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Jogadores do Palmeiras cobram governo do Paraguai após crise do Ueno Bank

Publicado 04/11/2026 • 19:25 | Atualizado há 52 minutos

KEY POINTS

  • Mais de 32 mil aposentados recebiam benefícios pelo Ueno Bank, que mantinha cerca de US$ 300 milhões em recursos do instituto previdenciário paraguaio.
  • A garantia governamental cobre depósitos de até 228 milhões de guaranis, valor equivalente a aproximadamente US$ 37,4 mil.
  • O pedido de destituição de Santiago Peña reuniu 35 assinaturas e precisa de 53 votos na Câmara dos Deputados para avançar.

Montagem

Os jogadores do Palmeiras Gustavo Gómez, Maurício e Ramón Sosa cobraram uma resposta imediata do governo e da Justiça do Paraguai após a intervenção do Banco Central no Ueno Bank.

Em carta aberta publicada nesta quarta-feira (4), os atletas, que também integram a seleção paraguaia, manifestaram solidariedade aos clientes que tiveram recursos retidos e afirmaram que também foram afetados pela crise financeira da instituição.

Os jogadores demonstraram preocupação com os impactos sobre os poupadores, especialmente aposentados e pessoas de menor renda. Também defenderam transparência na atuação das autoridades e responsabilização dos envolvidos.

“Somos jogadores da Seleção Paraguaia de Futebol, mas, acima de tudo, somos paraguaios. Filhos desta terra que amamos. E hoje, como paraguaios antes de futebolistas, sentimos a necessidade de falar com o coração aberto”, diz o início da carta.

Os atletas criticaram os efeitos da crise sobre a população e destacaram que os recursos retidos representam o esforço de famílias inteiras. “Atrás de cada número há pessoas, há famílias, há sonhos e há toda uma vida de esforço que merece respeito”, afirmaram.

Em outro trecho, os jogadores disseram compartilhar a situação dos clientes atingidos. “Queremos que saibam algo com clareza: nós também fomos vítimas desta situação, assim como muitas famílias paraguaias. Compartilhamos a mesma indignação, a mesma preocupação e o mesmo sofrimento que hoje afetam tantos compatriotas.”

O grupo também cobrou uma atuação conjunta das instituições. “Exigimos, com firmeza, que o Governo e a Justiça atuem de maneira imediata, transparente e sem distinções. Precisamos de uma resposta contundente”, escreveram.

Na carta, os atletas defenderam que a crise não comprometa a imagem do Paraguai e pediram punição aos responsáveis. Ao final, afirmaram que cada um avaliará individualmente as medidas legais cabíveis caso tenha sido diretamente prejudicado.

Intervenção no Ueno Bank provoca crise no Paraguai

A manifestação ocorre após o Banco Central do Paraguai assumir o controle do Ueno Bank, uma das principais instituições financeiras do país e maior emissora de cartões de crédito.

A decisão foi tomada na madrugada de terça-feira (3), depois que a autoridade monetária identificou problemas de solvência no banco.

O conselho do Banco Central aprovou por unanimidade a entrada da instituição em regime de resolução. A medida transferiu sua gestão a funcionários responsáveis por avaliar as condições financeiras do banco e proteger seus ativos.

Leia também: Crise do Ueno Bank se espalha e Paraguai suspende resgates de 13 fundos de investimento

O Ueno Bank possui aproximadamente 3 milhões de clientes, quase metade da população paraguaia. Em junho, a instituição informava ter mais de 2,9 milhões de correntistas e processar mais de 3 milhões de transações por dia.

O Banco Central afirmou que a intervenção busca “proteger os depositantes e preservar a estabilidade do sistema financeiro”. A autoridade monetária também declarou que o problema é isolado e que o restante do sistema bancário do país permanece saudável.

A decisão, porém, deixou clientes sem acesso aos depósitos e provocou filas em agências de diferentes cidades. Em Assunção, correntistas procuraram unidades do banco para tentar retirar o dinheiro, enquanto o sistema de transações eletrônicas apresentava falhas.

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O impacto também alcançou o Instituto de Previdência Social (IPS). Mais de 32 mil aposentados recebiam benefícios por meio do Ueno Bank, que mantinha cerca de US$ 300 milhões em recursos do órgão.

Leia também: Ueno Bank: Clientes acordaram sem acesso ao próprio dinheiro após colapso de banco no Paraguai

O Banco Central informou que depósitos de até 228 milhões de guaranis, equivalentes a aproximadamente US$ 37,4 mil, estão cobertos pela garantia governamental. Segundo as autoridades, cerca de 97% dos depositantes se enquadram nesse limite.

Protestos e investigação criminal

A intervenção provocou manifestações em Assunção e em frente à residência oficial do presidente Santiago Peña. Clientes e aposentados cobraram a devolução dos recursos retidos, com faixas e gritos de protesto contra o governo.

Parte dos manifestantes avançou em direção à sede do Congresso Nacional e foi contida pela Polícia Nacional. Também houve confrontos com agentes de segurança, segundo informações divulgadas pelo jornal paraguaio ABC Color.

O Ministério Público abriu uma investigação sobre suspeitas de abuso de confiança e outros crimes relacionados à instituição. Promotores determinaram a prisão de pelo menos oito pessoas ligadas ao banco, incluindo o presidente do Ueno, Juan Manuel Gustale, e o diretor-executivo Federico Miguel Vázquez Villasanti. Outros dois diretores também foram detidos na terça-feira.

Leia também: Crise em banco ligado ao presidente do Paraguai derruba chefe do BC

A crise chegou ao comércio. A associação paraguaia de importadores e varejistas alertou para o risco de paralisação parcial das atividades, uma vez que dois terços das transações eletrônicas das grandes redes varejistas eram realizadas por meio de contas do Ueno.

Crise aumenta pressão sobre Santiago Peña

A situação também ampliou a pressão política sobre o presidente Santiago Peña. Parlamentares da oposição e dissidentes do partido governista apresentaram uma moção para destituí-lo, sob alegações de má conduta e conflito de interesses.

Peña havia sido investidor da holding que controlava o Ueno Bank, mas vendeu sua participação em março de 2025. O pedido de destituição recebeu 35 assinaturas de parlamentares da oposição, segundo o deputado Mauricio Espínola, que falou à agência AFP.

Para que a proposta avance, são necessários pelo menos 53 votos entre os 80 integrantes da Câmara dos Deputados. Caso seja aprovada, a medida seguirá para o Senado, onde precisará do apoio de 30 dos 45 parlamentares.

O presidente também anunciou mudanças na direção do Banco Central. Após pedir a renúncia de Carlos Carvallo, que havia presidido o Ueno antes de assumir a autoridade monetária, Peña indicou Raúl Vera Bogado para comandar a instituição, além de Pedro Acosta e Étsel González para a diretoria.

Em manifestação nas redes sociais, Peña afirmou compreender a preocupação dos clientes e reconheceu a importância das economias retidas. “Por trás de cada poupança estão os esforços e o trabalho de milhares de paraguaios”, declarou.

A crise mantém clientes, autoridades e setores econômicos em alerta enquanto o Banco Central conduz o processo de resolução do Ueno Bank e organiza a proteção dos depósitos.

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