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Taxar exportação de petróleo pode desestimular investimentos no Brasil, afirma Firjan

Publicado 12/08/2026 • 14:00 | Atualizado há 42 minutos

KEY POINTS

  • A taxação das exportações de petróleo cru pode desestimular novos investimentos no setor brasileiro justamente em um momento de aumento da demanda global por energia.
  • A avaliação é de Karine Fragoso, gerente-geral de Petróleo, Gás, Energias e Naval da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).
  • Segundo Karine, a indústria é contrária à cobrança e defende que o Brasil aproveite o cenário de maior demanda para atrair capital e ampliar a capacidade produtiva.

A taxação das exportações de petróleo cru pode desestimular novos investimentos no setor brasileiro justamente em um momento de aumento da demanda global por energia, segundo a avaliação é de Karine Fragoso, gerente-geral de Petróleo, Gás, Energias e Naval da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). O contexto ganha relevância com a importância do porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, como uma das principais alternativas logísticas ao estreito de Ormuz.

Segundo Karine, a indústria é contrária à cobrança e defende que o Brasil aproveite o cenário de maior demanda para atrair capital e ampliar a capacidade produtiva. “Essa medida não é uma medida salutar para a nossa economia, no nosso entendimento. Você taxar a exportação”, afirmou.

Na avaliação da executiva, o efeito pode ir além das empresas que atuam diretamente na produção de petróleo. O risco, segundo ela, é reduzir o estímulo a projetos de expansão e novos investimentos no setor. “A gente expulsa, ou desestimula os novos investimentos”, disse.

Para Karine, a prioridade deveria ser aumentar a capacidade de investimento e, ao mesmo tempo, desenvolver uma indústria capaz de agregar mais valor ao petróleo produzido no país. “O que a gente precisa fazer é estimular cada vez mais novos investimentos”, afirmou.

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Rotas alternativas ganham importância

A discussão ocorre em meio à redução do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo no Golfo. A crise tem aumentado a importância de alternativas logísticas, como o oleoduto que conecta os campos de Abu Dhabi ao porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos.

Karine ressalta que a análise do impacto sobre o mercado não depende apenas do número de barris transportados. Custos de seguro, risco para as embarcações, características do petróleo e capacidade das refinarias também influenciam a formação de preços e o abastecimento.

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O petróleo transportado pela rota de Fujairah é considerado leve e com baixo teor de enxofre, características que, segundo a executiva, contribuem para sua valorização no mercado.

O Brasil também pode ajudar a reduzir parte do impacto da restrição de oferta. Segundo Karine, a produção nacional vem batendo recordes, permitindo ampliar o volume disponibilizado aos mercados interno e externo.

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Petróleo brasileiro ganha relevância

A executiva destaca ainda que nem todas as refinarias estão preparadas para processar os mesmos tipos de petróleo. As unidades precisam trabalhar com diferentes combinações de óleos, o que torna características como densidade e teor de enxofre relevantes para a cadeia de refino.

Nesse contexto, o petróleo do pré-sal brasileiro, classificado como leve, pode ter maior valor no mercado. Karine cita grau API entre 28 e 31 para o óleo do pré-sal e cerca de 36 para o petróleo associado à rota de Fujairah.

Para a gerente da Firjan, a crise também evidencia a importância da segurança energética e da diversificação das rotas de transporte. A construção de novas alternativas logísticas pode complementar as rotas tradicionais e reduzir a exposição dos países a interrupções no abastecimento.

Na avaliação de Karine, o cenário reforça a necessidade de o Brasil combinar aumento da produção com políticas capazes de estimular investimentos e desenvolver uma cadeia de petróleo e gás com maior agregação de valor.

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