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Payroll forte coloca em xeque expectativa de corte de juros nos EUA
Publicado 04/09/2026 • 15:28 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 04/09/2026 • 15:28 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
O payroll de agosto muito acima das expectativas colocou em dúvida a continuidade da desaceleração do mercado de trabalho dos Estados Unidos e dificulta uma redução dos juros pelo Federal Reserve (Fed), afirmou Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos.
Em entrevista nesta sexta-feira (4) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Perri explicou que diferentes indicadores vinham sustentando a expectativa de perda gradual de força da economia americana, cenário que foi contrariado pela criação de 162 mil postos de trabalho em agosto.
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“O número veio acima de forma significativa. A gente tinha diversos recados da própria economia americana que sugeriam uma moderação nesse indicador, nessa geração líquida de postos de trabalho”, afirmou.
Segundo Perri, o próprio mercado de trabalho vinha mostrando perda de ritmo não apenas nos resultados mensais, mas também quando consideradas médias móveis trimestrais e áreas importantes, como o setor de serviços.
A tendência encontrava respaldo em outros indicadores. “Essa moderação da geração de postos de trabalho não vinha sozinha. Ela vinha acompanhada de sinais de moderação nos próprios indicadores de atividade, como comércio, indústria, os PMIs, dentre outros”, explicou.
Na leitura do economista, a combinação de juros ainda elevados para os padrões americanos com a pressão do petróleo sobre a inflação apontava para uma economia em desaceleração. Por isso, embora já fosse esperado um resultado melhor do que o anterior, a intensidade da recuperação surpreendeu.
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“Estruturalmente se esperava essa tendência contínua de moderação do mercado de trabalho americano”, destacou Perri.
O economista chamou atenção principalmente para o comportamento do setor privado. “O setor privado trouxe uma criação de postos de trabalho muito acima do esperado e que, digamos assim, não conversou com o ritmo que ele mesmo vinha apresentando”, disse.
Agora, segundo Perri, será necessário observar os próximos dados para determinar se agosto representou uma retomada mais persistente da criação de empregos ou apenas uma oscilação pontual antes de uma nova desaceleração.
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Apesar das oscilações na criação de vagas, Perri ressaltou que a economia americana não passou a destruir empregos de maneira consistente, o que ajuda a explicar a estabilidade da taxa de desemprego.
“A economia americana gerava menos postos de trabalho, mas em nenhum momento ela destruiu de forma consistente postos de trabalho”, pontuou.
Segundo o economista, o Fed busca há alguns anos uma aproximação da taxa de desemprego ao chamado nível natural, no qual o mercado de trabalho deixa de produzir pressão excessiva sobre os salários.
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Siga o Times | CNBCO problema, segundo Perri, é que esse equilíbrio ainda não foi alcançado. “Os trabalhadores conseguem renegociar seus salários acima da inflação, mantêm seu poder de compra e sancionam a alta de preços. E aí a inflação cede muito mais devagar do que o Banco Central gostaria”, explicou.
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Esse quadro aumenta a importância dos próximos indicadores para a decisão do Federal Reserve, já que um mercado de trabalho resistente reduz o espaço para flexibilizar a política monetária sem ampliar novamente as pressões inflacionárias.
Perri também analisou as declarações do presidente Donald Trump, que voltou a defender uma redução dos juros americanos após a divulgação do payroll e relacionou sua cobrança aos déficits comerciais mantidos pelos Estados Unidos com outros países.
Para o economista, existe uma contradição entre a força mostrada pelo mercado de trabalho e a defesa de juros menores. “O certo seria ele militar pelo corte de juros se o mercado de trabalho estivesse enfraquecendo e não mostrando força”, afirmou.
Perri explicou que Trump considera os juros elevados um fator de fortalecimento do dólar, o que prejudicaria a competitividade americana e aprofundaria déficits comerciais. Nesse contexto, ressaltou que o Brasil não integra esse grupo de países, porque mantém a relação comercial inversa.
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“O Brasil não é um deles. O Brasil é que tem déficit com os Estados Unidos. O Brasil compra mais dos americanos do que vende”, lembrou.
Na avaliação de Perri, uma eventual tentativa dos Estados Unidos de reduzir drasticamente as compras de países como a China enfrentaria limitações econômicas importantes, sobretudo porque o mercado de trabalho americano já opera com baixo desemprego e pouca capacidade ociosa.
“Como ele vai cortar as importações da China, sendo que é um país que já está aquecido, com a economia relativamente aquecida quando a gente pensa em utilização da capacidade produtiva?”, questionou.
A substituição rápida das importações pela produção doméstica, segundo ele, poderia provocar escassez de produtos e forte aumento dos preços, produzindo justamente o efeito contrário ao pretendido pela defesa de juros menores.
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“Ia faltar produto nas prateleiras, seria altamente inflacionário. O produto produzido dentro dos Estados Unidos encareceria sobremaneira e isso faria com que o próprio Federal Reserve tivesse que aumentar juros ainda mais”, ressaltou.
Perri foi enfático ao avaliar a proposta. “Com todo respeito ao presidente Trump, o tweet dele é uma agressão à teoria econômica nesse sentido”, afirmou. Para o economista, embora a defesa de juros menores tenha apelo político, ela não encontra respaldo no atual cenário econômico dos Estados Unidos.
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