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Por André Amadeus
Publicado 13/05/2026 • 06:58 | Atualizado há 1 mês
KEY POINTS
Foto: Freepik
O mercado global de petróleo voltou a subir, à medida que o aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã impulsionou o movimento e gerou receio de que a oferta mundial sofra impactos.
Com o risco geopolítico em alta, investidores passaram a precificar instabilidade no fornecimento, levando o barril novamente acima dos US$ 100.
Além do cenário político, o movimento reforça, sobretudo, a sensibilidade do petróleo a qualquer sinal de tensão no Oriente Médio, região estratégica para o abastecimento global de energia.
Por consequência, essa alta não fica restrita ao mercado financeiro e, rapidamente, começa a pressionar custos em diferentes setores da economia.
Na última terça-feira (12), o petróleo WTI para junho negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex) fechou em alta de 4,19% (US$ 4,11), a US$ 102,18 o barril.
Já o Brent para julho, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), encerrou em alta de 3,42% (US$ 3,56), a US$ 107,77 o barril – na máxima do dia, chegou a US$ 108,45.
Leia também: Petróleo sobe 2,78% com impasse entre EUA e Irã e temor sobre oferta global
O primeiro impacto aparece nos combustíveis. Gasolina e diesel sobem porque derivam diretamente do barril, o que faz com que qualquer alta internacional seja rapidamente repassada aos preços domésticos, segundo informações do Estadão.
Em seguida, o transporte também fica mais caro. Como o Brasil depende majoritariamente do modal rodoviário, o aumento do diesel pressiona o custo do frete. Esse efeito não fica isolado: ele se espalha ao longo da cadeia de distribuição.
Com o transporte mais caro, os alimentos são diretamente impactados. Produtos básicos como grãos, carnes e itens industrializados acabam sofrendo reajustes, já que o custo logístico representa uma parte importante da formação de preço.
Além disso, fertilizantes e insumos agrícolas também acompanham o movimento do petróleo, o que reforça a pressão sobre o setor de alimentos desde a produção até a chegada ao consumidor final.
Esse encadeamento faz com que a inflação responda, inclusive, mesmo antes do impacto total aparecer nos índices.
Além disso, o aumento dos combustíveis e do transporte tende a antecipar revisões de preços em diferentes setores, o que, por sua vez, eleva as expectativas inflacionárias.
Com isso, o custo de vida começa a subir de forma mais ampla, afetando desde o supermercado até serviços básicos do dia a dia.
A inflação mais pressionada também influencia a política monetária. Com a alta do petróleo, o espaço para cortes mais agressivos de juros diminui, já que bancos centrais precisam conter o avanço dos preços.
Na prática, isso significa crédito mais caro, financiamentos mais pesados e menor estímulo ao consumo, um efeito que chega diretamente às famílias e às empresas.
O petróleo acima de US$ 100 funciona como um gatilho em cadeia: começa no barril, passa pelos combustíveis, encarece o transporte, pressiona os alimentos, afeta a inflação e influencia os juros.
Mesmo quando há expectativa de recuo no longo prazo, parte desses efeitos tende a permanecer por algum tempo, prolongando o impacto no custo de vida e nas decisões econômicas.
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