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CNBCDemissões por IA derrubam ações de 56% das empresas e expõem ilusão do corte de custos

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Demissões por IA derrubam ações de 56% das empresas e expõem ilusão do corte de custos

Publicado 17/05/2026 • 10:34 | Atualizado há 11 minutos

KEY POINTS

  • A CNBC compilou uma lista de 23 empresas do S&P 500, em múltiplos setores, para analisar o desempenho de suas ações após demissões vinculadas à IA.
  • Até 15 de maio, 13 dessas empresas — 56% do total — operavam no vermelho desde o anúncio dos cortes.
  • O "AI washing" - Foco na desconfiança dos investidores sobre se as demissões são realmente motivadas pela IA ou se a tecnologia está sendo usada como justificativa para cortes convencionais de custos.
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A inteligência artificial alimentou uma forte alta nas bolsas que levou o mercado a novos recordes. Mas as empresas que atrelaram demissões à tecnologia nem sempre colheram os frutos esperados.

A CNBC compilou uma lista de 23 companhias do S&P 500 — em setores variados — para avaliar o desempenho de suas ações após cortes de pessoal vinculados à IA. O critério foi simples: empresas que mencionaram explicitamente a inteligência artificial, ou sinalizaram maior uso da tecnologia, ao anunciar reduções de força de trabalho.

Leia também: Big techs demitiram quase 100 mil neste ano mostrando que a IA também esmaga os andares de cima

Até 15 de maio, 13 dessas empresas, ou 56% do total, operavam no vermelho desde a data dos anúncios. Para as que registraram queda, o recuo médio foi de cerca de 25%.

A gigante do calçado Nike cortou quase 800 funcionários em janeiro, citando um plano para acelerar a “automação” em seus centros de distribuição nos Estados Unidos. Até 15 de maio, as ações acumulavam queda de quase 35% desde o anúncio.

A Salesforce também perdeu cerca de 32% desde que os cortes motivados por IA vieram a público, no final do verão norte-americano do ano passado. A empresa de gestão de relacionamento com clientes eliminou 4.000 postos em setembro, alegando que sua equipe de bots de atendimento movida por IA — chamada de “Agentforce” — havia substituído parte dos engenheiros de suporte.

Pouco depois, o marketplace de serviços freelance Fiverr demitiu 30% de seus funcionários para se tornar “uma empresa com a IA no centro, mais enxuta e ágil, com uma infraestrutura tecnológica moderna e voltada para IA”, segundo o CEO Micha Kaufman. As ações da companhia despencaram 54% no período.

Embora a amostra seja pequena, os dados reforçam uma realidade incômoda: os investidores não sabem ao certo o que esperar da IA e de seus impactos potenciais — mesmo com o uso da tecnologia em expansão. A avaliação é de Daniel Keum, professor associado de gestão na Columbia Business School.

“A IA é o que chamamos de um choque macroeconômico”, disse Keum. “Há muita incerteza sobre o que ela vai provocar. Ninguém tem uma visão clara dos impactos de médio e longo prazo.”

O que é certo, segundo ele, é que a IA está sendo usada para reduzir custos com mão de obra na “grande maioria” dos casos — a despeito de seus criadores exaltarem outras aplicações da tecnologia.

“Os ganhos de produtividade têm um caráter de soma zero”, argumentou Keum. “Sim, estou usando novas tecnologias para cortar pessoal — mas meus concorrentes estão fazendo o mesmo. Se todo mundo está melhorando, a régua simplesmente sobe e ninguém fica mais lucrativo.”

Culpar a IA?

Com a ascensão da IA, cresceu também a percepção de que as empresas poderiam usar a tecnologia para eliminar empregos e reduzir custos.

Segundo uma estimativa, pelo menos 112.000 demissões podem ser atribuídas à adoção de IA desde o início de 2025. Um estudo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), divulgado em novembro, concluiu que a IA já é capaz de executar as funções de 11,7% da força de trabalho dos EUA e pode economizar até US$ 1,2 trilhão em salários em diversos setores.

Ainda assim, os investidores têm dificuldade em avaliar se as empresas estão de fato tomando decisões baseadas em IA — ou se simplesmente usam a tecnologia como pretexto para cortes de custos convencionais ou erros de gestão financeira. A análise é de Ally Warson, fundadora da UP.Partners, firma de capital de risco focada em IA.

O conceito é tão presente no debate que já ganhou até nome: “AI washing” — algo como “lavagem de IA”, em analogia ao greenwashing.

“As empresas vão se valer do que estiver em pauta na mídia ou do discurso dominante para eventualmente mascarar os reais motivos de demissões”, disse Warson à CNBC.

Os investidores também enfrentam dificuldades para medir a influência real da IA sobre os resultados das empresas, em meio a pressões geopolíticas e macroeconômicas que também pesam sobre as ações, segundo Keum.

“Choques geopolíticos de grande envergadura”, como o conflito envolvendo o Irã, provocaram demissões, enquanto as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump no ano passado aumentaram a pressão por cortes. Além disso, ainda está em curso o processo de reversão das contratações excessivas feitas durante a pandemia.

“E depois há o choque genuíno da IA”, disse Keum. “Quanto atribuir a cada fator… é tudo especulação.”

‘Cortes de empregos não são suficientes’

Diante dessas incertezas, os investidores olham além das demissões para entender de que outras formas a IA pode impactar os resultados, segundo Noah Hamman, CEO e fundador da gestora de investimentos AdvisorShares.

“Os cortes de empregos não são suficientes”, disse Hamman. “As pessoas querem saber o que as empresas estão investindo e quem vai conseguir retorno de verdade com tudo isso.”

O executivo citou o Google — controlado pela Alphabet, listada em bolsa — como exemplo de empresa que está impulsionando seus negócios com IA. A ferramenta de IA generativa Gemini tem contribuído para a receita de nuvem, fortalecido a busca e ampliado o engajamento dos usuários em todo o ecossistema Google.

A tecnologia também está por trás de robôs voltados à manufatura, à indústria e à construção civil, segundo Warson, que investe em startups de IA física. Esses robôs tornam tarefas perigosas — como a limpeza de fachadas ou a inspeção de turbinas eólicas — mais eficientes e reduzem acidentes de trabalho custosos, com potencial de melhorar os resultados das empresas.

Uma coisa, porém, está clara: anunciar demissões em nome da inteligência artificial pode não ser suficiente para valorizar as ações de uma empresa — pelo menos no longo prazo.

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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.

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