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Acordo entre EUA e Venezuela não deve mudar preço do petróleo no curto prazo
Publicado 31/08/2026 • 17:57 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 31/08/2026 • 17:57 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
O acordo anunciado por Donald Trump para ampliar o controle dos Estados Unidos sobre as reservas de petróleo da Venezuela não deve alterar de forma significativa os preços internacionais da commodity no curto prazo, já que a produção venezuelana perdeu relevância no mercado global e sua recuperação exigiria investimentos de longo prazo, segundo Luciano Losekann, coordenador do Grupo de Energia da Universidade Federal Fluminense (UFF).
Em entrevista nesta segunda-feira (31) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Losekann afirmou que a entrada de empresas privadas pode contribuir para reconstruir a indústria petrolífera venezuelana, mas ainda há dúvidas sobre quanto tempo será necessário e em quais condições os investimentos serão realizados. Na sexta-feira (28), Trump afirmou que os Estados Unidos fecharam com a Venezuela o que chamou de “maior acordo de petróleo da história mundial”, envolvendo o controle majoritário de mais de 65 bilhões de barris de reservas comprovadas.
“A entrada de players privados certamente deve ter impactos mais de longo prazo. A questão que fica é um pouco saber quanto tempo levaria, em que condições isso vai ocorrer, a recuperação da indústria de petróleo”, explicou Losekann.
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O professor ressaltou que a indústria venezuelana atravessou um longo período de baixos investimentos, acompanhado pela perda de capacidade operacional e de profissionais especializados. Na avaliação dele, esse processo ajuda a explicar por que o tamanho das reservas não pode ser traduzido imediatamente em maior oferta de petróleo.
“A gente sabe que um longo período de baixos investimentos, perdas de capacidade, tanto operacional como também capacidade de pessoal, teve um efeito desestruturante da produção”, afirmou. Para Losekann, a questão agora é saber “quanto tempo levaria para colocar a produção da Venezuela novamente no mapa do petróleo mundial”.
Esse intervalo também reduz a possibilidade de o anúncio provocar mudanças relevantes na relação entre oferta e demanda global. Segundo o coordenador, a Venezuela atualmente produz aproximadamente metade do volume produzido pelo Brasil, o que limita sua capacidade imediata de interferir na formação dos preços.
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“O papel que hoje tem a Venezuela na produção global não é tão significativo. A Venezuela hoje produz metade do que o Brasil produz. Então, não é um ator tão significativo”, pontuou.
Losekann acrescentou que os Estados Unidos já reduziram consideravelmente sua dependência de petróleo importado com o avanço da exploração de recursos não convencionais. Por isso, mesmo uma recuperação da produção venezuelana não representaria uma transformação imediata da posição americana no mercado.
“Para ter algum impacto mesmo no jogo de oferta e demanda e, assim, ter um impacto no preço, isso levaria um tempo para que essa oferta se recuperasse. Então, hoje, a notícia não vai ter um impacto de curto prazo no jogo entre oferta e demanda de petróleo no mundo”, destacou.
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Embora tenha perdido espaço entre os grandes produtores, a Venezuela permanece no centro das discussões energéticas por possuir reservas de petróleo que, em termos de volume declarado, são consideradas as maiores do mundo. Losekann, porém, alertou que é necessário diferenciar a existência dessas reservas de sua capacidade de exploração econômica.
“Em termos de número, são as maiores do mundo. No entanto, há bastante dúvida sobre a comercialidade desse aproveitamento”, explicou.
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Siga o Times | CNBCUm dos obstáculos está nas características de parte significativa dessas reservas. O petróleo venezuelano é predominantemente pesado e, em determinadas áreas, ultrapesado, exigindo infraestrutura e processos específicos para produção, transporte e refino.
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“Além da questão da desestruturação da cadeia produtiva de petróleo na Venezuela, tem a questão da qualidade do petróleo, um petróleo ultrapesado, que hoje tem dificuldades de adoção no mercado”, ressaltou Losekann.
Questionado sobre uma eventual semelhança entre o petróleo venezuelano e aquele encontrado na Margem Equatorial brasileira, devido à proximidade geográfica das regiões, Losekann descartou essa associação.
“No caso da Margem Equatorial, apesar da localização mais próxima à Venezuela, já se tem indícios de que o petróleo não é de qualidade ultrapesada”, afirmou.
Segundo o professor, as características identificadas até agora apontam para um óleo mais próximo daquele encontrado no pré-sal brasileiro. “Vai estar mais próximo do petróleo do pré-sal, que é um petróleo leve”, acrescentou.
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Outro desafio para a recuperação da produção venezuelana é convencer grandes empresas internacionais a comprometer capital em projetos que exigem anos para apresentar retorno. Losekann lembrou que companhias americanas acumularam perdas no país em períodos anteriores, inclusive com desapropriações.
“As empresas americanas perderam muito dinheiro com a Venezuela ao longo do tempo, tanto com desapropriação, mas também com a própria perda de valor do negócio. As empresas perderam bastante dinheiro e são reticentes a colocar investimentos com essa incerteza”, afirmou.
A instabilidade política amplia essa cautela porque investimentos em exploração e produção de petróleo precisam de previsibilidade regulatória e institucional durante períodos prolongados.
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“São investimentos que vão ter um prazo de maturação longo. Então, para recuperar a produção e ter um resultado, vai demorar um tempinho”, explicou Losekann.
Para o coordenador do Grupo de Energia da UFF, o tamanho das reservas venezuelanas representa um potencial relevante, mas sua transformação em receita dependerá da capacidade de oferecer segurança aos investidores. “As empresas têm que ter um horizonte mais confortável de previsão, porque somente no futuro é que essas reservas vão monetizar, vão virar valor. Então, envolve bastante incerteza”, concluiu.
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