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Fed pode deixar porta aberta para alta de juros no segundo semestre, diz economista
Publicado 29/07/2026 • 10:50 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 29/07/2026 • 10:50 | Atualizado há 3 meses
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O Federal Reserve pode manter um tom conservador na decisão desta quarta-feira (29) e deixar aberta a possibilidade de elevar os juros no segundo semestre, diante da resiliência da economia americana e da recente alta do petróleo. A avaliação é de Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, em entrevista ao Pré-Market, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Segundo Perri, a atenção do mercado está mais concentrada no discurso que acompanhará a decisão do que no resultado da reunião. Para o economista, o Fed não deve cortar os juros agora e pode manter um novo aperto monetário como alternativa caso as condições econômicas piorem.
“O Fed pode não só não cortar agora, mas também sinalizar uma alta ou, pelo menos, deixar a porta aberta para uma alta em algum momento”, afirmou.
Perri também avaliou que o banco central americano deve preservar sua independência diante das pressões do presidente Donald Trump por juros mais baixos. Segundo ele, a postura técnica da autoridade monetária contribui para manter as expectativas de inflação alinhadas à meta e para evitar pressões adicionais sobre a curva de juros.
Além do tom do comunicado, os investidores devem acompanhar eventuais divergências entre os integrantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês). Perri citou como hipótese a possibilidade de algum membro votar pela elevação da taxa.
“Se alguns membros, por exemplo, votarem por uma alta na taxa básica de juros, isso pode ser interpretado como um sinal de que o Fed está caminhando em um sentido mais conservador”, disse.
Uma sinalização mais conservadora do Fed tende a pressionar a curva de juros americana e direcionar mais recursos para os Estados Unidos, segundo Perri.
O movimento pode fortalecer o dólar e reduzir a atratividade dos mercados emergentes, desfavorecendo suas respectivas moedas. Juros americanos mais elevados também reduzem o diferencial em relação às taxas brasileiras, o que limita o espaço para cortes da Selic.
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Siga o Times | CNBC“A tendência é que a gente veja uma valorização do dólar e um direcionamento maior do fluxo de recursos para os Estados Unidos, o que desfavorece as moedas emergentes”, afirmou.
Perri acrescentou que a valorização do dólar pode aumentar as pressões inflacionárias no Brasil. Segundo ele, a redução do diferencial de juros também eleva o custo de captação de recursos no país.
“O dólar mais caro é inflacionário, e os juros mais altos nos Estados Unidos, que diminuem o diferencial, fazem com que a gente tenha que pagar um pouco mais aqui para conseguir captar recursos”, disse.
Apesar da influência do cenário externo, Perri avalia que a trajetória da inflação brasileira deve ter maior peso nas próximas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom).
Segundo o economista, as leituras recentes mostraram inflação abaixo do esperado, com deflação dos alimentos e melhora qualitativa do IPCA-15. Os resultados, combinados com a desaceleração da atividade econômica, podem ampliar o espaço para cortes na Selic.
Perri afirmou que uma redução de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Copom já está precificada pelo mercado. A continuidade do ciclo, porém, permanece incerta.
“Esse corte de 0,25 ponto está bastante no preço. Se vai continuar, é incerto. A gente entende que pode ser que não, mas, se as leituras de inflação continuarem vindo melhores do que o esperado, pode ser que a gente continue um pouquinho mais”, afirmou.
O principal risco para esse cenário, segundo o economista, é uma nova alta do petróleo, que pode voltar a pressionar os preços e reverter parte da melhora observada nos últimos indicadores de inflação.
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