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ONU cobra investigação urgente sobre bombardeios de Israel no Líbano
Publicado 06/03/2026 • 14:30 | Atualizado há 8 meses
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Publicado 06/03/2026 • 14:30 | Atualizado há 8 meses
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Tom Page
A Organização das Nações Unidas (ONU) cobrou nesta sexta-feira (6) a realização de investigações rápidas e independentes sobre os ataques israelenses realizados em várias regiões do Líbano, após relatos de mortos e deslocamento em massa de civis. Segundo o alto comissário da ONU para os direitos humanos, Volker Turk, será necessário determinar se as operações respeitaram ou violaram o direito internacional humanitário.
“O Líbano está se tornando um ponto crítico do conflito”, afirmou Volker Turk a jornalistas em Genebra, ao alertar para a expansão da guerra no Oriente Médio. O chefe de direitos humanos da ONU também pediu “cessação imediata das hostilidades”, diante do risco de agravamento da crise humanitária na região.
O Líbano foi arrastado para a escalada do conflito regional após o Hezbollah –grupo apoiado pelo Irã – lançar mísseis contra Israel na segunda-feira, afirmando agir em retaliação pela morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei. Em resposta, Israel iniciou sucessivas ondas de bombardeios aéreos, ampliando a ofensiva na quinta-feira à noite com ataques aos subúrbios ao sul de Beirute, área considerada reduto do Hezbollah.
Leia também: Israel ataca o Líbano novamente; primeiro-ministro alerta para “desastre humanitário iminente”
Antes da ofensiva mais recente, Israel emitiu alertas para que centenas de milhares de moradores deixassem a região, provocando movimentos massivos de deslocamento. O primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, advertiu que o país enfrenta “um desastre humanitário iminente” diante da saída em massa de civis de áreas atingidas pelos bombardeios.
O alto comissário Volker Turk afirmou estar particularmente preocupado com ordens amplas de evacuação emitidas por Israel para os subúrbios do sul de Beirute, a região do Vale do Bekaa e toda a área ao sul do rio Litani. Segundo ele, as medidas afetam centenas de milhares de pessoas e levantam sérias preocupações sob o direito humanitário internacional, especialmente sobre possível transferência forçada de população civil.
A porta-voz do escritório da ONU para direitos humanos, Ravina Shamdasani, alertou que essas ordens de evacuação podem configurar deslocamento forçado proibido pelo direito internacional. De acordo com ela, o deslocamento em massa combinado com bombardeios contínuos em diversas regiões do Líbano está ampliando “o sofrimento e a miséria de uma população civil já exausta pela guerra”.
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O Exército de Israel informou nesta sexta-feira ter realizado 26 ondas de ataques aéreos contra os subúrbios ao sul de Beirute nos últimos quatro dias. Já o Ministério da Saúde do Líbano afirmou que 123 pessoas morreram desde segunda-feira em decorrência dos bombardeios.
Segundo Shamdasani, há relatos de que ao menos oito pessoas morreram em um ataque contra um prédio residencial em Baalbek na quarta-feira, incluindo três meninas e duas mulheres. Outro episódio citado indica que uma família de quatro pessoas morreu após um edifício ser atingido no distrito de Nabatyeh na quinta-feira.
Diante das denúncias, a ONU reiterou a necessidade de investigações rápidas e completas para avaliar se os ataques respeitaram os princípios de distinção, proporcionalidade e precaução, bases do direito internacional humanitário em conflitos armados.
A porta-voz também destacou que o Hezbollah continua lançando barragens de foguetes contra Israel, atingindo áreas residenciais no norte e no centro do país, com relatos de pelo menos três pessoas feridas. Segundo ela, esses ataques também levantam preocupações sobre possíveis ações indiscriminadas contra civis.
A ONU voltou a pedir uma “desescalada urgente” do conflito, enfatizando que a soberania do Líbano e os direitos humanos de sua população devem ser respeitados, enquanto a guerra no Oriente Médio continua a se ampliar.
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