma do manto ascende para preencher as lacunas, alimentando erupções vulcânicas frequentes e criando paisagens únicas como o deserto de Danakil, considerado um dos lugares mais quentes e instáveis da Terra. A área também abriga vulcões historicamente ativos, como Erta Ale e Nabro, conhecidos por derramamentos de lava persistentes e eventos explosivos.
O Hayli Gubbi, por outro lado, permanecia adormecido há milhares de anos. Sua erupção repentina reforça que o Rift Africano permanece em plena transformação geológica — um processo que deve continuar por milhões de anos, até resultar na formação de um novo oceano que dividirá a África em duas grandes massas continentais.
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