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Novo Nordisk dá novo passo no mercado de obesidade; ações sobem após aval do FDA
Publicado 23/12/2025 • 07:43 | Atualizado há 1 mês
Publicado 23/12/2025 • 07:43 | Atualizado há 1 mês
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SERGEI GAPON/AFP
Novo Nordisk
A FDA aprovou a primeira medicação oral à base de GLP-1 para o tratamento da obesidade, colocando a Novo Nordisk à frente na corrida global por terapias orais de emagrecimento em um mercado até agora dominado por injeções semanais.
A decisão representa um movimento estratégico da farmacêutica dinamarquesa para recuperar espaço frente à concorrente Eli Lilly, em meio à demanda crescente por tratamentos eficazes contra a obesidade e à pressão sobre sistemas de saúde, seguradoras e governos.
O impacto foi imediato no mercado financeiro. As ações da Novo Nordisk subiram cerca de 6% nesta terça-feira (22), após a aprovação da primeira pílula GLP-1 do mundo voltada à obesidade. No after-market dos EUA, os papéis chegaram a avançar até 8%, enquanto as ações da Eli Lilly recuaram cerca de 1%, refletindo a vantagem competitiva inicial da empresa dinamarquesa.
O medicamento aprovado contém 25 miligramas de semaglutida, o mesmo princípio ativo presente no Wegovy injetável e no Ozempic, amplamente usados no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. A versão oral será comercializada sob a marca Wegovy, ampliando o alcance da franquia mais valiosa da companhia.
A Novo Nordisk já possui no mercado o Rybelsus, uma formulação oral de semaglutida indicada para diabetes tipo 2. Com a nova aprovação, a empresa expande o uso da molécula para o controle crônico do peso, atendendo pacientes com obesidade ou sobrepeso associado a comorbidades, como hipertensão e dislipidemia.
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A decisão da FDA foi baseada em um estudo clínico de fase final, com duração de 64 semanas, que demonstrou eficácia robusta da pílula. Pacientes que tomaram 25 mg de semaglutida oral uma vez ao dia registraram uma perda média de 16,6% do peso corporal, contra 2,7% no grupo placebo.
Para analistas, os dados clínicos reforçam o potencial da terapia de ampliar significativamente a base de pacientes, sobretudo entre aqueles que evitam tratamentos injetáveis — um dos principais gargalos de adesão no mercado atual.
“Veremos uma adesão enorme na base de pacientes à medida que novas indicações surjam e versões orais cheguem ao mercado”, afirmou Anand Iyer, diretor de IA da empresa de telessaúde Welldoc.
A aprovação ocorre após um período mais desafiador para a Novo Nordisk, marcado por queda no valor das ações, alertas de lucro e desaceleração nas vendas do Wegovy injetável, pressionadas pela concorrência da Lilly e pela proliferação de versões manipuladas do medicamento.
Com a formulação oral, a empresa busca ampliar o público atendido, aumentar a adesão ao tratamento e reduzir barreiras logísticas, abrindo espaço para maior penetração em planos de saúde corporativos e programas públicos.
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A nova pílula pode abrir caminho para dezenas de milhões de pacientes que ainda não utilizam medicamentos para perda de peso. O mercado global de tratamentos contra a obesidade é estimado em cerca de US$ 150 bilhões por ano na próxima década, impulsionado pelo avanço da doença e pelos custos crescentes das comorbidades associadas.
A decisão da FDA marca um ponto de inflexão no setor, ao acelerar a transição dos medicamentos injetáveis para terapias orais, mais próximas do modelo tradicional de tratamento crônico — um fator considerado chave para escala, acesso e sustentabilidade do sistema de saúde.
A Novo Nordisk informou que a pílula está sendo produzida na Carolina do Norte (EUA) e que vem reforçando estoques para evitar gargalos de fornecimento, comuns nas fases iniciais do boom dos medicamentos para emagrecimento.
Enquanto isso, a concorrência segue atenta. A Eli Lilly desenvolve sua pílula oral de próxima geração, o orforglipron, que pode receber aprovação regulatória já no fim de março, intensificando a disputa por um dos segmentos mais valiosos da indústria farmacêutica global.
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