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Juros dos títulos britânicos sobem com aumento do endividamento e desafio à liderança de Starmer

Publicado 19/06/2026 • 11:50 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Ex-prefeito da Grande Manchester, Andy Burnham, será deputado após vitória expressiva em eleição suplementar.
  • Vitória abre caminho para uma disputa pela liderança do Partido Trabalhista contra o primeiro-ministro Keir Starmer.
  • Governo de Starmer perde popularidade, mas desafio de Burnham aumenta riscos para a disciplina fiscal do Reino Unido.

PxHere

Andy Burnham venceu uma eleição suplementar para o Parlamento britânico, abrindo caminho para desafiar o primeiro-ministro Keir Starmer pela liderança do Partido Trabalhista.

Burnham, ex-prefeito da Grande Manchester pelo Partido Trabalhista, derrotou o partido Reform UK por mais de 9 mil votos, conquistando quase 55% dos votos na eleição realizada em Makerfield, no noroeste da Inglaterra.

Agora, Burnham pode iniciar um desafio à liderança de Starmer já na próxima semana, após ser oficialmente empossado como membro do Parlamento. Para isso, ele precisará do apoio de pelo menos 81 parlamentares trabalhistas.

Uma figura de destaque da ala esquerda do partido, frequentemente apelidado de “Rei do Norte” do Partido Trabalhista, Burnham afirmou em seu discurso de vitória que Makerfield era “não um degrau, mas uma referência”, prometendo colocar comunidades negligenciadas no centro de sua atuação política.

Em seu discurso de aceitação da vitória, Burnham deu sinais de que pode disputar a liderança do partido.

Ele disse que o resultado representa uma “chance de construir uma nova política, baseada em união e esperança”, além de uma oportunidade de se afastar “do caminho que leva a uma política dividida e sombria, como a que vemos nos Estados Unidos”.

“Precisamos colocar o país novamente no caminho certo”, afirmou.

Leia também: Starmer quer retomar iniciativa no Reino Unido após derrota nas eleições locais

Disciplina fiscal do Reino Unido entra no radar

Embora a vitória de Burnham já fosse amplamente esperada, o resultado levanta uma série de questões imediatas para os mercados, afirmou Kallum Pickering, economista-chefe da Peel Hunt.

O mercado deve acompanhar especialmente se um eventual governo liderado por Burnham manteria as atuais regras fiscais do Partido Trabalhista e se sua agenda política poderia aumentar as pressões inflacionárias.

O movimento ocorre enquanto dados oficiais mostram um aumento inesperado no endividamento público do Reino Unido. O Escritório de Responsabilidade Orçamentária revelou nesta sexta-feira que o déficit orçamentário britânico chegou a £23,3 bilhões (US$ 30,8 bilhões) em maio, o maior nível para o mês em seis anos e bem acima da previsão de £18,9 bilhões feita por economistas.

Leia também: Economia do Reino Unido encolhe em abril com impacto do conflito no Irã sobre o crescimento

No mês passado, Burnham tentou tranquilizar investidores ao recuar de comentários anteriores nos quais afirmou que o Reino Unido estava “refém dos mercados de títulos”.

Pickering disse não esperar que Burnham indique uma ruptura com o atual modelo de controle de dívida e gastos públicos, mas alertou que investidores ainda podem exigir uma compensação maior pelo risco de inflação nos títulos do governo britânico.

“Espero ver algum prêmio de inflação”, afirmou Pickering ao programa “Europe Early Edition”, da CNBC, apontando possíveis pressões tanto sobre títulos de curto quanto de longo prazo, conhecidos como Gilts.

O rendimento dos Gilts de 10 anos, referência para os empréstimos do governo britânico, subiu mais de 8 pontos-base nesta sexta-feira, chegando a 4,8394%. Os rendimentos dos títulos de 2 e 30 anos também avançaram.

Matthew Ryan, chefe de estratégia de mercado da Ebury, afirmou que os mercados estão subestimando o risco de Burnham testar as regras fiscais britânicas relacionadas a gastos públicos, impostos de renda e endividamento.

“Há muito pouco espaço fiscal, muito pouca margem de manobra para o governo neste momento”, disse ele ao programa “Squawk Box Europe”, da CNBC, destacando que o próximo grande teste para o governo trabalhista será o orçamento de outono.

“Vemos mais riscos de queda para os ativos do Reino Unido”, acrescentou.

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Pickering afirmou ainda que o mercado deve observar a relação entre os rendimentos dos títulos e a libra esterlina.

“Temos enfrentado no Reino Unido uma situação infelizmente muito familiar, em que políticas ruins elevam os juros e pressionam a libra para baixo. É isso que precisa ser acompanhado”, disse.

Leia também: Starmer diz que Reino Unido ampliou presença militar no Oriente Médio diante da escalada do conflito

Disputa pela liderança pode aumentar incertezas

O cronograma de uma eventual disputa pela liderança também pode ser decisivo.

Uma transição organizada poderia limitar os impactos nos mercados caso figuras importantes do Partido Trabalhista concluam que Starmer não tem mais apoio suficiente.

No entanto, Pickering afirmou que uma disputa prolongada entre Starmer e Burnham poderia deixar investidores aguardando maior clareza sobre medidas envolvendo impostos, gastos e endividamento.

Segundo ele, uma questão central é quem ocuparia o cargo de ministro das Finanças em um eventual gabinete de Burnham e como isso influenciaria a política econômica do país.

“A incerteza, para mim, não está no que acontece depois em Downing Street, mas no que acontece ao lado, no número 11”, afirmou Pickering, em referência à residência tradicional do chanceler do Tesouro britânico.

Leia mais: Ministro britânico da Defesa renuncia por desacordo com Starmer sobre investimento militar

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