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Arábia Saudita projeta petróleo a US$ 180 o barril se crise de oferta persistir até abril
Publicado 20/03/2026 • 14:01 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 20/03/2026 • 14:01 | Atualizado há 5 meses
KEY POINTS
AGÊNCIA DE IMPRENSA SAUDITA / AFP
Esta foto divulgada pela agência de notícias oficial saudita (SPA) mostra o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, participando da cúpula de emergência árabe-islâmica de 2025 em Doha, em 15 de setembro de 2025.
A Arábia Saudita trabalha internamente com a possibilidade de o petróleo chegar a US$ 180 o barril caso a disrupção no fornecimento global se estenda até o fim de abril. A projeção é o cenário-base adotado por autoridades do setor de petróleo do maior produtor do Golfo Pérsico, e representa um novo patamar de alerta para os mercados globais de energia.
A informação foi dada nesta manhã pelo site do jornal “The Wall Street Journal”.
A cifra de US$ 180 não é uma estimativa otimista ou um teto teórico. É o número com o qual funcionários sauditas do setor petrolífero estão operando em suas análises internas,. O patamar parte do pressuposto de que a disrupção atual no fornecimento, agravada pelo conflito entre Estados Unidos e Irã e pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, permanece sem solução até o final de abril.
O Brent, principal referência global, já acumula alta superior a 48% desde o início da guerra e era negociado ao redor de US$ 106 o barril nesta semana. O petróleo de Dubai, referência para o mercado asiático, ultrapassou US$ 166 o barril na quinta-feira (19), atingindo novo recorde histórico.
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Siga o Times | CNBCParadoxalmente, preços no patamar de US$ 180 o barril preocupam a própria Arábia Saudita. Uma alta dessa magnitude tende a comprimir a demanda global por petróleo, à medida que consumidores e indústrias buscam alternativas, reduzem o consumo ou enfrentam recessão econômica. O efeito, a médio prazo, seria negativo para os próprios produtores.
Há também uma dimensão política no desconforto saudita. Com o petróleo a US$ 180, Riad corre o risco de ser vista internacionalmente como beneficiária de uma guerra que não iniciou e da qual prefere se manter distante. A posição coloca o reino em um dilema entre o ganho financeiro imediato e os custos reputacionais e geopolíticos de longo prazo.
O prazo de abril é visto pelo mercado como decisivo. Se o Estreito de Ormuz, passagem por onde transita cerca de um quinto do petróleo mundial, não for reaberto até lá, analistas do JPMorgan já alertaram que o Brent e o WTI serão forçados a se reprecificar para cima, à medida que os estoques da bacia do Atlântico forem drenados.
A projeção saudita de US$ 180 se soma a um conjunto de sinais que apontam para um mercado global de energia ainda longe de encontrar equilíbrio.
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