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EUA devem subir juros novamente neste ano, mas alta não indica ciclo prolongado, diz Benjamin Mendel, econonomista que atuou no Fed

Publicado 16/09/2026 • 20:43 | Atualizado há 49 minutos

KEY POINTS

  • Benjamin Mendel afirma que as projeções do Fed apontam para uma nova alta de juros ainda em 2026, provavelmente em dezembro.
  • Crescimento robusto, consumo forte e investimentos em inteligência artificial deram ao banco central espaço para concentrar a decisão no combate à inflação.
  • Ex-economista do Fed vê baixa probabilidade de recessão nos Estados Unidos nos próximos 12 meses, apesar do aperto monetário.

O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) deve voltar a subir os juros ainda neste ano, provavelmente em dezembro. No entanto, o movimento não indica o início de um ciclo prolongado de aperto monetário, segundo Benjamin Mendel, ex-economista do Fed e atual chefe de pesquisa da Jubart Capital.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Mendel afirmou que a decisão desta quarta-feira (16) e as projeções divulgadas pelo banco central americano indicam novos ajustes, mas dentro de um processo limitado.

“Eu não acho que é um ciclo que vai durar para sempre. Acho que eles queriam comunicar nas projeções que é um ajuste. Pode ser duas altas, pode ser três, quatro, mas não é um ciclo que nunca vai terminar”, afirmou.

Segundo Mendel, três fatores explicam a mudança de postura do Fed: a nova orientação da liderança da instituição, a força da atividade econômica e a persistência da inflação.

Na avaliação do economista, a atual liderança do banco central americano assumiu com uma postura mais dura diante de uma inflação que permanece acima da meta há vários anos.

“Ele entrou com a ideia de: vamos restabelecer a credibilidade do Fed e tem que mexer com juros para fazer isso”, disse Mendel.

Economia forte dá espaço para Fed mirar inflação

O segundo fator é a resiliência da economia americana. Mendel destacou a força dos investimentos ligados à inteligência artificial, do consumo e dos lucros corporativos. Esse cenário, segundo ele, permite ao Fed reduzir o peso dado à atividade econômica na decisão e concentrar mais atenção sobre a inflação.

“É um ambiente onde o comitê podia mais ou menos ignorar a parte de atividade, botar bem menos peso na economia real na tomada de decisão de taxa de juros e bem mais peso no lado de inflação”, afirmou.

O problema, segundo Mendel, é que os dados mais recentes não mostraram melhora suficiente da inflação em direção à meta.

Dentro do Fed, afirmou, já havia um grupo favorável à elevação dos juros na reunião anterior, enquanto outra ala preferia esperar sinais mais claros de desaceleração dos preços.

“Nos últimos dois meses, tem pouca evidência de progresso”, disse.

A alta do petróleo também passou a pesar nesse debate, segundo o economista, ao adicionar pressão sobre os preços e enfraquecer a avaliação de que a inflação estava convergindo de forma consistente para a meta.

“Basicamente, a evidência nos últimos dois meses desmontou o argumento de que tem progresso na direção da meta”, afirmou Mendel.

Brasil sente Fed, mas fatores domésticos predominam

Mendel avaliou que o aperto monetário americano também afeta os ativos brasileiros, principalmente por meio do câmbio e das condições financeiras, mas afirmou que fatores domésticos têm hoje peso maior sobre o comportamento da economia e dos mercados no país.

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“A política monetária mais apertada já tinha entrado no preço nos últimos meses. Já tem um canal de transmissão através do dólar e do real e, na margem, entrando no sentimento do setor privado no Brasil e na inflação”, disse.

Ainda assim, segundo ele, a dinâmica brasileira vem sendo determinada principalmente por fatores próprios da economia local.

“O que está dominando hoje no Brasil são fatores brasileiros”, afirmou.

Mendel citou, entre eles, a desaceleração do crescimento e o ambiente eleitoral.

Risco de recessão segue baixo

Apesar do movimento de alta dos juros nos Estados Unidos e em outras economias, Mendel não vê, neste momento, um risco elevado de recessão americana no curto prazo.

Segundo ele, os modelos acompanhados pela Jubart Capital indicam baixa probabilidade de uma contração nos próximos 12 meses.

“No momento, nossos modelos estão mostrando uma probabilidade bem baixa de recessão no curto prazo”, afirmou.

A sustentação vem, novamente, da força do investimento, do consumo e dos lucros das empresas.

“Tem um grau de momentum na economia, vindo de investimento, vindo de consumo, vindo dos lucros corporativos, que ajuda a reforçar essa noção”, disse.

Mendel reconheceu que juros mais altos devem reduzir a atividade na margem, mas avaliou que o risco de provocar uma desaceleração excessiva permanece limitado.

“Na margem, 50 pontos-base de taxa de juros vão frear a economia, mas o risco de frear muito acho baixo por enquanto”, afirmou.

O economista também destacou a nova alta do petróleo como fonte de volatilidade para inflação e atividade, mas avaliou que esse tipo de choque tende a ter efeito mais temporário do que estrutural.

“Na nossa visão, cria bem mais volatilidade do que sinal, no médio prazo, para a economia”, disse.

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