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Petróleo dispara após tensão entre EUA e Irã: veja o que pode mudar no seu bolso

Publicado 15/05/2026 • 15:10 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A produção de líquidos de gás natural permaneceu estável, enquanto os biocombustíveis, principalmente o etanol, ficaram próximos de 700 mil barris por dia.
  • A produção brasileira de petróleo bruto avançou cerca de 184 mil barris por dia em março.
  • Embora países exportadores de petróleo possam se beneficiar no curto prazo da valorização da commodity.
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Foto: Freepik

Petróleo dispara após tensão entre EUA e Irã: veja o que pode mudar no seu bolso

A escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã voltou a ficar em alta nos mercados internacionais nesta semana e reacendeu o temor de uma nova onda de inflação global em relação ao petróleo.

O endurecimento do discurso do presidente Donald Trump sobre sanções econômicas, segurança militar e programa nuclear iraniano elevou o risco de conflitos no Oriente Médio e pressionou imediatamente os preços do petróleo no mercado internacional.

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Investidores correram para ativos considerados mais seguros, o dólar ganhou força e aumentaram as preocupações sobre os impactos da alta da energia sobre os juros, o consumo e o crescimento econômico. No Brasil, os reflexos podem chegar rapidamente aos combustíveis, ao transporte e ao custo de vida.

Opep eleva projeção para produção brasileira

Em relatório mensal divulgado na última quarta-feira (13), a OPEC revisou para cima sua estimativa para a produção brasileira de combustíveis líquidos em 2026. A expectativa agora é de crescimento de 270 mil barris por dia, levando a média nacional para 4,7 milhões de barris diários.

A previsão anterior apontava produção média de 4,6 milhões de barris por dia. Apesar da revisão positiva, a entidade destacou que o aumento dos custos de desenvolvimento e as pressões inflacionárias continuam afetando a viabilidade econômica de projetos offshore.

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Segundo o relatório, a produção brasileira de petróleo bruto avançou cerca de 184 mil barris por dia em março, na comparação com fevereiro, atingindo média de 4,2 milhões de barris diários.

A produção de líquidos de gás natural permaneceu estável, enquanto os biocombustíveis, principalmente o etanol, ficaram próximos de 700 mil barris por dia.

A Opep também aumentou a projeção para 2027. A expectativa é de crescimento adicional de 140 mil barris por dia, levando a produção brasileira para 4,8 milhões de barris diários. O avanço deve ser sustentado por projetos como Búzios, Marlim, Bacalhau, Wahoo e Albacora Leste.

Alta do petróleo ameaça inflação

De acordo com Paula Zogbi, estrategista-chefe do Banco Nomad, a disparada do petróleo preocupa governos e bancos centrais porque o combustível influencia diretamente uma ampla cadeia de preços.

“O preço do petróleo impacta toda a cadeia produtiva e boa parte dos itens da cesta inflacionária, à medida que afeta custos como frete, embalagens, entre outros, além do combustível, diesel e gás de cozinha consumidos diretamente pela população. O BC já estimou que um aumento sustentado de 10% no preço do barril de petróleo (Brent) em reais resulta em um impacto direto e indireto no IPCA de aproximadamente 0,20 a 0,40 ponto percentual ao longo de 12 meses.”

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Mesmo sendo um grande produtor de petróleo, o Brasil ainda depende do mercado internacional por não ter autossuficiência em refino. Por isso, altas externas acabam sendo repassadas ao mercado doméstico.

O novo cenário também pode dificultar cortes de juros tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil. Segundo Paula, a permanência da inflação em níveis elevados nos EUA já levou o mercado a reduzir apostas em cortes das taxas americanas neste ano.

No Brasil, a situação também preocupa. A valorização do dólar tende a pressionar ainda mais a inflação e pode reduzir o espaço para futuros cortes da Selic.

Além do impacto sobre os preços, o dólar mais forte encarece produtos importados e insumos industriais. Setores ligados a eletrônicos, alimentos e maquinário estão entre os mais afetados.

Combustíveis podem subir no curto prazo

A alta internacional do petróleo já aumenta as discussões sobre possíveis reajustes nos combustíveis no Brasil. Segundo dados citados da Abicom, o diesel e a gasolina acumulam forte defasagem em relação aos preços externos.

“Relatórios da Abicom (maio/2026) indicam uma defasagem acumulada de quase 30% no diesel e 65% na gasolina em relação ao mercado internacional”, afirma Paula.

O cenário coloca pressão sobre a Petrobras, que pode ser obrigada a revisar preços caso a valorização do petróleo persista nas próximas semanas.

Emergentes entram no radar do mercado

O agravamento das tensões no Oriente Médio também aumenta a aversão ao risco global. Em momentos de instabilidade, investidores costumam retirar recursos de mercados emergentes e migrar para títulos considerados mais seguros, como os do Tesouro americano.

Para a Zogbi, “o aumento da aversão ao risco global provoca o chamado flight to quality (fuga para a qualidade), em que os grandes fundos retiram dinheiro de países emergentes (como o Brasil) para buscar a segurança dos títulos do Tesouro dos EUA.”

Embora países exportadores de petróleo possam se beneficiar no curto prazo da valorização da commodity, a especialista alerta que conflitos prolongados tendem a desacelerar a atividade global e aumentar os custos da economia mundial e do petróleo.

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