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Ações da Novo, fabricante do Ozempic, sobem após vendas da pílula Wegovy superarem expectativas; farmacêutica eleva projeções

Publicado 04/11/2026 • 12:35 | Atualizado há 53 minutos

KEY POINTS

  • A Novo Nordisk agora projeta crescimento da receita ajustada e do lucro operacional entre -2% e 2%, considerando taxas de câmbio constantes.
  • As ações da companhia chegaram a subir 6% nas negociações iniciais após a divulgação dos resultados.
  • A fabricante dinamarquesa de medicamentos para perda de peso busca recuperar o ritmo de crescimento após um ano turbulento, em que perdeu espaço para a concorrente Eli Lilly.

SERGEI GAPON/AFP

Novo Nordisk

As ações da Novo, antiga Novo Nordisk, chegaram a subir 6% nas negociações iniciais, impulsionadas pelas vendas da versão em comprimidos do Wegovy.

A farmacêutica apresentou, nesta quarta-feira (04), resultados trimestrais acima das expectativas, em meio à continuidade do crescimento global do volume de medicamentos da classe GLP-1.

A empresa revisou suas projeções e agora espera que a receita ajustada e o lucro operacional cresçam entre -2% e 2%, considerando taxas de câmbio constantes.

Anteriormente, a farmacêutica previa que as vendas e o lucro operacional do ano inteiro – cujas projeções haviam sido elevadas em agosto – variassem entre uma queda de 6% e estabilidade.

A receita no terceiro trimestre foi de 79,2 bilhões de coroas dinamarquesas (US$ 11,9 bilhões), alta de 4% em relação ao mesmo período do ano anterior, considerando taxas de câmbio constantes.

O resultado superou a estimativa de 73,6 bilhões de coroas dinamarquesas.

Leia também: Novo Nordisk, fabricante do Ozempic, testa medicamento contra obesidade que reduz peso de mulheres em 25%

O lucro operacional ajustado (EBIT) foi de 31,7 bilhões de coroas dinamarquesas, acima dos 28,6 bilhões de coroas esperados pelo mercado.

A Novo registrou um “forte ritmo de crescimento” nos Estados Unidos, afirmou o CEO Mike Doustdar ao programa “Squawk Box Europe”, da CNBC, nesta quarta-feira.

“Hoje, continuamos com 80% de participação de mercado com nosso produto, apesar de a concorrência ter chegado e fortalecido sua presença”, disse.

A fabricante dinamarquesa de medicamentos para perda de peso busca recuperar o ritmo de crescimento após um ano turbulento, em que perdeu espaço para sua principal concorrente, a Eli Lilly.

Embora a Novo tenha sido pioneira nos medicamentos para emagrecimento da classe GLP-1, atualmente utilizados por cerca de 10% dos americanos, a companhia enfrenta dificuldades para sustentar seu crescimento.

A principal concorrente, Eli Lilly, avançou rapidamente e superou a Novo em seu maior mercado, os Estados Unidos. Outras empresas farmacêuticas também avaliam entrar nesse segmento lucrativo.

Os investidores agora concentram a atenção nos medicamentos de próxima geração das duas companhias e em sua capacidade de tratar doenças associadas à obesidade, como problemas cardíacos e renais, apneia do sono e artrite.

Leia também: Novo Nordisk defende diversificação enquanto CEO mira negócios além da obesidade

A Novo prepara o lançamento do CagriSema, combinação do agonista do receptor GLP-1 semaglutida com o análogo de amilina de ação prolongada cagrilintida.

Apesar de a empresa destacar os benefícios superiores do medicamento em relação aos tratamentos concorrentes, analistas têm questionado repetidamente sua viabilidade comercial, depois que o produto não conseguiu superar os medicamentos da Lilly que já estão disponíveis no mercado.

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Após a divulgação dos resultados, analistas do Citi mantiveram recomendação neutra para as ações da Novo.

A instituição citou a incerteza persistente sobre os preços dos medicamentos para perda de peso no curto, médio e longo prazo, além da ausência de um sucessor claro para o Wegovy no pipeline da companhia.

A Novo informou que as vendas da versão em comprimidos do Wegovy, lançada no início deste ano, totalizaram 5,4 bilhões de coroas dinamarquesas, ante aproximadamente 4,5 bilhões de coroas esperados pelos analistas.

As vendas da versão injetável do Wegovy e do medicamento para diabetes Ozempic foram de 20,4 bilhões e 29,7 bilhões de coroas dinamarquesas, respectivamente, também acima das expectativas.

A companhia anunciou ainda que o diretor financeiro, Karsten Munk Knudsen, deixará o cargo no fim de 2026, após 27 anos na empresa, dos quais nove como CFO.

Ele será sucedido por Luigi La Corte, atual diretor financeiro da empresa suíça de dermatologia Galderma.

Leia também: Novo Nordisk muda marca para “Novo” e anuncia mudanças corporativas enquanto busca recuperar participação no mercado de obesidade

Recuperação em andamento

Os resultados divulgados pela Novo nesta quarta-feira foram apresentados depois que a Eli Lilly elevou suas projeções para o ano inteiro na semana passada, após registrar resultados do terceiro trimestre acima das expectativas, impulsionados pela forte demanda por suas injeções para diabetes e perda de peso, Mounjaro e Zepbound.

A pílula para emagrecimento da Lilly, Foundayo, entretanto, ficou abaixo das expectativas dos analistas no trimestre.

Ainda assim, o diretor financeiro da companhia afirmou que tanto o total de prescrições nos Estados Unidos quanto o número de novos pacientes do medicamento dobraram em relação ao trimestre anterior.

As ações da Novo listadas na Bolsa de Copenhague registravam alta de 3,4% na última cotação, reduzindo as perdas acumuladas no ano para aproximadamente 13%.

Em setembro, os papéis chegaram a cair quase 8% em uma única sessão, depois que a companhia não conseguiu tranquilizar os investidores com sua estratégia de crescimento para o período posterior ao Wegovy.

O CEO da Novo, Mike Doustdar, afirmou a jornalistas no início desta quarta-feira que a recuperação da empresa está ganhando força, após revisões sucessivas para cima nas projeções anuais.

Ele ponderou, porém, que uma retomada não pode ser estabelecida com base em apenas um trimestre positivo.

“A recuperação e a retomada não acontecem com base em um único dado, em um único bom resultado trimestral”, afirmou Doustdar, destacando a melhora progressiva das perspectivas da companhia ao longo do ano.

“Isso me dá confiança de que estamos seguindo na direção certa. Agora, precisamos continuar trabalhando duro para que a recuperação se concretize plenamente”, acrescentou.

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