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Acordo Mercosul-UE deve ampliar concorrência e mudar disputa no mercado de vinhos no Brasil, avalia especialista

Publicado 08/05/2026 • 11:53 | Atualizado há 5 dias

KEY POINTS

  • Redução gradual de tarifas pode ampliar presença de rótulos europeus no Brasil e aumentar concorrência no setor de vinhos importados.
  • Novos produtores da Europa passaram a mirar o mercado brasileiro após avanço do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.
  • Especialista avalia que maior entrada de vinhos europeus deve pressionar principalmente Chile e Argentina, mais do que produtores brasileiros.

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia deve acelerar a transformação do mercado brasileiro de vinhos, ampliar a concorrência entre importados e aumentar a presença de rótulos europeus nas prateleiras brasileiras nos próximos anos. A avaliação é de Malu Sevieri, diretora da ProWine São Paulo, que vê o setor entrando em uma nova fase de disputa global após a redução gradual das tarifas de importação.

Segundo ela, o movimento já começou antes mesmo da formalização do acordo, mas ganhou força com a perspectiva de maior abertura comercial entre os blocos. “As vinícolas da Europa já estavam se movimentando mais para o Brasil, mas o acordo despertou novos produtores e novas regiões que não estavam olhando tanto para o mercado brasileiro”, afirmou em entrevista ao Real Time, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, nesta sexta-feira (8).

A executiva destacou que o aumento do interesse internacional vem ampliando a diversidade de vinhos disponíveis no país e tornando o mercado brasileiro mais atrativo para produtores estrangeiros. “A gente tem tido muita procura de novas regiões produtoras e novos países, o que deixa o mercado brasileiro muito interessante”, ressaltou.

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Redução de tarifas deve ampliar variedade de vinhos importados

Na avaliação de Malu Sevieri, os consumidores brasileiros devem perceber os efeitos da redução tarifária de forma gradual. A previsão, segundo ela, é de uma queda acumulada de até 27% nos preços ao longo de até 12 anos, embora fatores internos da economia brasileira possam amenizar esse impacto.

Não vão ser exatamente 27% porque o mercado brasileiro tem ajustes internos e inflação alta”, explicou. Ainda assim, ela acredita que os consumidores sentirão aumento da oferta e da variedade de rótulos disponíveis antes mesmo de perceber uma queda mais relevante nos preços.

Hoje as importadoras estão estocadas, então não é algo imediato, mas a gente vai ver uma maior variedade de vinhos nas prateleiras já nos próximos trimestres”, observou.

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A diretora da ProWine São Paulo afirmou que a abertura comercial vem estimulando a chegada de produtores de países que ainda tinham participação tímida no mercado brasileiro. Entre eles, ela citou Alemanha, Áustria, Hungria, Grécia, Ucrânia, Sérvia e Azerbaijão.

Esses países agora olham o Brasil como uma oportunidade”, disse. Segundo ela, grandes grupos europeus também começaram a abrir estruturas próprias no país para importar diretamente seus vinhos.

Europa deve pressionar mais Chile e Argentina do que produtores brasileiros

Apesar da maior concorrência internacional, Malu Sevieri avalia que os produtores brasileiros não devem ser os principais afetados pela entrada mais forte dos vinhos europeus no país. Para ela, a disputa tende a atingir principalmente os rótulos sul-americanos que já dominam parte relevante do mercado de importados.

Essa importação maior da Europa para o Brasil afronta muito mais Chile e Argentina do que o vinho brasileiro”, afirmou. Segundo a executiva, o crescimento do consumo nacional e a mudança de hábitos ajudam a sustentar o avanço da produção brasileira.

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Ela destacou que o consumo de vinho no Brasil vem crescendo desde a pandemia e que os hábitos do consumidor também estão mudando. “O vinho está cada dia mais visto como alimento, como acontece na Europa”, pontuou.

Segundo ela, o mercado brasileiro tem registrado estabilidade no consumo de vinhos tintos e rosés, enquanto cresce a procura por vinhos brancos e espumantes, tanto nacionais quanto estrangeiros.

Com preços mais acessíveis, o consumidor experimenta mais”, explicou. Para a diretora, a chegada de novos países produtores também ajuda no processo de educação do consumidor brasileiro sobre diferentes uvas, estilos e regiões produtoras.

ProWine espera mais de 1.800 produtores de 36 países

A expectativa da organização é que a edição de 2026 da ProWine São Paulo reflita diretamente esse novo cenário de expansão internacional do setor. Segundo Malu Sevieri, a feira deve reunir mais de 1.800 produtores de 36 países entre os dias 6 e 8 de outubro, no Expo Center Norte, em São Paulo.

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Ela afirmou que o crescimento da feira acompanha a expansão do próprio mercado brasileiro de vinhos. “A ProWine é um reflexo do mercado, e o mercado está dando essa movimentada”, destacou.

A executiva também ressaltou o avanço da produção nacional nos últimos anos. “Há 15 anos, praticamente todo o vinho brasileiro era produzido no Rio Grande do Sul. Hoje quase todos os estados do Brasil produzem vinho com qualidade e maturidade”, concluiu.

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