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Alta dos combustíveis provoca protestos e escassez em países

Publicado 16/09/2026 • 21:00 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Alta dos combustíveis provoca racionamento, apagões e filas em postos de países asiáticos dependentes do petróleo importado.
  • Motoristas, pescadores e trabalhadores enfrentam aumento dos custos e reduzem atividades diante da pressão sobre os ganhos.
  • Protestos contra os reajustes avançam na Síria, Guatemala e Portugal, com bloqueios de ruas, congestionamentos e incêndios.
Alta dos combustíveis provoca protestos e escassez em países

Foto: Unsplash

Alta dos combustíveis provoca protestos e escassez em países

A alta dos preços dos combustíveis provocada pela guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã tem gerado escassez, filas em postos, paralisações e protestos em diferentes países. O petróleo chegou a US$ 100 (cerca de R$ 515,50) por barril, aumentando a pressão sobre governos e trabalhadores que dependem diretamente da energia.

O impacto aparece com força em países em desenvolvimento da Ásia, que dependem do petróleo do Oriente Médio e ainda enfrentam dívidas acumuladas após medidas adotadas para reduzir os efeitos de conflitos anteriores.

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Com o combustível mais caro, trabalhadores do transporte passaram a enfrentar dificuldades para manter as atividades. Em alguns locais, motoristas deixaram de trabalhar porque os ganhos já não cobrem os custos de energia.

Ao mesmo tempo, de acordo com o The New York Times, os governos precisam decidir entre repassar o aumento à população, o que pode acelerar a inflação, ou ampliar subsídios e benefícios, aumentando a pressão sobre as contas públicas.

Combustíveis pressionam transporte na Ásia

Na Indonésia, moradores de Makassar, no sul de Sulawesi, relataram escassez de gás de cozinha, apagões rotativos e uma mudança repentina para o racionamento de gasolina. Motoristas chegaram a empurrar motocicletas com os tanques vazios e formaram longas filas nos postos.

Taxistas protestaram contra o novo sistema de racionamento, que organiza o abastecimento de acordo com números pares e ímpares das placas. Em Yogyakarta, estudantes também foram às ruas contra a alta dos combustíveis, mas organizações pró-governo dispersaram a manifestação.

Nas Filipinas, pescadores da Baía de Manila continuam nos portos porque muitos não têm dinheiro para comprar gasolina ou diesel para as embarcações. Motoristas de ônibus e de aplicativos também participaram de manifestações em Quezon City.

O governo filipino ofereceu pagamentos únicos de cerca de US$ 80 (R$ 412,33) aos motoristas do transporte público. Representantes da categoria consideraram o valor insuficiente. Segundo Modesto Floranda, líder de um grupo que reúne 70 mil motoristas e proprietários de ônibus, jornadas de 15 a 18 horas passaram a render apenas o suficiente para uma refeição.

No Vietnã, motoristas da Grab convocaram um boicote durante o fim de semana para protestar contra os baixos salários, agravados pelo aumento dos combustíveis.

Alta da energia afeta fábricas em Bangladesh

Bangladesh também enfrenta dificuldades. O país importa mais de 90% do petróleo que utiliza, principalmente do Oriente Médio. A escassez de gás natural liquefeito, necessário para a produção de eletricidade, levou ao racionamento e provocou o fechamento temporário de fábricas de roupas.

O setor de vestuário é um dos principais motores da economia de Bangladesh. Algumas empresas passaram a utilizar diesel depois do início da guerra no Irã, em fevereiro, mas agora enfrentam preços mais altos.

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Em Gazipur, importante polo da indústria têxtil, um funcionário de uma fábrica relatou cortes de energia quatro ou cinco vezes por dia. As paralisações de várias horas passaram a afetar dezenas de fábricas e milhares de trabalhadores.

No Sri Lanka, distribuidores começaram a restringir o fornecimento aos postos enquanto aguardam um aumento esperado nos preços. O governo avalia reajustar os valores oficiais e ampliar os subsídios. O país, contudo, já apresenta uma das maiores relações entre dívida pública e PIB do mundo em desenvolvimento.

Protestos aumentam na Europa e na América Latina

Em Portugal, motoristas organizaram os chamados “buzinões”, com veículos circulando lentamente e buzinando contra a alta dos combustíveis. As manifestações provocaram congestionamentos em importantes vias, incluindo a Ponte 25 de Abril, em Lisboa.

O diesel atingiu um preço recorde de mais de US$ 9 (R$ 46,39) por galão. Em Sines, um comboio de veículos também bloqueou o acesso a estradas próximas de uma importante refinaria, segundo um site de notícias local.

Na Guatemala, trabalhadores do transporte e ativistas indígenas foram às ruas. Os manifestantes cobraram medidas que vão além de tetos de preços e subsídios. Alguns grupos defendem a suspensão dos impostos sobre combustíveis e uma transição para longe dos combustíveis fósseis.

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A insatisfação aumentou dias depois em Villa Nueva, ao sul da Cidade da Guatemala. Vídeos mostraram carros incendiados nas ruas.

Na Síria, o governo anunciou um aumento temporário de até 40% nos preços da gasolina, do diesel e de outros derivados de petróleo. Poucas horas depois, moradores de diferentes cidades foram às ruas, bloquearam o trânsito e queimaram pneus para exigir o cancelamento do reajuste.

A onda de manifestações ocorre enquanto países tentam administrar os efeitos da alta da energia sobre o transporte, a produção industrial e o custo de vida. Na Ásia, a dependência do petróleo importado e a pressão sobre as contas públicas tornam a resposta ao aumento dos combustíveis ainda mais difícil.

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