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Stephen Miran deixa o Fed e abre caminho para Kevin Warsh
Publicado 15/05/2026 • 13:37 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 15/05/2026 • 13:37 | Atualizado há 1 hora
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CNBC
O diretor do Federal Reserve, Stephen Miran, conversa com a CNBC durante o Fórum Invest i America em 15 de outubro de 2025
O diretor do Federal Reserve, Stephen Miran, entrou no banco central americano com grandes ideias sobre como a instituição deveria mudar – em alguns casos, de forma radical. Agora, ao se preparar para deixar o cargo nos próximos dias, encerrando o mandato mais curto de um diretor em 71 anos, ele segue convencido de que suas ideias estavam corretas.
Em entrevista à CNBC, Miran, de 42 anos, deixou claro que a experiência prática dentro do Fed moderou parte de sua visão sobre a velocidade das mudanças institucionais. Segundo ele, o processo é muito mais lento do que imaginava.
“O Fed é realmente um comitê”, afirmou Miran. “É diferente de uma agência onde existe um executivo muito claro que comanda tudo e, se você não gosta, está fora.”
A observação ganha relevância por dois motivos: primeiro, porque Miran pode retornar futuramente ao conselho do Fed, possivelmente antes do fim do mandato do presidente Donald Trump. Segundo, porque o novo chairman confirmado, Kevin Warsh, compartilha parte importante das ideias defendidas por Miran.
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Warsh foi confirmado como novo presidente do Fed na quarta-feira e assumirá justamente a vaga deixada por Miran. Os dois, porém, não atuarão simultaneamente.
Ainda assim, Warsh terá de enfrentar a mesma realidade encontrada por Miran: um Federal Reserve composto por integrantes com diferentes visões econômicas e onde mudanças institucionais costumam avançar lentamente.
“Você precisa convencer as pessoas”, disse Miran, que assumiu o cargo em setembro de 2025 para substituir Adriana Kugler.
Miran afirmou que os dirigentes e funcionários do Fed receberam suas ideias com abertura, apesar das críticas externas de que ele representaria uma ameaça à independência da instituição.
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Inicialmente, ele optou por não renunciar ao cargo de presidente do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca enquanto atuava simultaneamente no Fed. Segundo Miran, a decisão buscava evitar uma terceira confirmação pelo Senado em curto intervalo de tempo, mas acabou repercutindo negativamente diante da campanha de Trump contra o então chairman Jerome Powell.
Miran deixou oficialmente o posto na Casa Branca em fevereiro e afirmou não ter planos imediatos de retornar.
Ele rebate as críticas ao afirmar que sua proximidade com Trump derivava de sua interpretação dos dados econômicos, e não de alinhamento político automático. “Eu apresentei meus cálculos”, afirmou. “Sempre fiz o que considero correto.”
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Miran encerra sua passagem pelo Fed com um raro histórico de divergência em todas as seis reuniões de política monetária das quais participou. As posições coincidiam com as exigências de Trump por cortes mais agressivos de juros. Mesmo quando o Fed reduziu as taxas, Miran votou a favor de cortes ainda maiores.
Ao deixar o Fed, Miran segue defendendo que os juros podem e devem ficar muito mais baixos.
“Se eu estivesse preenchendo os pontos hoje, talvez tivesse um corte a menos do que na última projeção econômica”, afirmou.
Na prática, isso significaria defender juros 0,75 ponto percentual abaixo do nível atual. Segundo Miran, parte dessa revisão decorre dos cortes já realizados pelo Fed e também de uma preocupação um pouco maior com a inflação. “Os dados me deixaram um pouco mais preocupado com a inflação”, explicou.
Mesmo assim, ele segue defendendo cortes antecipados. “Ainda acho importante antecipar esses cortes porque continuo acreditando que não deveríamos estar restringindo o mercado de trabalho”, ressaltou.
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Grande parte da defesa de Miran por juros mais baixos está ligada à sua visão sobre os efeitos econômicos da desregulamentação promovida pelo governo Trump.
“As regulações ainda são subestimadas em relação ao impacto que têm sobre a oferta”, afirmou. “A desregulamentação amplia a capacidade de produção e isso é desinflacionário.”
Segundo ele, a desregulamentação poderia reduzir em até 0,5 ponto percentual as taxas futuras de inflação, embora reconheça que a inflação causada pelas tarifas possa limitar parte desse efeito.
Miran também defende uma abordagem diferente para a reação do banco central diante de choques de oferta, como a disparada recente do petróleo provocada pela guerra envolvendo o Irã.
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Segundo ele, as mudanças na política monetária levam entre 12 e 18 meses para afetar a economia, o que limita a capacidade do Fed de reagir a aumentos temporários de preços.
Ele citou o exemplo de empresas de roupas que precisaram reajustar preços por causa das tarifas comerciais.
“Se você acredita que uma tarifa mais alta vai elevar os preços das roupas hoje, não há nada que a política monetária possa fazer sobre isso”, afirmou.
O mesmo raciocínio, segundo Miran, vale para o choque do petróleo ligado à guerra no Irã. Para ele, o Fed deveria focar em tendências persistentes de inflação, e não em eventos isolados.
“A questão dos choques de oferta é que você precisa prever mais choques de oferta”, destacou.
Uma das preocupações envolvendo a abordagem defendida por Miran é que o Fed possa perder credibilidade no combate à inflação caso ignore repetidamente choques de oferta.
Ainda não está claro se ele conseguiu convencer a maioria de seus colegas dentro do banco central. Três dirigentes dissidentes na reunião mais recente afirmaram continuar preocupados com a inflação.
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Mesmo assim, a visão de Miran deve ganhar força com a chegada de Kevin Warsh.
Durante sua audiência de confirmação em 21 de abril, Warsh afirmou que o Fed passou tempo demais analisando movimentos pontuais de preços.
“O que mais me interessa é qual é a taxa subjacente de inflação, não mudanças pontuais causadas por geopolítica ou pelo preço da carne”, declarou.
Tudo indica que Miran continuará participando ativamente do debate monetário mesmo fora do Fed. Antes de ingressar no banco central, ele escrevia frequentemente sobre política monetária e continuou trabalhando em um estudo sobre inflação de softwares até as últimas semanas de seu curto mandato.
“Eu adoraria voltar”, afirmou Miran. “Mas isso não depende de mim.”
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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