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Grandes bancos devem divulgar receitas em alta impulsionadas por IPO da SpaceX e volatilidade causada pela guerra com o Irã
Publicado 13/07/2026 • 11:22 | Atualizado há 9 horas
Publicado 13/07/2026 • 11:22 | Atualizado há 9 horas
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Jamie Dimon, CEO do JPMorgan Chase
As expectativas são elevadas para o início da temporada de balanços dos grandes bancos americanos, nesta terça-feira, liderada por JPMorgan Chase e Bank of America. Analistas esperam que as receitas obtidas com operações de renda variável e renda fixa se aproximem — ou até superem — os recordes registrados no início deste ano.
Esse cenário representa o que o analista Mike Mayo, do Wells Fargo, chama de “momento ideal” para o setor financeiro. Segundo ele, os dois principais motores de lucro dos bancos — Wall Street e a economia real — estão crescendo simultaneamente.
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As maiores instituições financeiras dos Estados Unidos vêm registrando aumento nas receitas provenientes da assessoria a empresas que captam recursos no mercado de capitais, movimento reforçado pelo meg IPO da SpaceX realizado no mês passado. Ao mesmo tempo, as mesas de operações financeiras também foram beneficiadas pela maior volatilidade provocada por tensões geopolíticas, incluindo a guerra entre Israel e Irã.
“Vimos o maior IPO da história, um ritmo de fusões e aquisições que caminha para um ano recorde e uma expansão das operações de negociação envolvendo ações e títulos de renda fixa em diversos mercados ao redor do mundo”, afirmou Mayo à CNBC.
Os resultados do segundo trimestre chegam em um momento especialmente positivo para o setor bancário. Após anos enfrentando juros elevados e receios de recessão provocados pela inflação, os bancos agora se beneficiam de uma combinação considerada rara: forte atividade em Wall Street, crédito ao consumidor resiliente e retomada da demanda por empréstimos corporativos.
“É difícil pedir um cenário melhor do que esse”, disse Mayo.
Segundo ele, essas tendências, combinadas ao esforço do governo Donald Trump para flexibilizar a regulação do sistema financeiro, ajudaram as ações dos bancos a superarem o desempenho do mercado nos últimos dois anos.
Agora, investidores querem saber se esse ritmo poderá ser mantido em 2027.
JPMorgan, Bank of America, Citigroup, Wells Fargo e Goldman Sachs divulgam seus resultados nesta terça-feira. Já o Morgan Stanley apresenta seu balanço na quarta-feira.
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De acordo com o analista Chris McGratty, da KBW, as receitas com banco de investimento podem crescer 26% em comparação com o mesmo período do ano passado. Já as receitas com operações de mercado devem avançar 14%.
Além das centenas de milhões de dólares pagos pela SpaceX aos bancos responsáveis pelo IPO — principalmente Goldman Sachs e Morgan Stanley —, essas instituições também obtiveram receitas com operações de captação de dívida da empresa após sua abertura de capital.
Os bancos ainda poderão conquistar novos clientes para suas áreas de gestão de patrimônio, já que o IPO criou uma nova leva de milionários e bilionários.
Segundo Jay Ritter, professor emérito de Finanças da Warrington College of Business, da Universidade da Flórida, Goldman Sachs e Morgan Stanley também devem ter recebido os chamados soft dollars relacionados à oferta pública inicial da SpaceX.
Os soft dollars correspondem, na prática, a remunerações pagas por fundos de hedge aos bancos de investimento em troca da alocação de ações em IPOs com demanda superior à oferta disponível.
“A principal fonte de receita dos bancos em uma oferta pública não é a comissão paga pela empresa, mas a capacidade de distribuir ações para fundos de hedge e gestores ativos que pagam soft dollars“, explicou Ritter.
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Siga o Times | CNBCSegundo McGratty, os ganhos com operações de mercado também foram favorecidos pela valorização das bolsas ao longo do trimestre e pelo aumento da volatilidade nos mercados de renda fixa, provocado pela guerra entre Israel e Irã, que movimentou preços do petróleo, taxas de juros e moedas.
“Hoje os bancos conseguem aproveitar muito melhor os períodos de volatilidade. Em ciclos anteriores, eles costumavam ser pegos de surpresa”, afirmou.
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Para Mike Mayo, no entanto, a principal mudança do trimestre pode estar acontecendo longe de Wall Street.
Após anos de fraqueza, o mercado de crédito para empresas começa a mostrar sinais de recuperação. Os bancos buscam recuperar espaço perdido para fundos de crédito privado, enquanto a onda de investimentos em inteligência artificial estimula novos projetos corporativos.
“A demanda voltou. As empresas passaram a tratar a incerteza como o novo normal e continuam construindo fábricas, investindo em instalações e seguindo com seus planos de negócios”, disse.
Segundo o analista, bancos regionais como o Fifth Third podem ser especialmente beneficiados, já que o crédito empresarial representa uma parcela maior de suas operações do que em instituições diversificadas como o JPMorgan.
O segmento de varejo também continua apresentando bom desempenho. O baixo nível de desemprego nos Estados Unidos mantém a inadimplência sob controle em financiamentos imobiliários, empréstimos para veículos e cartões de crédito.
Apesar do cenário positivo, ainda existem riscos.
Um deles é a possibilidade de surgirem novos problemas no mercado de crédito privado, embora essa preocupação tenha diminuído nos últimos meses.
No ano passado, o CEO do JPMorgan, Jamie Dimon, alertou analistas e investidores após o colapso da financiadora de veículos Tricolor Holdings.
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“Quando você vê uma barata, provavelmente existem outras”, afirmou na ocasião, sugerindo que problemas isolados podem indicar fragilidades mais amplas no sistema financeiro.
Outro ponto de atenção é a crescente disputa entre os bancos pelos depósitos dos clientes. Para atrair e manter poupadores, algumas instituições passaram a oferecer remunerações maiores, o que pode pressionar as margens de lucro caso os juros permaneçam elevados.
Depois de dois anos de desempenho superior ao do mercado, investidores estão menos preocupados com a força dos resultados do trimestre e mais interessados em saber se esse ambiente extremamente favorável será sustentável.
“Sabemos que o trimestre será forte. A grande pergunta agora é: esse cenário pode durar?”, resumiu McGratty.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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