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Revogação de visto da embaixadora brasileira nos EUA equivale a rompimento diplomático, diz especialista em relações internacionais
Publicado 04/08/2026 • 20:00 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 04/08/2026 • 20:00 | Atualizado há 3 meses
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A revogação do visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos representa um gesto sem precedentes nas relações entre os dois países e pode aprofundar a crise diplomática, segundo Alexandre Ramos Coelho, professor de Relações Internacionais da Faap. Em entrevista nesta terça-feira (4) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o especialista afirmou que a medida adotada pelo governo Donald Trump vai além das disputas comerciais e sinaliza um agravamento da tensão política entre Brasília e Washington.
Para Coelho, a decisão rompe com a tradição diplomática construída ao longo de mais de dois séculos de relacionamento entre Brasil e Estados Unidos e não encontra equivalência na demora brasileira em aprovar a indicação do novo embaixador americano.
“Isso é gravíssimo. Não estamos mais falando apenas de uma retórica inflamada, mas de um ato concreto por parte do governo Trump. Revogar o visto da embaixadora brasileira equivale, na prática, a cortar as relações diplomáticas com o Brasil. É algo inédito em mais de 200 anos de relações entre os dois países”, afirmou.
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Segundo o professor, em uma situação considerada normal, a divergência seria resolvida por meio de negociações diplomáticas, sem necessidade de medidas tão drásticas.
“Haveria uma conversa entre diplomatas e uma negociação prévia. Essa resposta dos Estados Unidos não é proporcional ao atraso brasileiro na aprovação do novo embaixador”, disse.
Na avaliação de Coelho, a deterioração das relações políticas tende a afetar ainda mais um cenário comercial que já vinha sendo pressionado pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos.
“Isso retroalimenta tanto a crise diplomática quanto a comercial. É mais uma forma de pressão dos Estados Unidos sobre o Brasil, inclusive em um momento próximo às eleições”, afirmou.
Apesar da crise política, o especialista acredita que as negociações comerciais devem continuar, principalmente por meio do setor privado.
Segundo ele, empresas brasileiras e consultorias especializadas vêm conduzindo as conversas diretamente com órgãos do governo americano, enquanto a atuação da embaixada brasileira ocorre de forma complementar.
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Siga o Times | CNBC“Quem tem mantido as negociações são as empresas e seus consultores. A embaixada brasileira atua mais como apoio nesse processo. Por isso, as tratativas comerciais tendem a continuar, mesmo com o agravamento da crise diplomática”, explicou.
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Ele ponderou, no entanto, que a influência do secretário de Estado Marco Rubio pode dificultar qualquer avanço.
“Se prevalecer a posição de Marco Rubio, qualquer tentativa de acordo poderá continuar sendo bloqueada, independentemente das ações brasileiras”, afirmou.
Na avaliação de Coelho, o cenário mais provável é de manutenção do impasse diplomático até, pelo menos, as eleições brasileiras.
“Não vejo como haver conversas de alto nível depois de um ato tão violento do ponto de vista das relações internacionais. A área diplomática ficará bastante fragilizada”, disse.
Segundo o professor, outras áreas da relação bilateral, como a cooperação militar, devem continuar funcionando normalmente, enquanto a frente política tende a permanecer paralisada.
Durante a entrevista, Coelho também comentou a decisão do Itamaraty de vetar a indicação de uma nova cônsul-geral de Israel em São Paulo.
Para ele, a política externa brasileira sempre foi marcada por um perfil pragmático, mas o atual posicionamento em relação a Israel pode gerar novos desgastes internacionais. “Ainda precisamos entender qual é o objetivo dessa decisão. Em uma análise preliminar, não vejo qual vantagem política ou diplomática o Brasil obtém ao agir dessa forma”, afirmou.
Ao analisar os próximos meses, Coelho afirmou que o comportamento de Donald Trump indica que novas medidas podem ocorrer caso o impasse permaneça. “Os atos de Trump deixaram de ser surpreendentes. Também não me surpreenderia se as relações entre Brasil e Estados Unidos piorassem ainda mais até outubro”, concluiu.
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