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Mercosul avança na Europa com novo acordo comercial

Publicado 10/06/2026 • 06:00 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Eliminação de tarifas industriais e ampliação do acesso para produtos agropecuários podem beneficiar exportações brasileiras para mercados de alta renda como Suíça e Noruega.
  • Especialista avalia que acordo faz parte de uma estratégia mais ampla de diversificação comercial do Mercosul, que também inclui negociações com Reino Unido e Japão.
  • Parceria com países do EFTA amplia a presença do Brasil na Europa e cria novas oportunidades para indústria, agronegócio e serviços.

O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a EFTA (European Free Trade Association – ou Associação Europeia de Livre Comércio) fortalece a estratégia de diversificação dos parceiros comerciais brasileiros e amplia o acesso a mercados europeus de alta renda, avalia Feliciano Guimarães, professor de Relações Internacionais da USP e doutor em Ciência Política, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Segundo ele, a parceria representa mais um passo de uma política comercial que busca ampliar a inserção internacional do bloco em um cenário de maior competição global.

O acordo se insere dentro de um contexto do Mercosul nos últimos anos de diversificar os parceiros comerciais do Brasil e de um contexto mais agressivo de negociações comerciais”, afirmou. Para o especialista, a iniciativa complementa o acordo firmado com a União Europeia e fortalece a presença do bloco sul-americano no continente.

Indústria entre as beneficiadas

Guimarães avalia que o setor industrial brasileiro está entre os principais beneficiados pelo acordo, especialmente após a eliminação das tarifas industriais nas duas maiores economias da EFTA, Noruega e Suíça. Segundo ele, esses países não possuem uma estrutura industrial capaz de competir de forma significativa com diversos segmentos da indústria brasileira.

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Além da indústria, o especialista destacou ganhos potenciais para o agronegócio. Segundo ele, o acordo contempla cotas relevantes para produtos como carnes, café e outros bens agrícolas, segmentos que já possuem demanda consolidada nos países do bloco europeu.

Mercosul amplia rede de acordos

Na avaliação do professor, a assinatura do acordo com a EFTA faz parte de um movimento mais amplo de abertura comercial conduzido pelo Mercosul. Ele lembrou que o bloco já concluiu acordos com a União Europeia, Singapura e Canadá, além de manter negociações com Reino Unido e Japão.

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Para Guimarães, essa estratégia poderia ter sido adotada com mais intensidade desde os anos 2000, mas ainda representa um avanço importante para o comércio exterior brasileiro. “Antes tarde do que nunca. Isso é muito importante para um incremento comercial brasileiro”, disse.

Ratificação ainda depende do Congresso

Questionado sobre a demora para a aprovação do acordo, o especialista explicou que a assinatura de um tratado internacional não significa sua entrada imediata em vigor. Segundo ele, o texto ainda precisa ser ratificado pelos parlamentos dos países envolvidos.

Uma coisa é assinar um tratado, outra coisa é ratificar um tratado. Só depois da aprovação pelos parlamentos ele entra em vigor”, afirmou.

Guimarães destacou que houve um entendimento político para acelerar a tramitação antes do período eleitoral e evitar novos atrasos no Congresso Nacional.

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Segundo ele, estudos citados pelo governo indicam que o comércio entre Mercosul e EFTA poderá registrar um acréscimo de R$ 660 bilhões até 2040.

Competição e proteção

O especialista avalia que parte da indústria brasileira passou a enxergar a concorrência internacional de forma mais positiva nos últimos anos. Para ele, muitos setores compreenderam que competir globalmente é um elemento fundamental para o crescimento econômico.

Ao mesmo tempo, ressaltou que os acordos comerciais incluem mecanismos de proteção para situações consideradas excepcionais.

Se um setor observar que importações estão afetando gravemente a produção nacional, existem salvaguardas e instrumentos para investigar práticas como dumping ou outras distorções”, explicou.

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Questão ambiental

Outro tema relevante do acordo envolve as exigências ambientais presentes no texto. Segundo Guimarães, os países da EFTA possuem padrões rigorosos de sustentabilidade, especialmente a Noruega, que mantém uma longa relação de cooperação com o Brasil na preservação da Amazônia.

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A Noruega é um parceiro de primeira hora nos sistemas ambientais do Brasil e um grande protetor da floresta amazônica”, afirmou.

O professor observou que o acordo prevê compromissos ambientais e mecanismos que podem ser acionados caso haja descumprimento dessas regras. Ainda assim, considera que o diálogo institucional proporcionado pelo tratado é mais vantajoso do que a ausência de um marco formal de negociação.

É melhor ter um acordo comercial e negociar as diferenças dentro dele do que discutir essas diferenças sem qualquer acordo estabelecendo regras para as duas partes”, disse.

Europa segue prioridade

Para Guimarães, a ampliação dos acordos comerciais com países europeus deverá ser uma das principais apostas do Mercosul nos próximos anos. Além da União Europeia e da EFTA, as negociações com o Reino Unido e o Japão podem ampliar ainda mais o alcance internacional do bloco.

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O nosso destino agora é aumentar as exportações para a Europa como um todo, seja para a União Europeia, seja para os países da EFTA e, eventualmente, para o Reino Unido”, afirmou.

Sobre as recentes restrições impostas pela União Europeia à carne brasileira, o especialista avalia que o tema deverá ser tratado por meio dos mecanismos de defesa comercial previstos nos acordos e das negociações entre as partes. “Quando você retalia, é ruim para o comércio, mas chama a outra parte para negociar porque ela também sai perdendo”, concluiu.

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