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Jogadores do Palmeiras cobram governo do Paraguai após crise do Ueno Bank
Publicado 04/11/2026 • 19:25 | Atualizado há 52 minutos
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Publicado 04/11/2026 • 19:25 | Atualizado há 52 minutos
KEY POINTS
Montagem
Os jogadores do Palmeiras Gustavo Gómez, Maurício e Ramón Sosa cobraram uma resposta imediata do governo e da Justiça do Paraguai após a intervenção do Banco Central no Ueno Bank.
Em carta aberta publicada nesta quarta-feira (4), os atletas, que também integram a seleção paraguaia, manifestaram solidariedade aos clientes que tiveram recursos retidos e afirmaram que também foram afetados pela crise financeira da instituição.
Os jogadores demonstraram preocupação com os impactos sobre os poupadores, especialmente aposentados e pessoas de menor renda. Também defenderam transparência na atuação das autoridades e responsabilização dos envolvidos.
“Somos jogadores da Seleção Paraguaia de Futebol, mas, acima de tudo, somos paraguaios. Filhos desta terra que amamos. E hoje, como paraguaios antes de futebolistas, sentimos a necessidade de falar com o coração aberto”, diz o início da carta.
Os atletas criticaram os efeitos da crise sobre a população e destacaram que os recursos retidos representam o esforço de famílias inteiras. “Atrás de cada número há pessoas, há famílias, há sonhos e há toda uma vida de esforço que merece respeito”, afirmaram.
Em outro trecho, os jogadores disseram compartilhar a situação dos clientes atingidos. “Queremos que saibam algo com clareza: nós também fomos vítimas desta situação, assim como muitas famílias paraguaias. Compartilhamos a mesma indignação, a mesma preocupação e o mesmo sofrimento que hoje afetam tantos compatriotas.”
O grupo também cobrou uma atuação conjunta das instituições. “Exigimos, com firmeza, que o Governo e a Justiça atuem de maneira imediata, transparente e sem distinções. Precisamos de uma resposta contundente”, escreveram.
Na carta, os atletas defenderam que a crise não comprometa a imagem do Paraguai e pediram punição aos responsáveis. Ao final, afirmaram que cada um avaliará individualmente as medidas legais cabíveis caso tenha sido diretamente prejudicado.

A manifestação ocorre após o Banco Central do Paraguai assumir o controle do Ueno Bank, uma das principais instituições financeiras do país e maior emissora de cartões de crédito.
A decisão foi tomada na madrugada de terça-feira (3), depois que a autoridade monetária identificou problemas de solvência no banco.
O conselho do Banco Central aprovou por unanimidade a entrada da instituição em regime de resolução. A medida transferiu sua gestão a funcionários responsáveis por avaliar as condições financeiras do banco e proteger seus ativos.
Leia também: Crise do Ueno Bank se espalha e Paraguai suspende resgates de 13 fundos de investimento
O Ueno Bank possui aproximadamente 3 milhões de clientes, quase metade da população paraguaia. Em junho, a instituição informava ter mais de 2,9 milhões de correntistas e processar mais de 3 milhões de transações por dia.
O Banco Central afirmou que a intervenção busca “proteger os depositantes e preservar a estabilidade do sistema financeiro”. A autoridade monetária também declarou que o problema é isolado e que o restante do sistema bancário do país permanece saudável.
A decisão, porém, deixou clientes sem acesso aos depósitos e provocou filas em agências de diferentes cidades. Em Assunção, correntistas procuraram unidades do banco para tentar retirar o dinheiro, enquanto o sistema de transações eletrônicas apresentava falhas.
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Siga o Times | CNBCO impacto também alcançou o Instituto de Previdência Social (IPS). Mais de 32 mil aposentados recebiam benefícios por meio do Ueno Bank, que mantinha cerca de US$ 300 milhões em recursos do órgão.
Leia também: Ueno Bank: Clientes acordaram sem acesso ao próprio dinheiro após colapso de banco no Paraguai
O Banco Central informou que depósitos de até 228 milhões de guaranis, equivalentes a aproximadamente US$ 37,4 mil, estão cobertos pela garantia governamental. Segundo as autoridades, cerca de 97% dos depositantes se enquadram nesse limite.
A intervenção provocou manifestações em Assunção e em frente à residência oficial do presidente Santiago Peña. Clientes e aposentados cobraram a devolução dos recursos retidos, com faixas e gritos de protesto contra o governo.
Parte dos manifestantes avançou em direção à sede do Congresso Nacional e foi contida pela Polícia Nacional. Também houve confrontos com agentes de segurança, segundo informações divulgadas pelo jornal paraguaio ABC Color.
O Ministério Público abriu uma investigação sobre suspeitas de abuso de confiança e outros crimes relacionados à instituição. Promotores determinaram a prisão de pelo menos oito pessoas ligadas ao banco, incluindo o presidente do Ueno, Juan Manuel Gustale, e o diretor-executivo Federico Miguel Vázquez Villasanti. Outros dois diretores também foram detidos na terça-feira.
Leia também: Crise em banco ligado ao presidente do Paraguai derruba chefe do BC
A crise chegou ao comércio. A associação paraguaia de importadores e varejistas alertou para o risco de paralisação parcial das atividades, uma vez que dois terços das transações eletrônicas das grandes redes varejistas eram realizadas por meio de contas do Ueno.
A situação também ampliou a pressão política sobre o presidente Santiago Peña. Parlamentares da oposição e dissidentes do partido governista apresentaram uma moção para destituí-lo, sob alegações de má conduta e conflito de interesses.
Peña havia sido investidor da holding que controlava o Ueno Bank, mas vendeu sua participação em março de 2025. O pedido de destituição recebeu 35 assinaturas de parlamentares da oposição, segundo o deputado Mauricio Espínola, que falou à agência AFP.
Para que a proposta avance, são necessários pelo menos 53 votos entre os 80 integrantes da Câmara dos Deputados. Caso seja aprovada, a medida seguirá para o Senado, onde precisará do apoio de 30 dos 45 parlamentares.
O presidente também anunciou mudanças na direção do Banco Central. Após pedir a renúncia de Carlos Carvallo, que havia presidido o Ueno antes de assumir a autoridade monetária, Peña indicou Raúl Vera Bogado para comandar a instituição, além de Pedro Acosta e Étsel González para a diretoria.
Em manifestação nas redes sociais, Peña afirmou compreender a preocupação dos clientes e reconheceu a importância das economias retidas. “Por trás de cada poupança estão os esforços e o trabalho de milhares de paraguaios”, declarou.
A crise mantém clientes, autoridades e setores econômicos em alerta enquanto o Banco Central conduz o processo de resolução do Ueno Bank e organiza a proteção dos depósitos.
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