CNBC
Musk vs Altman

CNBCComo Elon Musk e Sam Altman passaram de melhores amigos a rivais declarados

Tecnologia & Inovação

Como Elon Musk e Sam Altman passaram de melhores amigos a rivais declarados

Publicado 18/05/2026 • 07:50 | Atualizado há 6 minutos

KEY POINTS

  • Elon Musk e Sam Altman ajudaram a fundar a OpenAI como um laboratório sem fins lucrativos em 2015, quando eram amigos próximos.
  • Ao longo da década seguinte, a relação entre os dois se deteriorou, culminando em uma disputa judicial que atualmente se desenrola em um tribunal em Oakland, na Califórnia.
  • Um júri começará a deliberar na segunda-feira para decidir sobre a validade das alegações de Musk de que Altman quebrou a promessa de manter a OpenAI como uma organização sem fins lucrativos.
Musk vs Altman

Foto: reprodução/Reuters

Julgamento da OpenAI revela suposta oferta de Elon Musk a Sam Altman

Em dezembro de 2015, Elon Musk e Sam Altman sentaram-se lado a lado no Vanity Fair New Establishment Summit, em San Francisco, para uma entrevista em que divulgaram publicamente sua nova parceria como copresidentes de um então incipiente laboratório de pesquisa em inteligência artificial.

Musk já era multibilionário graças à sua participação na Tesla, que havia aberto capital cinco anos antes, e Altman comandava a renomada aceleradora de startups Y Combinator.

Ao longo daquele ano, os dois trabalharam de perto em uma iniciativa de IA que esperavam impedir que o Google estabelecesse controle monopolista sobre a poderosa tecnologia. O projeto, uma organização sem fins lucrativos, foi batizado de OpenAI.

Leia também: O que está em jogo no processo movido por Elon Musk contra a OpenAI

Nas últimas três semanas, o colapso do vínculo antes estreito entre dois dos nomes mais proeminentes da IA tornou-se tema de um julgamento de grande repercussão em Oakland, Califórnia, depois que Musk processou Altman e a OpenAI, em 2024, por supostamente violarem o compromisso de manter a OpenAI como uma entidade sem fins lucrativos.

Hoje, a OpenAI é avaliada em mais de US$ 850 bilhões, e a SpaceX, de Musk, tem valor de mercado de US$ 1,25 trilhão após se fundir com seu laboratório de IA, a xAI, em fevereiro.

Ambas as empresas correm em direção ao mercado de capitais, com a expectativa de que a SpaceX divulgue seu prospecto já nesta semana, antes do que pode ser uma oferta recorde no próximo mês. Antes de falar a investidores interessados, Musk precisou depor diante de um júri no centro de Oakland para tentar comprovar suas alegações e, se obtiver êxito, potencialmente impor um grande obstáculo aos ambiciosos planos da OpenAI.

“Você não pode querer tudo ao mesmo tempo”, disse Musk em 29 de abril, ao responder a questionamentos do advogado da OpenAI. Ele acusou Altman e Greg Brockman, presidente da OpenAI e também cofundador, de se enriquecerem por meio de uma entidade beneficente enquanto buscavam colher os benefícios de imagem associados à liderança de uma organização sem fins lucrativos.

No banco das testemunhas, Musk reforçou uma mensagem que vem repetindo há anos em sua rede social X, agora também controlada pela SpaceX: a OpenAI não existiria sem ele.

“Eu tive a ideia, criei o nome, recrutei as pessoas-chave, ensinei tudo o que sei, forneci todo o financiamento inicial”, afirmou Musk.

Altman depôs na semana passada que ele e seus cofundadores não assumiram compromissos com Musk sobre a estrutura societária da empresa.

Um dos principais problemas desde o início, segundo ele, era que Musk defendia com veemência ter controle total sobre a OpenAI, ao menos inicialmente, em parte porque não confiava em outras pessoas para tomar decisões.

“Eu me sentia extremamente desconfortável com isso”, disse Altman em juízo, referindo-se à busca de Musk por poder.

Leia também: Julgamento da OpenAI revela suposta oferta de Elon Musk a Sam Altman

Os advogados de Musk e da OpenAI apresentaram suas alegações finais na quinta-feira, após três semanas de audiências. O júri começará as deliberações na segunda-feira para decidir sobre a validade das acusações de Musk e se a OpenAI, Altman e Brockman devem ser responsabilizados por violação de dever fiduciário de entidade beneficente e enriquecimento sem causa.

Independentemente do desfecho, é pouco provável que qualquer um dos dois magnatas da tecnologia saia vencedor na opinião pública, avalia Stavros Gadinis, professor da Faculdade de Direito da Universidade da Califórnia em Berkeley.

“Depois de semanas de depoimentos prejudiciais, o público fica diante da escolha entre dois bilionários em confronto, cada um convencido de que é o guardião legítimo de uma tecnologia transformadora”, afirmou Gadinis por e-mail. “A resposta a que a maioria das pessoas chegará é: nenhum dos dois.”

Como tudo começou

A parceria teve início há 11 anos, em maio de 2015, quando Altman enviou um e-mail a Musk perguntando se ele achava uma boa ideia que a Y Combinator lançasse um “Projeto Manhattan para a IA”. Musk respondeu que a ideia “provavelmente merecia uma conversa”.

A OpenAI foi lançada em dezembro de 2015, com Musk se comprometendo a financiar a entidade com até US$ 1 bilhão.

“Estou extremamente impressionado com todos até agora”, escreveu Musk a Altman em novembro de 2015, segundo e-mails tornados públicos durante a fase de produção de provas do processo. “Este é um grande time.”

As primeiras fissuras surgiram em 2017.

Leia também: CEO da Microsoft, Satya Nadella, depõe no julgamento de Musk contra Altman

Embora a OpenAI estivesse avançando em pesquisa e desenvolvimento, Musk exigiu que Altman e outros cofundadores — incluindo Brockman e Ilya Sutskever — elaborassem uma lista de funcionários com suas principais contribuições e demitissem todos que não atingissem imediatamente o nível esperado, segundo documentos do processo.

A OpenAI queimava caixa e precisava de recursos significativamente maiores para infraestrutura computacional. Os líderes passaram a discutir a conversão do laboratório em uma entidade com fins lucrativos. A definição de quem seria o CEO e quem teria participação de controle ganhou peso, especialmente para Musk, que buscava até 90% de participação em uma eventual empresa com fins lucrativos.

Altman e outros cofundadores recusaram, argumentando que nenhuma pessoa ou grupo deveria ter controle unilateral sobre a “inteligência artificial geral”, tecnologia que pode se mostrar mais inteligente do que um ser humano.

Um ponto-chave de tensão surgiu em junho de 2017, quando a Tesla contratou Andrej Karpathy, pesquisador de IA, que atuava na OpenAI. Em mensagens de texto entre Musk e seus funcionários — incluindo a integrante do conselho da OpenAI Shivon Zilis e o diretor de projetos Sam Teller — a equipe de Musk comemorou a contratação, segundo correspondências reveladas no processo.

Zilis, que tem quatro filhos com Musk, depôs no início deste mês e foi questionada por advogados de ambos os lados sobre as conversas que teve a respeito da estrutura societária da OpenAI entre 2017 e 2018, bem como sobre se a Tesla tentou contratar funcionários da OpenAI enquanto ela integrava o conselho.

Após um advogado da OpenAI exibir mensagens em que Zilis comemorava a aceitação da proposta de emprego por Karpathy, ela admitiu que Musk o abordou primeiro.

Posteriormente, Musk ofereceu aos cofundadores da OpenAI “um pedido de desculpas e uma confissão”, recordou Brockman em seu depoimento.

Enquanto o drama interno se desenrolava, a tecnologia da OpenAI continuava a avançar. Em agosto de 2017, seus sistemas conseguiram derrotar os melhores jogadores do mundo em Dota 2, um jogo de ação multijogador. Musk divulgou a conquista no Twitter.

“OpenAI é a primeira a derrotar os melhores jogadores do mundo em eSports competitivos”, escreveu Musk. “Muito mais complexo do que jogos de tabuleiro tradicionais como xadrez e Go.”

Um mês depois, ele informou a Altman e a outros líderes da OpenAI, por e-mail, que “já tinha tido o suficiente”. Se não pudesse ter controle sobre a OpenAI, estava disposto a sair.

“Ou vocês fazem algo por conta própria ou continuam com a OpenAI como organização sem fins lucrativos”, escreveu Musk em um e-mail revelado em documento judicial. “Não financiarei mais a OpenAI até que assumam um compromisso firme de permanecer assim ou estarei sendo um tolo basicamente fornecendo financiamento gratuito para vocês criarem uma startup.”

Musk havia encerrado suas contribuições mensais à empresa. Longe de aportar US$ 1 bilhão, suas doações totalizaram cerca de US$ 38 milhões.

‘Tesla é uma empresa de carros’

Com a OpenAI em busca urgente de apoio, Musk, Zilis e Teller fizeram uma última tentativa de colocar o laboratório sob o controle de Musk, sugerindo que fosse incorporado à Tesla. Na tentativa de convencer Altman, a equipe de Musk o convidou para visitar uma fábrica da Tesla e prometeu a ele um assento no conselho da montadora.

Altman afirmou em seu depoimento que não considerava a proposta adequada e que temia que a organização sem fins lucrativos fosse, na prática, destruída caso se tornasse parte da Tesla.

“A Tesla é uma empresa de carros e não tem a missão da OpenAI”, disse Altman ao júri. “Não acho que teríamos capacidade de garantir que a missão fosse cumprida.”

Após a rejeição da proposta de fusão, Musk escreveu em um e-mail de dezembro de 2018 a Altman e à liderança da OpenAI que sua “avaliação de probabilidade de a OpenAI ser relevante frente à DeepMind/Google sem uma mudança drástica de execução e recursos é 0%. Não 1%”.

Musk afirmou em juízo que a afiliada com fins lucrativos criada pela OpenAI tornou-se “o rabo abanando o cachorro”, violando a missão da entidade beneficente original e as promessas que os fundadores teriam feito a ele.

Musk deixou o conselho da OpenAI em 2018 — movimento que, segundo a OpenAI, foi necessário para “eliminar um potencial conflito futuro para Elon”, à medida que a Tesla passou a concentrar mais esforços em IA.

Nos cinco anos seguintes, Musk raramente mencionou a OpenAI em público. E quaisquer fissuras em sua relação com Altman estiveram amplamente ausentes das redes sociais.

Altman frequentemente elogiava Musk no Twitter. Em 2019, escreveu que “apostar contra Elon historicamente é um erro” e, em outubro de 2022, publicou que Musk serve como “um lembrete de quanto uma pessoa pode fazer”.

Essa última postagem ocorreu um mês antes de a OpenAI apresentar o ChatGPT. Foi quando tudo mudou, com o boom da IA generativa levando a uma onda de investimentos no setor. Em janeiro de 2023, a Microsoft investiu US$ 10 bilhões na OpenAI, deixando claro que a corrida pela comercialização estava em curso. A OpenAI já havia criado uma subsidiária com fins lucrativos.

Musk passou a atacar Altman e a OpenAI nas redes. Em uma publicação no Twitter — que ele já havia adquirido e que posteriormente foi renomeado para X — criticou o financiamento da startup e sua parceria com a Microsoft:

“A OpenAI foi criada como uma empresa de código aberto (por isso eu a chamei de ‘Open’ AI), sem fins lucrativos, para servir de contraponto ao Google, mas agora tornou-se uma empresa de código fechado, com foco máximo em lucro, efetivamente controlada pela Microsoft”, escreveu Musk em fevereiro de 2023. “Não foi isso que eu pretendia de forma alguma.”

Altman respondeu por mensagem de texto, divulgada em documento judicial:

“Sou imensamente grato por tudo o que você fez para ajudar — não acho que a OpenAI teria acontecido sem você — e dói pra c— quando você ataca publicamente a OpenAI”, escreveu Altman a Musk.

Musk não recuou. Em março de 2023, ele constituiu a xAI, com a intenção de que se tornasse concorrente direta da OpenAI, inclusive recrutando ativamente profissionais da empresa. Zilis, que àquela altura já tinha filhos com Musk, deixou o conselho da OpenAI.

Ela já sinalizava essa direção no mês anterior, ao escrever em mensagem de texto a um amigo: “Quando o pai dos seus filhos começa um esforço concorrente e vai recrutar na OpenAI, não há o que fazer.”

Desde que entrou com o processo, em 2024, Musk intensificou a troca de acusações com seus cofundadores da OpenAI, principalmente em sua plataforma preferida, a X, chamando os dois principais líderes de “Scam Altman” e “Greg Stockman”.

“Eu poderia ter criado a OpenAI como uma empresa com fins lucrativos”, escreveu Musk em uma publicação na X, quando o julgamento estava começando. “Em vez disso, eu a criei, financiei, recrutei talentos essenciais e ensinei tudo o que sei sobre como tornar uma startup bem-sucedida PARA O BEM PÚBLICO. Depois, eles roubaram a instituição beneficente.”

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:


🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.

MAIS EM Tecnologia & Inovação