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Nova geração democrata rompe hegemonias republicanas e ganha força nos EUA

Publicado 04/11/2026 • 18:20 | Atualizado há 38 minutos

KEY POINTS

  • Vitórias em redutos republicanos revelam novos nomes do Partido Democrata e alteram o equilíbrio político nos Estados Unidos.
  • James Talarico conquista vaga histórica no Senado pelo Texas, enquanto Gina Hinojosa e Keisha Lance Bottoms vencem governos estaduais.
  • A apuração ainda tem vagas indefinidas, mas democratas já asseguraram maiorias na Câmara e no Senado, segundo balanço parcial.

Foto: Divulgação / Partido Democrata EUA

A vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas na terça-feira (3), abriu espaço para uma nova leva de lideranças políticas, com conquistas inéditas em estados tradicionalmente republicanos. Entre os vencedores estão candidatos com perfis que vão do progressismo à moderação e trajetórias ligadas à medicina, à religião e ao jornalismo.

No Texas, dois resultados simbolizam a mudança. James Talarico, de 37 anos, derrotou Ken Paxton e se tornou o primeiro democrata eleito senador pelo estado desde 1988. Já Gina Hinojosa, de 52 anos, venceu o governador republicano Greg Abbott e será a primeira mulher latina a comandar o Texas, além da primeira mulher no cargo desde 1991.

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A onda também levou Keisha Lance Bottoms, de 56 anos, ao governo da Geórgia. Ex-prefeita de Atlanta, ela derrotou Rick Jackson e se tornou a primeira mulher negra eleita governadora de um estado americano. Sua vitória ainda encerra um domínio republicano na Geórgia que vinha desde a derrota de Roy Barnes em 2002.

Texas reúne duas das principais viradas

Ex-integrante de um seminário religioso, Talarico já ocupava uma cadeira na Câmara estadual desde 2018 e fez campanha com propostas para educação pública, saúde e redução do custo de vida. Ao tomar posse no Senado federal, será o integrante mais jovem da Casa. Em seus discursos, recorreu à Bíblia e chegou a comparar Paxton a Golias.

A disputa texana mobilizou cifras elevadas. Até meados de outubro, a campanha democrata havia arrecadado mais de US$ 146,3 milhões (R$ 800,3 milhões), enquanto o Senate Leadership Fund, favorável aos republicanos, recebeu US$ 158 milhões (R$ 864,3 milhões) apenas de Elon Musk.

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Hinojosa, de ascendência mexicana e nascida no Vale do Rio Grande, apostou em críticas à corrupção, aos custos para as famílias e aos centros de dados de inteligência artificial. Entre suas propostas esteve um pagamento único de US$ 1,5 mil (R$ 8,2 mil) para cada um dos quase 32 milhões de moradores do Texas, financiado, segundo ela, com recursos da reserva de emergência estadual.

Geórgia e Ohio ampliam a lista de vitórias

Na Geórgia, Bottoms enfrentou questionamentos dentro do próprio partido sobre sua gestão em Atlanta, marcada por críticas à criminalidade e à popularidade da então prefeita. Na campanha estadual, procurou associar Donald Trump ao aumento dos preços dos combustíveis e dos custos da saúde.

O estado também reelegeu o senador Jon Ossoff, de 39 anos, que derrotou o republicano Mike Collins. Ex-jornalista investigativo, ele atribuiu o avanço democrata à rejeição ao governo Trump. “Em vitórias avassaladoras e decisivas, o povo americano repudiou a depravação, a corrupção e a incompetência do fracassado presidente ‘pato manco’”, declarou.

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Em Ohio, a médica Amy Acton, de 60 anos, superou Vivek Ramaswamy na eleição para governadora. Ex-chefe do Departamento de Saúde estadual durante a pandemia, colocou o atendimento médico no centro de sua plataforma. A campanha foi marcada por um anúncio do adversário envolvendo a mãe de Acton e acusações relacionadas à infância da candidata, peça que ela classificou como “desprezível”.

Novos perfis chegam ao Senado

Em Michigan, Abdul El-Sayed, de 42 anos, será o primeiro muçulmano a ocupar uma cadeira no Senado. Médico e ex-dirigente de departamentos de saúde em Detroit, venceu uma primária disputada contra Haley Stevens e recebeu apoio de nomes progressistas como Alexandria Ocasio-Cortez. Sua posição antissionista provocou resistência de lideranças judaicas e oposição financeira do AIPAC.

Ao reagir à influência do dinheiro na disputa, El-Sayed sustentou: “Dinheiro não compra uma mensagem. Dinheiro não compra a verdade. Dinheiro não compra o povo.” Sua candidatura integra uma ala que pretende reformular a posição do Partido Democrata sobre saúde e Israel.

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No Kansas, o pastor Adam Hamilton, de 62 anos, que começou 2026 registrado como republicano, derrotou Roger Marshall e se tornou o primeiro democrata eleito senador pelo estado desde 1932. Ele procurou se afastar das posições nacionais do partido e atrair moderados. “Se eu for eleito, como um democrata moderado ou independente, trabalharei em conjunto com a oposição”, declarou em debate em outubro.

Carolina do Sul e o novo mapa político

A pediatra Annie Andrews, de 46 anos, venceu na Carolina do Sul após iniciar, em maio de 2025, uma campanha considerada improvável contra Lindsey Graham. Ela concentrou críticas no secretário de Saúde Robert F. Kennedy Jr., prometeu buscar seu impeachment e responsabilizou o governo Trump por um surto de sarampo que atingiu mil crianças no estado em 2025.

Depois da morte repentina de Graham, em julho, a republicana Darline Graham assumiu a candidatura. Andrews passou a apresentá-la como escolha direta de Trump e reforçou o discurso de mudança. O resultado se somou às conquistas democratas em regiões nas quais o partido enfrentava resistência histórica.

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Até o fim da manhã desta quarta-feira (4), o balanço parcial indicava 54 cadeiras democratas no Senado, contra 44 republicanas, com duas ainda indefinidas. Na Câmara, eram 228 democratas e 139 republicanos, com 68 disputas pendentes. Entre os 36 estados que escolheram governadores, o Partido Democrata havia vencido em 22 e o Republicano em 12, enquanto dois pleitos continuavam em aberto.

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