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CNBCBilionários da tecnologia sofrem com a vitória esmagadora dos democratas sobre os republicanos

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Musk investe US$ 474 milhões nas eleições, mas sofre derrota que pode ameaçar seus negócios

Publicado 04/11/2026 • 11:50 | Atualizado há 57 minutos

KEY POINTS

  • Elon Musk gastou pelo menos US$ 474 milhões nas eleições de 2026, incluindo US$ 224 milhões no Texas, onde os candidatos republicanos ao Senado, Ken Paxton, e ao governo estadual, Greg Abbott, foram derrotados pelos democratas.
  • Os resultados deixam Musk com menos aliados no Congresso e podem criar novos obstáculos políticos no Texas, onde Tesla, SpaceX e outros negócios do bilionário mantêm operações importantes.
  • Os centros de dados se tornaram um dos principais temas de campanha nas eleições de meio de mandato, com US$ 173 milhões gastos em publicidade quase inteiramente negativa em todo o país, segundo a AdImpact.

A vitória expressiva dos democratas nas eleições de meio de mandato representou uma rejeição significativa a Elon Musk e à indústria de IA.

EVAN VUCCI/ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

A vitória expressiva dos democratas nas eleições legislativas de meio de mandato nos EUA representou uma rejeição significativa a Elon Musk e à indústria de inteligência artificial (IA).

Uma reação mais ampla contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e seus aliados do setor de tecnologia colocou sob maior escrutínio a influência política dessas empresas e a expansão de centros de dados financiada por dívidas.

Musk, que gastou um valor recorde de pelo menos US$ 474 milhões nas eleições de meio de mandato, destinou US$ 224 milhões – quase metade do total – apenas ao Texas, segundo uma análise da CNBC de registros de financiamento de campanhas.

Apesar do investimento, seus candidatos preferidos, o republicano Ken Paxton, que disputava uma vaga no Senado, e o governador Greg Abbott, foram derrotados em meio à onda democrata.

As derrotas abalaram os mercados durante a noite, levando as ações da SpaceX e da Tesla a recuar. As duas empresas prosperaram durante anos sob a gestão de Abbott, conhecida por favorecer o ambiente de negócios.

Enquanto isso, ações de outras empresas de tecnologia também ficaram sob pressão, à medida que os democratas conquistaram o controle do Congresso.

Leia também: Musk volta a assessorar o governo Trump em projeto sobre o futuro da guerra

Reação aos bilionários do setor de tecnologia

Em todo o país, eleitores reagiram à influência dos bilionários e ao poder crescente das empresas de tecnologia. O resultado foi a eleição de críticos da indústria de IA e a aprovação de restrições aos centros de dados que impulsionam a expansão do setor.

“Precisamos tirar o dinheiro dos grandes interesses da nossa política, para que nenhum bilionário ou trilionário possa comprar nossas eleições”, afirmou o senador democrata eleito James Talarico em seu discurso de vitória, sem mencionar Musk. “Precisamos acabar com esse sistema econômico manipulado que beneficia apenas o 1% mais rico.”

J.C. Lintzenich, pesquisador sênior visitante do German Marshall Fund, destacou os gastos expressivos de Musk no Texas.

Em entrevista ao programa “Squawk Box Europe”, da CNBC, nesta quarta-feira (4), ele afirmou que os resultados representaram “claramente uma rejeição ao aspecto Elon Musk que passou a fazer parte do círculo de influência de Trump”.

O Texas se tornou a principal base de operações de boa parte do império empresarial de Musk. A Tesla opera sua maior fábrica de veículos nos Estados Unidos nos arredores de Austin, enquanto a SpaceX realiza lançamentos de foguetes em seu complexo Starbase, no sul do estado.

Musk também busca ampliar os investimentos em inteligência artificial e na fabricação de semicondutores.

Essas operações dependem fortemente de decisões estaduais relacionadas ao fornecimento de eletricidade e água, licenças ambientais, infraestrutura e incentivos fiscais.

A democrata Gina Hinojosa, eleita governadora, que fez campanha contra subsídios generosos às empresas e contra o próprio Musk, terá influência significativa sobre essas decisões.

Hinojosa defendeu uma moratória para novos centros de dados, o fim dos benefícios fiscais concedidos ao setor e a exigência de que os desenvolvedores arquem integralmente com os custos de eletricidade.

Em seu discurso de vitória na terça-feira (3), ela prometeu retirar o poder das “pessoas poderosas que se acostumaram a administrar este estado”.

Os republicanos, porém, continuam controlando a Assembleia Legislativa estadual, o que limita a capacidade de Hinojosa de reformular as políticas locais.

Ainda assim, sua administração poderá dificultar os planos de expansão de Musk com regras mais rigorosas para a concessão de licenças e incentivos empresariais.

Leia também: Indo contra política de Trump, Elon Musk critica tarifaço e defende talentos estrangeiros

Derrotas em todo o país

Em âmbito nacional, o America PAC, comitê de ação política de Musk, gastou quase US$ 87 milhões em 44 disputas federais, segundo uma análise da CNBC de documentos apresentados à Comissão Federal Eleitoral dos Estados Unidos (FEC, na sigla em inglês).

Até a manhã desta quarta-feira (4), os republicanos apoiados pelo grupo haviam perdido 29 disputas e vencido apenas três, enquanto outras 12 ainda não tinham resultado definido. Mais de US$ 80 milhões, ou 93% dos gastos do comitê, foram destinados a disputas vencidas pelos adversários.

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O resultado deixa Musk com menos aliados em um Congresso controlado pelos democratas, que poderá investigar seus contratos com o governo federal, sua atuação anterior à frente do Departamento de Eficiência Governamental (Doge, na sigla em inglês), durante o governo Trump, e as relações de suas empresas com Washington.

O escrutínio do Congresso pode desacelerar os contratos lucrativos e em rápida expansão da SpaceX com o governo.

No entanto, Trump ainda controla as agências do Executivo e tem poder de veto, o que limita a capacidade dos democratas de reverter políticas que beneficiam os negócios de Musk no setor de tecnologia de defesa.

As derrotas não são a primeira ocasião em que os investimentos políticos de Musk deixam de produzir os resultados desejados.

O America PAC apoiou oito candidatos derrotados ao Congresso em 2024. No ano passado, Musk gastou mais de US$ 20 milhões na tentativa de eleger um candidato conservador em Wisconsin.

Embora tenha prometido, no ano passado, gastar “muito menos” com política, ele acabou se tornando o maior doador conhecido das eleições de meio de mandato de 2026.

Em março de 2025, Ron Baron, investidor de longa data da Tesla, alertou que o ativismo político de Musk poderia afastar consumidores. Em entrevista à CNBC, afirmou: “Não acho que seja uma boa ideia alienar metade da população”.

Outras pessoas, por sua vez, comemoraram a proximidade de Musk com Trump e sua influência sobre temas que vão da regulamentação aos gastos do Pentágono com tecnologia.

Leia também: Trump nega planos de cortar subsídios de Elon Musk: “Quero que ele prospere”

Reação contra as grandes empresas de tecnologia

Musk não foi a única figura do setor de tecnologia a investir grandes quantias nas eleições.

O presidente da OpenAI, Greg Brockman, e sua esposa, Anna, contribuíram com US$ 25 milhões para o Leading the Future, grupo político que busca influenciar a regulamentação da inteligência artificial, segundo documentos apresentados à FEC.

A empresa de capital de risco Andreessen Horowitz contribuiu com outros US$ 50 milhões.

Embora o setor tenha conquistado algumas vitórias – como a derrota do deputado estadual de Nova York Alex Bores, defensor de regras mais rigorosas de segurança para a IA, nas primárias democratas para o Congresso -, conquistar o apoio das comunidades locais se mostrou uma tarefa muito mais difícil.

Em Ohio, o democrata Sherrod Brown derrotou o senador republicano Jon Husted depois de criticar seu apoio aos centros de dados. Os democratas gastaram quase US$ 28 milhões em anúncios contrários a essas estruturas, segundo a AdImpact.

Na Carolina do Sul, a democrata Annie Andrews derrotou a senadora republicana Darline Graham, apesar de uma ofensiva publicitária de última hora do Building the Future, um novo comitê de ação política do setor de centros de dados, que escolheu Graham como sua primeira candidata apoiada.

O grupo reservou US$ 1,5 milhão em anúncios favoráveis à republicana, enquanto Andrews fez campanha pela suspensão de novas instalações de centros de dados por dois anos.

Em todo o país, campanhas eleitorais e grupos externos gastaram US$ 173 milhões em anúncios sobre centros de dados durante as eleições gerais de 2026.

Segundo a AdImpact, as peças publicitárias foram quase inteiramente negativas. Os anunciantes democratas responderam por US$ 140 milhões desse total.

Os eleitores também avaliaram 41 propostas locais relacionadas a centros de dados na terça-feira (3). Pelo menos dez comunidades aprovaram proibições ou restrições à instalação dessas estruturas.

Os impactos financeiros em jogo são extremamente elevados.

A gestora de investimentos do JPMorgan estima que a expansão da infraestrutura de inteligência artificial poderá custar aproximadamente US$ 5 trilhões até 2030, incluindo cerca de US$ 2 trilhões financiados por meio do mercado de títulos de dívida com grau de investimento.

Os projetos só conseguem gerar os retornos esperados quando entram em operação. Atrasos na concessão de licenças podem postergar a conclusão das obras e o início das receitas, enquanto custos mais elevados de serviços públicos e de empréstimos podem aumentar as despesas dos projetos e dificultar o alcance dos retornos previstos.

Leia mais: Trump diz que partido de Musk será ‘ajuda’ para republicanos

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