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Volatilidade do petróleo amplia defasagem e pressiona importação de diesel, diz presidente da Abicom
Publicado 26/03/2026 • 12:25 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 26/03/2026 • 12:25 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
A disparada do petróleo no mercado internacional voltou a pressionar o setor de combustíveis no Brasil. Com o Brent em alta, a defasagem entre os preços internos e as cotações externas aumentou, elevando o risco para importadores e refinarias privadas.
Segundo Sérgio Araújo, presidente executivo da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), o cenário combina forte volatilidade com preços em patamar considerado crítico.
Leia também: Escassez de diesel: como a falta de combustível afeta preços e rotina do país
“O preço das commodities, do petróleo e dos seus derivados, têm uma volatilidade muito grande. Diante dessa crise provocada pela guerra no Irã, a gente continua com elevada volatilidade, mas num patamar de preço muito preocupante”, afirmou, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC nesta quinta-feira (26).
Para Araújo, os preços praticados pelas principais refinarias do país, especialmente as da Petrobras, que concentram 55% da capacidade de produção, permanecem inalterados.
“Eles estão parados, estão congelados. Isso leva a transferir essa volatilidade elevada numa elevada também defasagem. Isso é muito ruim. Isso gera uma insegurança muito grande para a realização das operações de importação”, disse.
Leia também: Fazenda propõe medida para reduzir preço do diesel em R$ 1,20
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Siga o Times | CNBCO diesel é hoje o principal foco de preocupação. Como a capacidade instalada no país não atende à demanda, o Brasil precisa importar entre 25% e 30% do consumo mensal.
Araújo explicou que, diante da diferença de preços, as distribuidoras tendem a priorizar compras das refinarias da Petrobras, por serem “muito mais baratas do que o produto das refinarias privadas ou do mercado internacional”. No entanto, a oferta doméstica é insuficiente.
“Outros países que têm um reajuste automático, quando aumenta o preço do petróleo, têm mais facilidade de negociar essas compras. Isso dificulta nas negociações dos importadores brasileiros”, afirmou.
Leia também: De onde vem o diesel que abastece o mercado brasileiro?
Apesar das dificuldades, ele afastou, por ora, risco generalizado de desabastecimento. “Por enquanto, a gente tem oferta de diesel, mas tem dificuldade de negociação”, disse. Segundo o executivo, há tranquilidade para fechar março e perspectiva de volumes suficientes também para abril, ainda que com “uma pequena preocupação”.
No caso da gasolina, a dependência externa é menor, com cerca de 10% da demanda, e o impacto sobre o abastecimento é mais limitado. Ainda assim, a defasagem também preocupa. “Nós estamos falando aí da ordem de 45% a 50%. É uma defasagem muito elevada. Isso também desestimula e aumenta o risco para importações”, afirmou.
O executivo destacou diferenças estruturais entre diesel e gasolina. O diesel, segundo ele, tem demanda pouco sensível a preço. “O preço estando baixo ou alto, a demanda existe, porque a nossa economia caminha sobre rodas.”
Já na gasolina, há maior elasticidade. “Com o aumento de preço, existe uma tendência do usuário reduzir o consumo”, disse, citando migração para transporte público, caronas e etanol hidratado.
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