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Brent acumula alta de 55% em março e analistas projetam barril a US$ 150 em abril
Publicado 30/03/2026 • 07:19 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 30/03/2026 • 07:19 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Foto: Freepik
O petróleo voltou a subir nesta segunda-feira (30) com a entrada dos houthis do Iêmen no conflito entre EUA, Israel e Irã e com declarações do presidente americano Donald Trump sobre intenção de “tomar o petróleo” iraniano. O Brent, referência internacional, acumula valorização superior a 55% em março – o maior avanço mensal de sua história – e negocia a US$ 115,45 por barril. O WTI americano opera a US$ 101,17, alta de 1,5%.
Na quinta semana de conflito, os riscos para a infraestrutura de energia no Oriente Médio seguem se acumulando, pressionando os mercados globais.
Leia também: Ministério da Energia do Irã diz que rede elétrica está ‘estável’ após ataques
Os houthis afirmaram no sábado (28) ter disparado uma série de mísseis balísticos contra alvos militares israelenses, declarando apoio ao Irã e ao Hezbollah no Líbano. É a primeira participação direta do grupo no conflito que começou em 28 de fevereiro, com ataques de EUA e Israel ao território iraniano.
A entrada do grupo no conflito representa uma nova frente de risco para o estreito de Bab el-Mandeb, passagem marítima entre o golfo de Áden e o mar Vermelho.
“Estamos falando de quatro a cinco milhões de barris por dia passando por ali”, disse Michael Haigh, chefe global de pesquisa de renda fixa e commodities da Societe Generale, ao programa Squawk Box Europe, da CNBC, nesta segunda-feira (30).
Haigh alertou que, caso mais quatro milhões de barris sejam retirados do circuito do mar Vermelho em abril, o preço do petróleo pode subir ainda mais. Em nota divulgada anteriormente no mês, analistas da Societe Generale já apontavam que uma interrupção prolongada da oferta no Oriente Médio poderia levar o barril a US$ 150 em abril.
Ed Yardeni, presidente da Yardeni Research, afirmou que os mercados acionários globais começam a refletir um cenário de preços de petróleo e juros elevados por mais tempo. Para ele, o bloqueio contínuo do Estreito de Ormuz pode aprofundar a queda das bolsas e aumentar o risco de recessão.
“A velocidade e a magnitude do movimento mostram com que rapidez os mercados de energia estão reprecificando o risco geopolítico”, escreveu Yardeni em nota publicada nesta segunda-feira (30).
Em entrevista ao Financial Times publicada no domingo (29), Trump disse que sua opção preferida em relação ao Irã seria “tomar o petróleo” do país, em referência à estratégia adotada pelos EUA na Venezuela, onde Washington assumiu controle efetivo do setor petrolífero após a captura de Nicolás Maduro.
O estrategista David Roche, da Quantum Strategy, avalia que os mercados precificam cada vez mais uma resposta americana mais agressiva, incluindo a possibilidade de tropas no terreno e a tomada de Kharg Island — hub de exportação por onde passam cerca de 90% do petróleo iraniano.
Uma eventual escalada poderia atingir rotas globais de abastecimento além do Irã. Roche destacou a vulnerabilidade do oleoduto leste-oeste da Arábia Saudita, que transporta cerca de cinco milhões de barris por dia até o mar Vermelho.
Qualquer interrupção no ponto de estrangulamento do Bab el-Mandeb, onde os houthis operam, poderia reduzir drasticamente as exportações. Mesmo pelas rotas alternativas via Canal de Suez, a capacidade seria significativamente menor, potencialmente retirando de quatro a cinco milhões de barris por dia do mercado.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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