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O que a derrota expressiva dos republicanos significa para Trump
Publicado 04/11/2026 • 15:47 | Atualizado há 35 minutos
O que a derrota expressiva dos republicanos significa para Trump
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Publicado 04/11/2026 • 15:47 | Atualizado há 35 minutos
KEY POINTS
Foto: AFP
O Partido Democrata dos Estados Unidos caminha para conquistar maiorias expressivas na Câmara dos Representantes e no Senado, após derrotar os republicanos em disputas importantes por todo o país, em diferentes níveis do Legislativo. A chamada onda azul promete transformar o cenário político em Washington e derrubar a maioria republicana no Congresso, que deu sustentação ao presidente Donald Trump e o poupou de grandes obstáculos durante os dois primeiros anos de seu mandato.
Com o resultado das eleições de meio de mandato, Trump perde praticamente todas as chances de aprovar projetos de lei alinhados aos interesses de seu partido na segunda metade da presidência. Além disso, medidas que conseguiu implementar sem depender diretamente do Congresso (como as tarifas comerciais, a guerra contra o Irã e uma série de obras na região de Washington) devem enfrentar uma resistência muito maior com os democratas no comando das duas Casas legislativas.
Isso não significa, porém, que Trump esteja sem recursos para reagir. Em um período marcado pela ampliação dos poderes do Executivo, o presidente americano ainda conta com prerrogativas importantes, capazes de dificultar os planos dos democratas e impedir que avancem com parte de sua própria agenda.
Ainda assim, com a perda de espaço no Congresso e os índices de aprovação em níveis historicamente baixos, segundo diversas pesquisas, resta saber quanto apoio Trump conseguirá reunir para enfrentar as disputas políticas que vêm pela frente.
Mesmo antes da votação, analistas e comentaristas já alertavam que uma derrota republicana expressiva poderia forçar o partido a rever seus rumos. O resultado também poderia representar uma ameaça à própria sobrevivência política do movimento Make America Great Again (MAGA), principal base de sustentação de Trump.
Marc Short, presidente da Advancing American Freedom e ex-chefe de gabinete do então vice-presidente americano Mike Pence, afirmou à CNBC, na tarde de terça-feira, que o Partido Republicano se distanciou de suas raízes conservadoras.
“Precisamos nos renovar neste momento”, disse Short durante a entrevista. “Perdemos o rumo.”
Trump ainda não deixou claro quais são seus planos para a segunda metade do mandato. Mas já deu uma pista de como pretende lidar com um Congresso dominado pelos democratas: recorrendo ao poder de veto presidencial sempre que considerar necessário.
“É um dos poderes mais fortes que um presidente tem”, afirmou Trump em entrevista à Fox News, na noite de terça-feira. “Eles vão mandar um monte de propostas absurdas, e eu vou vetar tudo.”
“Depois de alguns meses levando vetos, eles vão me ligar e perguntar: ‘Como podemos fazer essas coisas acontecerem?’. Aí vamos trabalhar juntos”, acrescentou. “Tenho muitos amigos democratas.”
Trump já havia sinalizado que pretende barrar uma série de projetos apresentados pelos democratas. Em entrevista a um podcast do New York Post, divulgada na segunda-feira, foi ainda mais direto: se os republicanos perderem as eleições, “vou vetar tudo”.
Ao ser questionado sobre seus planos para os próximos dois anos, o presidente exaltou os resultados de seu governo e defendeu a continuidade das políticas atuais.
“O mais importante é continuar nesse caminho. As coisas vão ficar cada vez melhores, melhores e melhores, a menos que pessoas que odeiam nosso país cheguem ao poder”, afirmou.
Caso isso aconteça, “acho que vou virar o Sr. Veto”, brincou.
A oportunidade de colocar essa estratégia em prática pode surgir em breve. Os democratas da Câmara dos Representantes, que devem passar a ser liderados pelo atual líder da minoria, Hakeem Jeffries, de Nova York, planejam aprovar uma série de projetos assim que assumirem o controle da Casa, em janeiro, segundo informações obtidas pela CNBC.
A estratégia, revelada inicialmente pelo The New York Times, é apresentar uma agenda legislativa capaz de demonstrar a união do partido e sua disposição de agir rapidamente sobre os principais problemas apontados pelos eleitores americanos. Entre eles está o alto custo de vida, que pesa no bolso da população em praticamente tudo, da gasolina aos alimentos.
Nas primeiras 100 horas após assumirem o comando da Câmara, os democratas pretendem apresentar projetos para restabelecer os subsídios ampliados aos planos de saúde, que expiraram durante o período de controle republicano do Congresso, e reverter os cortes no Medicaid aprovados por Trump no início deste ano.
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Siga o Times | CNBCO partido também quer derrubar as tarifas comerciais impostas pelo presidente e recuperar a autoridade do Congresso sobre a definição dos impostos de importação. Outra prioridade será colocar novamente em votação uma proposta para encerrar a guerra contra o Irã ou exigir autorização do Legislativo para que o conflito continue.
Sem o aval de Trump, porém, boa parte dessas iniciativas pode acabar tendo apenas valor simbólico. Os democratas não terão os dois terços dos votos necessários na Câmara e no Senado para derrubar um veto presidencial sem o apoio de parlamentares republicanos.
E há outro obstáculo: nem mesmo a aprovação dos projetos está garantida. Apesar das vitórias expressivas, os democratas continuarão sem os 60 votos necessários no Senado para superar a regra de obstrução parlamentar, conhecida como filibuster, na maioria das votações legislativas. Isso dará aos republicanos um importante poder de barganha, mesmo na condição de minoria.
Por outro lado, os vetos de Trump também podem acabar favorecendo os democratas no longo prazo. Ao obrigar o presidente a barrar uma sequência de propostas populares, o partido poderá ganhar argumentos políticos para explorar durante a campanha presidencial de 2028.
Ainda não está claro se Trump acredita que conseguirá chegar a algum tipo de acordo com os democratas sobre suas principais prioridades legislativas.
Mas qualquer tentativa de estabelecer uma relação minimamente cooperativa com a oposição pode esbarrar em um problema logo de saída: parlamentares democratas da Câmara e do Senado já estão deixando claro que pretendem abrir investigações politicamente delicadas sobre Trump, seus aliados políticos e empresariais e até integrantes de sua família.
Com o controle das comissões da Câmara dos Representantes, os democratas também terão autoridade para emitir intimações e obrigar pessoas e organizações a fornecer documentos e prestar esclarecimentos, conforme as regras da Casa.
O deputado Robert Garcia, democrata da Califórnia e provável futuro presidente da Comissão de Supervisão da Câmara, pretende investigar os negócios da família Trump, possíveis casos de corrupção empresarial e supostos abusos cometidos por agências federais de imigração. Ele também quer retomar as investigações sobre a forma como o governo lidou com os documentos relacionados ao criminoso sexual Jeffrey Epstein.
Na noite de terça-feira, enquanto os resultados eleitorais ainda eram apurados, Garcia resumiu o que pretende fazer em uma declaração de apenas duas palavras: “Contratem advogados”.
Ele não está sozinho. Outros parlamentares democratas já começaram a cobrar documentos do governo Trump sobre diferentes assuntos. Na semana passada, por exemplo, o deputado Jamie Raskin, de Maryland, acusou o presidente de usar isenções tarifárias para favorecer determinados setores, cujos representantes teriam presenteado Trump.
No Senado, os democratas também deram sinais de que pretendem intensificar a fiscalização sobre o governo.
“Vamos precisar plantar novas florestas para produzir todo o papel necessário para tantas intimações”, escreveu o senador Ed Markey, de Massachusetts, no X, na noite de terça-feira. A publicação foi uma resposta a outra postagem que aparentemente fazia referência a executivos do setor de tecnologia.
A expectativa é que as investigações ocupem boa parte dos últimos dois anos do mandato presidencial.
Trump já conhece bem esse tipo de confronto. Durante seu primeiro mandato na Casa Branca, foi alvo de dois processos de impeachment conduzidos pela Câmara dos Representantes, ambos impulsionados pelos democratas.
Desta vez, porém, poderá enfrentar seus adversários em uma posição mais delicada. Com sinais de enfraquecimento de sua base de apoio, tanto em Washington quanto entre os eleitores americanos, ele talvez tenha menos aliados dispostos a defendê-lo do que em disputas anteriores.
“Não espero que os republicanos se rebelem contra Trump”, afirmou Short, da Advancing American Freedom, à CNBC. “Mas espero que alguns deles comecem a se afastar discretamente.”
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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