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Inflação mais fraca nos EUA não elimina risco de alta dos juros, avalia ex-Fed

Publicado 14/07/2026 • 13:40 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Queda da inflação reduz pressão imediata, mas Fed segue dividido sobre próximos passos da política monetária.
  • Especialista vê possibilidade de alta dos juros nos próximos meses, dependendo da evolução dos indicadores.
  • Movimentos do Fed podem manter pressão sobre dólar, mercados e ativos brasileiros.

A desaceleração da inflação americana reduz a pressão imediata sobre o Federal Reserve (Fed), mas ainda não afasta a possibilidade de alta dos juros nos Estados Unidos, afirmou nesta terça-feira (14) Benjamim Mandel, head de Research da Jubarte Capital e ex-economista do banco central americano, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Segundo ele, a autoridade monetária permanece dividida entre combater a inflação, preservar o crescimento econômico e recuperar sua credibilidade.

“Os dados de inflação e do mercado de trabalho sugerem uma extensão desse período de espera, mas ainda existe risco de alta dos juros, dependendo da evolução dos próximos indicadores”, afirmou.

Fed segue dividido

Mandel explicou que hoje existem diferentes correntes dentro do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), responsável pelas decisões de política monetária. Segundo ele, um grupo mantém forte preocupação com a inflação acima da meta, outro avalia que a economia americana continua resiliente e um terceiro busca fortalecer a credibilidade do banco central.

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“Há membros que continuam preocupados com uma inflação acima de 2% há vários anos. Outros entendem que a economia segue aquecida, enquanto a nova liderança também quer reforçar a credibilidade do Fed no combate à inflação”, disse.

Na avaliação do economista, os dados mais recentes reduzem a urgência de um aperto monetário, mas não mudam completamente o cenário. Para ele, uma eventual alta dos juros pode apenas ser adiada para reuniões posteriores.

“Se esse comportamento mais fraco da inflação continuar, talvez uma alta aconteça mais adiante. Ainda não existe um consenso dominante dentro do comitê”, afirmou.

Inflação como escolha

Ao comentar a declaração do presidente do Fed, Kevin Warsh, de que “a inflação é uma escolha”, Mandel afirmou que a frase faz referência à visão monetarista segundo a qual os bancos centrais conseguem controlar a inflação no longo prazo por meio da política monetária.

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“No longo prazo, o Fed dispõe das ferramentas necessárias para conduzir a inflação à meta. No curto prazo, porém, existem choques econômicos que exigem flexibilidade e tornam esse processo mais complexo”, explicou.

Segundo ele, fatores como conflitos geopolíticos, oscilações no petróleo e outros eventos podem provocar desvios temporários da inflação, mesmo com uma política monetária consistente.

Reflexos para o Brasil

Mandel afirmou que uma eventual elevação dos juros americanos tende a pressionar os mercados financeiros internacionais, incluindo o Brasil. Ainda assim, ele acredita que qualquer ciclo de aperto monetário deverá ser limitado.

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“Se houver alta dos juros, o movimento provavelmente será moderado, talvez entre 50 e 100 pontos-base. Não vejo um ciclo prolongado de aperto monetário”, avaliou.

Para o economista, juros mais elevados nos Estados Unidos podem gerar impactos negativos de curto prazo sobre ativos brasileiros e sobre o fluxo de capitais, mas esse efeito tende a perder força caso o Fed consiga consolidar a inflação em níveis mais baixos.

“Existe um risco de juros mais altos no curto prazo, mas qualquer ciclo de alta deverá ter limites e poderá contribuir para uma inflação mais controlada no médio prazo”, concluiu.

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