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Iraque pressiona Opep e pode acelerar disputa por mercado de petróleo; entenda
Publicado 26/06/2026 • 12:00 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 26/06/2026 • 12:00 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
A ameaça do Iraque de abandonar a Opep caso não consiga ampliar sua cota de produção reflete a necessidade do país de elevar suas receitas após os prejuízos provocados pelas tensões no Oriente Médio, afirmou Bruno Valêncio, diretor fundador da VPricing Combustíveis. Para ele, a iniciativa também funciona como instrumento de pressão sobre o cartel para obter maior liberdade na produção e comercialização de petróleo.
Em entrevista ao Times Brasil Licenciado Exclusivo CNBC nesta sexta-feira (26), Valêncio disse que a situação financeira do Iraque foi agravada pelas dificuldades de produção e exportação durante o período de conflito entre Irã e Estados Unidos, levando o país a buscar maior autonomia para aproveitar a retomada do fluxo no Estreito de Ormuz.
Na avaliação do especialista, o movimento segue a mesma lógica adotada pelos Emirados Árabes Unidos, que deixaram a organização sem anunciar previamente a decisão. Ele destacou que, diferentemente do episódio anterior, o Iraque utiliza a possibilidade de saída como forma de negociar benefícios econômicos e políticos.
Leia também: Chefe da OPEP rejeita previsão da AIE sobre excesso de oferta enquanto “crítico” Estreito de Ormuz é reaberto
“Eles querem ter essa liberdade realmente agora de poder produzir e exportar o seu petróleo da forma mais expansiva possível para poder amenizar uma questão financeira interna”, explicou.
Para Valêncio, a ameaça ainda não significa que o Iraque tenha decidido deixar a organização, mas já representa um desgaste para a credibilidade da Opep.
“Eu acho que eles não têm ainda a intenção de sair, mas para o cartel isso é muito ruim. O Iraque está usando essa forma de pressionar a Opep para que eles possam também ter algum benefício econômico e político em relação ao petróleo e à forma como eles produzem e vendem isso”, ressaltou.
O diretor da VPricing Combustíveis afirmou que a descoberta de novas reservas em países fora da Opep deve aumentar a concorrência entre produtores ao longo da próxima década, reduzindo gradualmente a capacidade da organização de influenciar os preços internacionais do petróleo.
Ele citou como exemplos novos projetos no Brasil e no México, além do crescimento da produção em outros mercados, cenário que, segundo ele, tende a ampliar a oferta mundial da commodity.
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“Nós teremos muito mais oferta de petróleo ao longo dos anos, de dez a quinze anos. Isso vai gerar uma concorrência maior entre todos os países produtores”, pontuou.
Apesar da perspectiva de maior competição e possível pressão sobre as margens da indústria, Valêncio acredita que o Brasil possui uma vantagem estratégica pela qualidade do petróleo extraído do pré-sal.
Segundo ele, a matéria-prima brasileira permite a produção de derivados com menor teor de enxofre e menor impacto ambiental, o que pode agregar valor mesmo em um cenário de preços internacionais mais baixos.
“Essa perda de margem por queda do petróleo vai ter que ser compensada pela qualidade do produto. O nosso petróleo brasileiro, no pré-sal, é um petróleo de boa qualidade”, destacou.
Leia também: Estratégia econômica: Emirados Árabes afirmam que deixar Opep não foi decisão política
Na avaliação do especialista, a tendência é que a competitividade dos países produtores dependa cada vez menos do volume exportado e mais da capacidade de oferecer derivados de maior valor agregado.
“O Brasil se destaca nesse sentido em relação ao petróleo, pela qualidade do produto. É um produto que tem capacidade de refinar produtos menos nocivos, atendendo até a um apelo hoje mundial acerca do meio ambiente”, concluiu.
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