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Diesel bate recorde nos EUA e aumenta pressão sobre fretes e alimentos

Publicado 04/09/2026 • 15:59 | Atualizado há 21 minutos

KEY POINTS

  • O diesel atingiu o recorde de US$ 5,85 por galão nos Estados Unidos nesta sexta-feira (4), em meio aos impactos da guerra com o Irã.
  • A alta do combustível encarece o transporte de cargas e começa a chegar aos consumidores por meio de sobretaxas e preços maiores dos alimentos.
  • Desde o início da guerra, no fim de fevereiro, o diesel acumula alta de quase 56%, enquanto gargalos no Estreito de Ormuz afetam a oferta.

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O preço médio do diesel nos Estados Unidos atingiu o recorde de US$ 5,85 por galão (R$ 30,01) nesta sexta-feira (4), refletindo os impactos da guerra com o Irã sobre o abastecimento global de combustíveis. O avanço já começa a se espalhar pela economia americana, elevando os custos dos fretes e chegando ao consumidor por meio de sobretaxas nas entregas e preços mais altos, principalmente de alimentos.

A pressão é especialmente relevante porque o diesel movimenta grande parte da cadeia logística dos Estados Unidos. O combustível abastece caminhões, máquinas agrícolas, trens e embarcações, fazendo com que sua valorização alcance diferentes etapas da produção e da distribuição. Frutas, verduras, carnes e pescados estão entre os produtos mais expostos por dependerem de transporte frequente.

Diesel acumula alta de quase 56% desde início da guerra

Dados da associação automobilística AAA mostram que o diesel está quase 56% mais caro do que antes do início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, no fim de fevereiro. Naquele momento, o combustível custava aproximadamente US$ 3,76 por galão (R$ 19,29).

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O movimento acompanha a valorização do petróleo provocada pelas interrupções no abastecimento no Oriente Médio, principalmente diante das restrições à circulação de petroleiros pelo Estreito de Ormuz.

Depois de um período de alívio diante das expectativas de paz no início do verão do Hemisfério Norte, a escalada das tensões entre Washington e Teerã voltou a impulsionar as cotações. Nesta sexta-feira, o Brent superava US$ 95 por barril (R$ 487,35), contra aproximadamente US$ 70 (R$ 359,10) antes da guerra.

A gasolina também ficou mais cara, embora em intensidade menor. O preço médio da comum alcançou US$ 4,15 por galão (R$ 21,29), ante US$ 3,20 (R$ 16,42) há um ano e US$ 2,98 (R$ 15,29) antes do conflito. Segundo a AAA, a gasolina nunca havia ultrapassado US$ 4 por galão (R$ 20,52) durante o feriado do Dia do Trabalho.

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Alimentos estão entre os mais afetados

A escalada do diesel tende a aparecer primeiro nas prateleiras dos supermercados. Segundo a Independent Grocers Alliance, que representa 7,5 mil supermercados, os combustíveis respondem por 15% a 30% do custo total dos alimentos.

Os preços dos alimentos nos supermercados americanos já avançaram 2,7% em julho na comparação anual. Entre os produtos com aumentos mais expressivos, os pescados subiram 7% e as frutas frescas, 4,9%.

David Ortega, professor de economia e política alimentar da Universidade Estadual de Michigan, explicou que o impacto não chega imediatamente ao consumidor porque contratos de transporte e margens dos varejistas absorvem inicialmente parte da pressão.

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Mas, à medida que os contratos são reajustados e as sobretaxas de combustível entram em vigor, uma parcela maior desse custo chega aos supermercados”, afirmou.

Empresas começam a repassar custos

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Grandes companhias de logística e comércio eletrônico já adotaram medidas para compensar o encarecimento das operações. Em abril, a Amazon implementou uma sobretaxa temporária de 3,5% por combustível e logística para determinados vendedores terceiros.

UPS, FedEx e o Serviço Postal dos Estados Unidos também acrescentaram taxas a algumas encomendas no início da guerra, atribuindo as mudanças ao aumento das despesas com combustível.

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Para Ajesh Kapoor, CEO da empresa de tecnologia para transportes SemiCab, há limites para a capacidade do setor de absorver o choque. “O preço do diesel tem um impacto muito, muito direto sobre tudo o que se movimenta em praticamente qualquer modalidade de transporte”, afirmou.

Recorde atual ainda fica abaixo de picos corrigidos pela inflação

Apesar de ter alcançado o maior preço nominal já registrado, o diesel americano já enfrentou momentos mais caros quando considerada a inflação.

O pico de aproximadamente US$ 5,82 por galão registrado em 2022 corresponderia atualmente a cerca de US$ 6,56 (R$ 33,65). Já os US$ 4,74 registrados antes da crise financeira de 2008 equivaleriam a aproximadamente US$ 7,20 (R$ 36,94) em valores de 2026.

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A alta dos combustíveis também pode ampliar a pressão política sobre os republicanos antes das eleições de meio de mandato de novembro. Uma pesquisa AP-NORC realizada durante o verão do Hemisfério Norte apontou que dois em cada três adultos americanos desaprovavam a condução da economia pelo presidente Donald Trump.

Pressão sobre diesel se espalha pelo mundo

Os efeitos não se limitam aos Estados Unidos. Como o diesel também é empregado no transporte público e na geração de energia, a escalada dos preços alcança ônibus, trens e geradores.

Desde o fim de fevereiro, o combustível acumula alta de 90% na Nigéria, quase 87% na Indonésia e 77% no Líbano, segundo dados da Global Petrol Prices.

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Neil Atkinson, analista de energia e pesquisador sênior do National Center for Energy Analytics, alertou que o encarecimento dos derivados e a redução dos estoques físicos ampliam a pressão sobre o sistema global de refino.

Isso não pode continuar para sempre”, afirmou.

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